As eleições no Fantástico Mundo de Ápyus são bem mais simples e objetivas. Porque não há campanha. Ou seja… Não há gastos desnecessários com publicidade, não há negociatas, não há favores que depois serão devolvidos com dinheiro público, não há acordos entre políticos rivais apenas para ganharem votos um dos eleitores do outro. Não há poluição sonora, não há santinhos. Não há debates onde os candidatos são obrigados a responder em 90 segundos como solucionarão os problemas do trânsito brasileiro. Não há horário eleitoral, muito menos candidatos que precisam te convencer a nele votar em 15 segundos.
E o que há nesta eleição? Em primeiro lugar, a proibição de pedir votos. Todo candidato que for pego pedindo votos tem automaticamente impedida a candidatura. Há também um programa de intenções, que todo candidato precisa entregar até seis meses antes da votação. Neste programa, uma lauda é reservada para o currículo do candidato. Em uma segunda lauda são listados todos os seus compromissos ideológicos (sua posição acerca de assuntos como aborto, casamento gay, drogas, etc). Em uma terceira são listados todos os objetivos que o mesmo pretende atingir se eleito. Na seqüência há uma lauda para cada objetivo desses, onde é explicado como se pretende atingir os ditos cujos. Ao término são listados seus antecedentes criminais, bem como todos os processos judiciais em que está envolvido. Por fim, há uma última página que o candidato pode usar para fazer suas considerações finais.
Este programa é registrado em cartório e pode ser consultado pela internet. Aos que não têm acesso à grande rede, são distribuídos no TRE uma cópia impressa de todos os programas de todos os candidatos. Deficientes visuais e analfabetos recebem um MP3 player com todos os programas declamados por softwares de leitura de texto. O eleitorado tem então seis meses para estudar todos os envolvidos na eleição e definir seu voto.
Todo partido é obrigado por lei a manter para seus candidatos um gabinete ativo apenas em horário comercial onde os eleitores poderão ter um encontro de corpo presente e tirar qualquer dúvida que gostariam acerca do mesmo. Em eleições municipais, é permitido um gabinete por bairro. Nas estaduais, um gabinete por cidade. E na eleição para presidente, um gabinete por capital. Caso o candidato esteja em viagem pelos gabinetes de seu partido, representantes seus podem esclarecer dúvidas para os mesmos naqueles em que não se fizer presente. O papel das mídias (TV, Rádio, Internet e Jornal) é o de incentivar os eleitores a conhecerem os programas de seus candidatos antes de votarem, em formato semelhante às campanhas de vacinação.
Se eleito, o candidato terá de cumprir com 50% de tudo que prometeu. Caso não cumpra, não poderá se reeleger. Caso, no meio do caminho, note-se que suas atitudes não condizem com seus posicionamentos ideológicos declarados no programa de intenções, pode ser pedido o seu impeachment.
P.S.: Hoje pela primeira vez assisti ao horário político deste ano. E, apesar de meus melhores amigos serem desta área, e muitos estarem trabalhando com políticos pelas próximas semanas, tenho quase certeza que enquanto tivermos publicitários comandando as eleições, não viveremos num país decente.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 5/09/08 às 0h27 nas seções Capas, Fantástico Mundo de Ápyus, Política & Economia. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.
Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.






Para ficar perfeito o seu sistema de eleição só faltou o voto facultativo, pois nem todos teriam o saco (ou responsabilidade) de ler as laudas. Portanto, só quem tivesse interesse de eleger candidatos votaria. (Porém, isso já acarreta uma forma de corrupção, pois muitos seriam cooptados e pagos para votar em fulano…)
Há até uns seis meses eu era a favor do voto facultativo. Até que li um comentário de Lúcia Hippólito dizendo que era o voto facultativo que fazia com que famílias como os Kirchner chegassem ao poder na Argentina. Foi quando parei para pensar: as pessoas mais interessadas em política são justamente aquelas que estão ganhando a vida com os cofres públicos. é só prestar atenção em quem participa das carreatas. Noventa porcento de quem está ali torce pela vitória para não perder algum cargo que ganhou com favor político. É quando se tornará quase impossível livrar o país destes parasitas políticos.
exatamente…texto e comentários perfeitos!