Uma carreata incomoda muita gente Mais palavras ainda sobre a greve bancária
out 02

Nesta greve, é nítido que os grevistas apresentam dois pacotes de reinvindicações distintas camufladas em um único discurso:

  • Uma porção de ajustes que melhoraria a vida dos bancários
  • Outra porção de ajustes que melhoraria a vida dos usuários dos bancos

Certo. Beleza. Acho até mais interessante que se queira melhorar a vida dos usuários do banco do que dos bancários em si. Porque conheço alguns bancários e só os vejo sofrendo de fato na primeira semana do mês, quando as agências superlotam, e na última, quando precisam bater suas metas. Se melhorar a situação dos clientes, por tabela a dos bancários também melhora. Até porque o ar-condicionado esfriará o ambiente de ambos. Contudo, prover um melhor atendimento nem implica em necessariamente contratar mais gente. A Caixa Econômica resolveu suas filas quilométricas instalando um eficiente agendamento de atendimento. Por que o Banco do Brasil e os demais não fazem o mesmo? Será realmente necessário contratar mais funcionários para isso, ou apenas reestudar suas logísticas?

Contudo, tenho meu pé atrás com o discurso da galera. Para simplificar minha explicação, digamos que o movimento pede apenas 30 porcento de aumento, e a contratação de 30 mil novos funcionários. Um pedido ajuda os servidores, outro os servidos. Se oferecerem os 30% de aumento, mas não contratarem nenhum funcionário, a greve acabará? Eu acho que sim. Mas será que o mesmo ocorre se contratarem os 30 mil funcionários e não derem aumento nenhum? Eu acho que não. A sensação que dá é que estão usando os supostos benefícios para os usuários da rede bancária apenas para ganhar a simpatia alheia, no melhor estilo “olhe, estou lutando por vocês, lutem por nós também”. Será essa luta também em prol do próximo? Contudo, só a preocupação com a opinião pública já demonstra um avanço do movimento. Neste ponto, parabéns.

Mas que história é essa de acham um absurdo terem de bater metas? Desde quando ter meta a cumprir é algo inaceitável em um emprego? Gritar isso no megafone ofende que tem que ralar um mês inteiro para justificar a grana que quitará as próprias contas. Se o caso é que as metas estão altas, que lutem para baixá-las, mas não para extingüi-las. Ou já não acham mordomia demais quadruplicar o salário mensalmente em gratificações? Mais respeito com o imposto alheio, faz favor!

Atualização: 20h10

Ulla (não confundir com Lula, apesar de achar que ela ainda é votante do barbudinho) publicou um texto que de certa forma rebate este e esclerece vários pontos obscursos desta greves bancárias anuais que enfrentamos. Convido todos a clicarem no link.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 2/10/08 às 0h07 nas seções Notícias, Política & Economia. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.

Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

6 Comentários para “Algumas poucas palavras sobre a greve dos bancários”

  • Às 02..2008 12:27, Ulla escreveu:

    Rapaz, me diga aí que banco é esse onde o povo não tá ralando e quadruplicando o salário em gratificações, que eu só posso estar no lugar errado…

    • Às 02..2008 15:37, Ulla escreveu:

      Há algumas coisas sobre a greve dos bancários que podem ser vistas por outro ângulo, dê uma olhadinha no meu blog…

      • Às 02..2008 19:48, Marlos Ápyus escreveu:

        Isso de quadruplicar, fiz as contas pela entrevista de um grevista na Tribuna do Norte, quando disse que o corte de suas gratificações representava sozinho três vezes o salário dele. Se ele ganhava mil, as gratificação somam 3 mil. Mil vezes quatro, quatro mil.

        De fora, Banco do Brasil parece o inferno pintado de amarelo, parece estar realmente todo mundo se matando ali e precisam urgentemente encontrar uma solução. Só não gosto da idéia de se inchar ainda mais a máquina. Na Caixa Econômica, o ambiente parece mais saudável, mas não sei o que se passa dentro daquelas paredes de onde você sai.

        De toda forma, tenho alguns amigos bancários, e todos parecem tranqüilos (não sei como você e Aquilles andam pois não os vejo há tempos). Inclusive, gente de dentro do Banco do Brasil, de onde morro de medo que uma bomba de hidrogênio exploda a qualquer momento, já me confidenciou que os piores dias são sempre até o sétimo dia útil quando precisam ouvir um monte, mas que no geral estavam satisfeitos com o padrão de vida que atingiram (algo, para alguns, impensável anos atrás).

        • Às 02..2008 19:49, Lord Audius escreveu:

          Não trabalho em banco, mas tenho muitos amigos que trabalham. Mesmo nos bancos públicos as coisas não andam esse mar de rosas de gratificação quadruplicada, não… Foi-se o tempo que bancário era padrão de status… hehehehehehehe

          Se bem que não conheço ninguem de alta gerencia, etc…

          Até onde sei as metas não são racionais, e em não alcançando as mesmas, é castigo na certa… Sendo banco privado, o olho da rua… Sendo banco público, uma transferenciazinha básica pra outra cidade, ou outra agencia na contra-mão de seu roteiro habitual.

          Conheço gente do BB que passou por isso… Trabalhava na agencia centro há décadas e foi realocado em Extremoz. E como esse muitos, até não aguentarem mais e pedir demissão, como ultima alternativa.

          Mordomia mesmo só pra quem lucra horrores com esse sistema de escravidão moderno… ;)

          • Às 02..2008 23:22, Ulla escreveu:

            Provavelmente quando este “entrevistado” falou em gratificação se referia a Cargo Comissionado, que pelo valor é de Gerente… que é pra poucos. Diga-se de passagem, todo mundo sabe que a Função de Gerente não é nada estável… se está Gerente e não se é… enfim, mas nós, pobres mortais, ganhamos o salário puro e simples.

            De fato, o que se houve como maior insatisfação dos funcionários do BB é o Assédio Moral, que é praticado por alguns Gerentes abertamente, por isso, não são poucos os casos de Bancários de longa data no BB entrarem em concursos pra Caixa.

            A Caixa, apesar de uma série de problemas, e incoerencias, se orgulha de estar no ranking das 150 melhores empresas para se trabalhar, e em teoria valoriza os funcionários…o problema é que na prática as coisas esbarram em politicagens, indicações por amizade, e às vezes até o famoso assédio moral. Ou seja, mesmo trabalhando igual a um burro de carga… eu gosto muito de trabalhar lá… Mas seria bom ter as horas-extras pagas, um reajuste decente, a jornada de 6h respeitada, e não ser proibida de ficar doente por falta de substituto.

            De qualquer maneira, a visão de quem tá de fora tende a não levar a greve a sério, por culpa nossa, e da banalização que criamos mesmo… eu não gosto de fazer greve… mas prefiro a ficar sem reajuste…

            Vale salientar que o Sindicato do RN gosta muito de briga…então…

            De qualquer forma, obrigada por entender este lado do assunto…

            • Às 11..2008 02:12, Taís escreveu:

              Bom, no banco que eu trabalho, BB, a gente não ganha comissão pra nada. Resultado de fim de mês, salário puro e simples.
              Não reclamaríamos das metas se elas fossem normais. Sabemos, todo mundo tem meta de alguma forma. O que acontece é que as metas são abusivas e praticamente inalcansáveis, completamente incompátiveis com a realidade (e já se sabe o que acontece quando não “batemos”as metas, né?). Muita gente chegou a ficar doente esse ano, tamanha a pressão e o assédio moral.
              Abraços

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              dez 26

              Você é Ministro do Supremo Tribunal Federal mas não sabe como proceder para causar um escândalo denunciando um possível Estado Policial na democracia que paga seu salário? Seu problemas acabaram. Preparei este tutorial que mostrará passo a passo como é fácil forjar toda esta situação.

              out 06

              Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

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