Dia, e não noite, de São Pedro já é tradição. Aniversário do Seu Percy. Boêmio vizinho meu há pelo menos 17 anos. Conta que na década de setenta tomou umas cervas com Chico Buarque por trás do hotel Reis Magos na Praia do Meio. Ele e seus comparsas cantam a um muro de distância alá Nelson Gonçalves e Cauby Peixoto. Não acho ruim. Pelo contrário: acho uma curtição. As coroas todas aplaudem ao final de cada agudo mais empostado. E eu aqui trabalhando.
Quando saía para uma reunião hoje à tarde, deparei-me com Diogo Guanabara, o vizinho de frente. Recém-chegado do Rio de Janeiro, onde por seis meses solou em espetáculo dirigido por Oswaldo Montenegro, confessou-me um trote que passara a mim sábado passado e que me fez pensar ser uma quase vítima do seqüestro telefônico. Na seqüência, partiu para fazer o que melhor sabe: desfrutar dos prazeres desta terra, se é que me entendem.
No meio da cantoria desta noite boêmia, escuto o som de um bandolim. Inconfundível, percebo os rearranjos de Diogo para clássicos do chorinho e da MPB. Sim, o boêmio voltou novamente. E subitamente lembro do tempo que estudava ao som do ensaio do coral em que cantava Regina Guanabara, sua mãe. É quando me toco que vivo numa rua de certa forma artisticamente abençoada.
Fim de pausa. Voltemos à labuta.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 29/06/06 às 20h34 nas seções Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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Esse texto parece poesia, Marlos! Que bonito…
J� pensou se a UnP n�o tivesse levado metade da rua?