Ironias: prefiro as da vida Quem tem medo da privatização má?
out 14

Não engulo o povo. Não no Brasil. Se vivêssemos na Europa, com certeza pensaria diferente. Porque o povo na Europa é estudado, lido, bem alimentado, saudável, ativo. Por mais que nos empurrem goela abaixo o valor heróico do termo "povo", acredito que não há nada mais necessário a esta nação do que uma mudança completa de postura.

No Brasil, a força do povo é a força de quem não teve oportunidade de estudar. É a força de quem não se nutriu como exige a natureza e passou muito tempo de hospital público em hospital público tentando curar doenças que há muito já deviam estar erradicadas. É a força de quem não entendem 20% das notícias apresentadas no Jornal Nacional. Essa é a força mais manobrável, mais barata que tem. Quaisquer quinze, vinte e cinco, quarenta cinco reais compram suas ideologias. Compram seus conhecimentos, suas opiniões. Qualquer capítulo de novela. Que orgulho há de se ter desta força? Que vitória pode se cantar a partir desta força?

Nesta democracia chamada Brasil, o poder não é do povo, mas de quem sabe manobrá-lo. Quem evoca a força do povo, evoca a força de saber controlar, de explorar pobres coitados. E esse controle parte da oferta do pão, do circo que naturalmente surgirá após fartar-se de pão, e do medo de que este pão acabe. Uma prática que começou milhares de anos atrás e ainda não se extingüiu no Brasil.

Feliz desta nação no dia em que não mais tiver povo. No dia em que políticos não mais se (re)elejam explorando a fome do povo, o desespero do povo, o medo povo. Portanto, se não há como acabar com os políticos, acabemos então com o povo. E não dá para acabar com o povo alimentando-o. É necessário para tanto educá-lo e dá-lo oportunidades para que cresça e deixe de ser explorado. Ou devo dizer "deixe de ser povo"?

Escrito por Marlos Ápyus

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 14/10/06 às 6h13 nas seções Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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3 Comentários para “Acabem com o povo”

  • Às 15..2006 07:11, Carol escreveu:

    Ai Ai. Como é dura e amarga a verdade.

    Mas, sim, pois é. Platão temeu a democracia, Montesquieu também.

    Temiam eles a vocaçao que a democracia tem para virar a velha demagogia. O governo da balela. O governo do povo.

    Nada como a verdade.

    • Às 16..2006 07:08, Thiago de Góes escreveu:

      Faz sentido

      • Às 16..2006 13:55, Lord Audius escreveu:

        Não creio que faça tão sentido assim…

        Vivesse você na Europa, certamente não engoliria o povo de lá também… hehehehehehe…

        Cada um com seus problemas, a Europa também amarga o mesmo tipo de problemas com a parcela do povo representada por refugiados de lugares menos privilegiados pela sorte, como África e etc…

        Voltando o papo para o povo que nos é de direito, creio que não podemos culpá-los unicamente pelo quadro assombroso que você de forma legítima abordou muito bem.

        O povo é como é, vítima desse maniqueismo que você denuncia, e não creio que poderia ser diferente, dado que não há concretamente nenhum tipo de iniciativa para tirá-los dessa condição. Nem de quem deveria ter responsabilidade legal para isso, nem de nossa parte, parcela da população um pouco mais informada e com poder de formar opinião e mudar muita coisa. Tá !!! confesso que há 20 anos, eu acreditava mais nesse discurso idealista, mas enfim…

        Fechamos os olhos para tudo o que há de graves problemas relacionados ao povo. Votamos errado, ou simplesmente não fazemos grande coisa para que haja um salto qualitativo em relação a nossa classe política. Nos encolhemos com a violência que parte de uma parcela desse povo e não nos damos conta de que os violentados são eles. Nos contentamos com malditas e inuteis audiencias públicas, palestras, foruns, etc, etc, etc… Esse é um país que muito se discute e nada vai muito além disso.

        Como foi levantado em um texto que rola na net, atribuido ao João Ubaldo Ribeiro, “precisa-se de matéria-prima para construir um país”.

        Mas a quem interessa maturar essa matéria-prima à base de educação?!?

        (Obrigatório)
        (Não será publicado)
        Busca
        dez 26

        Você é Ministro do Supremo Tribunal Federal mas não sabe como proceder para causar um escândalo denunciando um possível Estado Policial na democracia que paga seu salário? Seu problemas acabaram. Preparei este tutorial que mostrará passo a passo como é fácil forjar toda esta situação.

        out 06

        Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

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