Não engulo o povo. Não no Brasil. Se vivêssemos na Europa, com certeza pensaria diferente. Porque o povo na Europa é estudado, lido, bem alimentado, saudável, ativo. Por mais que nos empurrem goela abaixo o valor heróico do termo "povo", acredito que não há nada mais necessário a esta nação do que uma mudança completa de postura.
No Brasil, a força do povo é a força de quem não teve oportunidade de estudar. É a força de quem não se nutriu como exige a natureza e passou muito tempo de hospital público em hospital público tentando curar doenças que há muito já deviam estar erradicadas. É a força de quem não entendem 20% das notícias apresentadas no Jornal Nacional. Essa é a força mais manobrável, mais barata que tem. Quaisquer quinze, vinte e cinco, quarenta cinco reais compram suas ideologias. Compram seus conhecimentos, suas opiniões. Qualquer capítulo de novela. Que orgulho há de se ter desta força? Que vitória pode se cantar a partir desta força?
Nesta democracia chamada Brasil, o poder não é do povo, mas de quem sabe manobrá-lo. Quem evoca a força do povo, evoca a força de saber controlar, de explorar pobres coitados. E esse controle parte da oferta do pão, do circo que naturalmente surgirá após fartar-se de pão, e do medo de que este pão acabe. Uma prática que começou milhares de anos atrás e ainda não se extingüiu no Brasil.
Feliz desta nação no dia em que não mais tiver povo. No dia em que políticos não mais se (re)elejam explorando a fome do povo, o desespero do povo, o medo povo. Portanto, se não há como acabar com os políticos, acabemos então com o povo. E não dá para acabar com o povo alimentando-o. É necessário para tanto educá-lo e dá-lo oportunidades para que cresça e deixe de ser explorado. Ou devo dizer "deixe de ser povo"?
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
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Ai Ai. Como é dura e amarga a verdade.
Mas, sim, pois é. Platão temeu a democracia, Montesquieu também.
Temiam eles a vocaçao que a democracia tem para virar a velha demagogia. O governo da balela. O governo do povo.
Nada como a verdade.
Faz sentido
Não creio que faça tão sentido assim…
Vivesse você na Europa, certamente não engoliria o povo de lá também… hehehehehehe…
Cada um com seus problemas, a Europa também amarga o mesmo tipo de problemas com a parcela do povo representada por refugiados de lugares menos privilegiados pela sorte, como África e etc…
Voltando o papo para o povo que nos é de direito, creio que não podemos culpá-los unicamente pelo quadro assombroso que você de forma legítima abordou muito bem.
O povo é como é, vítima desse maniqueismo que você denuncia, e não creio que poderia ser diferente, dado que não há concretamente nenhum tipo de iniciativa para tirá-los dessa condição. Nem de quem deveria ter responsabilidade legal para isso, nem de nossa parte, parcela da população um pouco mais informada e com poder de formar opinião e mudar muita coisa. Tá !!! confesso que há 20 anos, eu acreditava mais nesse discurso idealista, mas enfim…
Fechamos os olhos para tudo o que há de graves problemas relacionados ao povo. Votamos errado, ou simplesmente não fazemos grande coisa para que haja um salto qualitativo em relação a nossa classe política. Nos encolhemos com a violência que parte de uma parcela desse povo e não nos damos conta de que os violentados são eles. Nos contentamos com malditas e inuteis audiencias públicas, palestras, foruns, etc, etc, etc… Esse é um país que muito se discute e nada vai muito além disso.
Como foi levantado em um texto que rola na net, atribuido ao João Ubaldo Ribeiro, “precisa-se de matéria-prima para construir um país”.
Mas a quem interessa maturar essa matéria-prima à base de educação?!?