Aconteceu na terça-feira de carnaval, mas poderia ser qualquer dia da semana, qualquer semana do ano. Aconteceu na praia de Pirangi, mas poderia ser Pitangui, Redinha, poderia nem ser praia. Aconteceu com um amigo meu, mas poderia ser amigo seu, ou mesmo você.
Ele, assim como a esposa, enfrenta 12 horas diárias de trabalho, fora o tempo que precisa reservar para concluir a faculdade. Não faz nem um ano que se casou, e muitas das parcelas da mobília ainda estão sendo pagas. Não possui sobrenome, parente político ou qualquer vantagem para levar essa vida.
Ambos foram com alguns parentes curtir o último dia do carnaval 2006 na praia de Pirangi. Após algumas horas de festa, algo em torno de 30 jovens, alguns reconhecidos como sendo alunos da UnP (Universidade Potiguar) partem para cima dele sem qualquer motivo aparente e começam a chutá-lo na cabeça. Trinta jovens, de família, "bem apessoados", que tiveram oportunidade na vida, contra um. Na frente da esposa, que ficou sem qualquer reação. Na frente das irmãs, que tentavam inutilmente apartar a briga. Na frente de alguns amigos que findaram apanhando também. Passou a noite no Walfredo Gurgel. Nariz e maxilar fraturados. Os olhos inchados de tal maneira que impediam qualquer exame médico. Precisa de cirurgia mas só poderá fazê-la quando os inchaços diminuir. Deu a sorte de não ter tido nenhuma lesão craniana. Mas foi a única sorte, pelo visto. Trabalha por serviço prestado e ficará um bom tempo sem trabalhar, portanto, sem garantir seu sustento. Buscamos a polícia para fazer o boletim de ocorrência, mas devido à greve fomos impossibilitados.
Sem muito o que fazer, findo eu aqui, perguntando:
Á Polícia:
Quando vocês tomarão vergonha na cara e passarão a agir contra estes marginais diplomados? Quando vocês ficharão todos os alunos de academia? A imbecilidade já nasce com o indivíduo, mas é nas academias que eles se reúnem e marcam seus combates. Quando vão fechar as academias clandestinas? Quando vão fotografar e pegar digital de cada marginal desses? Quando vão comparar as fotos com a imagem dos delinqüentes que aprontam nas festas populares ou não? Quando colocarão atrás das grades tais marginais, publicarão foto, nome e sobrenome no jornal? Quando?
Á Elite:
Aos Gadelhas, Alves, Maias, Emerencianos, Flores, Elalis, Rosados, todos os sobrenomes de Natal. Quando vocês educarão seus filhos? Quando terão vergonha de liberar tão facilmente seu dinheiro aos marginais que saíram de seus ventres e vivem de interromper o bem estar daqueles que apenas querem se divertir após trabalhar dozes horas por dia para se sustentar? Seus filhos são marginais. Você não tem vergonha de ser pai de um marginal? Devia ter. E, em tendo, devia dar um jeito de corrigir isso, e não simplesmente fingir que não é seu filho. O que seu filho fez nesse carnaval? Tem certeza que foi isso que ele fez?
Á UnP:
Caro Paulo de Paula. Até quando você deixará o nome da sua instituição se sujar assim? O quê? Você não tem nada a ver com isso? Então é só coincidência que o nome da sua "escola" acompanhe tantos casos absurdos como este? Enquanto UnP for sinônimo deste tipo de violência ou conivência, filho meu não será matriculado em seus cursos. Quantos mais agirão como eu? Já parou para pensar na quantidade de dinheiro que você está perdendo? E dinheiro é o que importa, né? Então mande a sua assessoria de imprensa agir.
Aos Produtores de Eventos:
Se outra coisa não importa a vocês além de dinheiro, aqui vai uma justificativa financeira. Até meus dezesseis anos tinha em meus planos, ao final do ano, pular no Carnatal. Até meus dezesseis anos. Nunca mais quis saber de tal evento, ou de qualquer evento do tipo, quando em 1997 fui espancado sem qualquer motivo aparente por cinco jovens. Fui perseguido durante todo o percurso. Uma noite de festa virou uma noite de tensão. Desde então deixei de dar dinheiro meu a este tipo de evento. Quantos como eu não existem? Quanto dinheiro vocês já perderam por não agir energicamente contra esta violência?
Aos Potiguares:
Até quando vocês aturarão calados esses abusos? Até que finalmente aconteça com um parente seu ou contigo? Ou já aconteceu? Já soube de alguém que agiu assim? Sabe de alguém? Até quando vai ficar calado? Até quando suas garotas sentirão prazer em estar acompanhadas desses delinqüentes? Até quando os garotos mais novos admirarão os mais velhos por terem a orelha "comida" de tanto se rasgar no tatame? Por que vocês não passam a tratar tais seres como desprezíveis? Eles são piores que os piores. Eles tiveram educação e oportunidade. Trocaram tudo para virar marginais. Sim, eles são marginais. Pegaram um jovem trabalhador nesta terça-feira de carnaval e destruíram seu rosto. Trinta deles contra um. Na frente da esposa em prantos, e das irmãs. Nenhum deles conseguiu dormir esta noite em choque. Foram eles, mas poderia ser você.
Até quando eu vou precisar escrever estas palavras?
Divulguem estas palavras ao máximo de pessoas que puderem. A paz agradece.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 1/03/06 às 6h12 nas seções Atitude & Comportamento, Desabafos. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.






Acho que refazendo o script de “Um dia de F�ria” a gente comum consegue chamar aten��o e revidar esse tipo de total imbecilidade. Pol�cia? Eu peguei um ladr�o no meu banheiro � meia-noite, entreguei na m�o do delegado �s 2:40h da manh� e �s 6:30h da mesma manh� o delegado bate � minha porta perguntando se EU sabia o endere�o do ladr�o porque ele fugiu da delegacia levando consigo a arma semi-autom�tica do delegado…
Quanto a UNP: N�o espere que uma porcaria que “compra” uma rua, fecha os cruzamentos pr�ximos para que seus alunos estacionem carros, cobra R$ 2.000,00 de mensalidade num curso de medicina para que o m�dico formado diagnostique sempre “uma virose” nos seus pacientes tenha algum tipo de car�ter para cuidar de alguma coisa.
nossa que merda hein? J� passei por isso desse mesmo jeito. Fiquei revoltado. Ainda apanhei junto com meu pai. sinxtro!
Fiquei mais chocada ainda com essa hist�ria porque o garoto que apanhou desses bandidos eu vi crescer, � um menino lindo e doce, que por ser bonito e forte deve ter despertado a inveja desses brutos. A inveja ou o tes�o, porque de repente essa coisa de espancamento pode at� ser uma express�o deformada de um tes�o que n�o pode se expressar…
Apyus, j� ouvi seu som e acabo de ler sua narrativa. Mas n�o lhe conhe�o.
Acho a id�ia do seu texto cheia de boa vontade, mas com argumentos “de supapo”.
Por partes:
UnP.
Tratar de forma generalizada, como vc trata no texto, as pessoas que fazem a Unp � de uma falta de respeito enorme. Eu SOU pobre e estudei na UnP atrav�s de cr�dito educativo. E o curso que escolhi tinha estrutura e me ajudou, sim, a me posicionar mo mercado que escolhi atuar. Profissional se forma na escola mas car�ter � coisa familiar, que vem do ber�o, amigo. Liste o nome das pessoas e a�, sim, poder� cobrar da UnP uma postura diante da sua import�ncia para a forma��o da sociedade potiguar.
SOBRENOMES
N�o concordo com a cita��o de familias politicas e elites abordadas no texto. Cara, na boa isso � coisa de punk-rico.
Alves; Maias; Rosados e,agora, FARIA t�m sua contribui��o pol�tica para a melhoria da seguran�a p�blica. Basta acompanhar os trabalhos.
Se tinha algum deles no �pis�dio que vc cite o nomes de cada um. Ficar� mais f�cil das elites se pronunciarem.
POLICIA
A f�rmula utilizada pode n�o ser a correta, mas os objetivos s�o louv�veis. L�gico que nenhum policial � “cordeirinho”, mas a quest�o da seguran�a social neste Pa�s fugiu do controle acionario da pol�cia e dos pol�ticos. Espera-se que a pr�pria sociedade articule-se. E isso vai levar um tempo, o natural, pois vivemos a �poca do “cada um, cada um”.
Potiguares
Lhe dou raz�o ao argumento de que a sociedade potiguar ou norte-rio-grandense, como queira, inclua-se a� a �rea VIP, � “calada”.
Mas isso faz parte do nosso hist�rico. N�o somo an�rquicos, nem t�o poucos revoltosos. Existe uma ou duas cita��es destacav�is (cunha�, por exemplo); Somo pronvicianos, do tipo que reclama, reclama, reclama…Vc pode estar na contram�o. Isso � um bom sinal. E te acompanho. Mas por favor, sem tanto preconceitos formados por imagem.
Quem tem sabedoria, e argumentos, vai mais longe.
Abra�o.
Caro Micarlos,
Sei que generalizei e assim o fiz de prop�sito. Por saber que se assim n�o o fizesse, a grande maioria fingiria que eu estava falando na verdade de outra pessoa. �s vezes se faz necess�rio generalizar para que pessoas como voc� d�em um passo a frente e digam “calma l� que eu n�o sou assim”. A quest�o �: quantos poder�o dar este passo � frente? A maioria, provavelmente. Mas depois ficar� bem f�cil perceber quem ficou parado no mesmo lugar.
Quanto aos preconceitos, sou preconceituoso sim. Voc� tamb�m �. Todos n�s somos. Se estou na rua e passa um cara em trapos, fico mais inseguro com medo de ter uma carteira batida. Isso n�o acontece quando estou no shopping no meio de um monte de gente “elegante”. Isso � preconceito. E eu sou preconceituoso.
Quanto o nome aos bois, � tudo que mais quero neste momento. Para gritar aos quatro ventos, e n�o calar como calam os que t�m voz por aqui. Para colocar cada nome deste na justi�a comum e ter, ao menos no di�rio oficial, o nome deste marginais publicados, j� que esperar algo do tipo da imprensa � quase ut�pico. As c�meras de seguran�a est�o sendo verificadas. E se tudo der certo, tais nomes vir�o.
UNP, 25 anos ensinando a bater.
UNP, � bom aprender a apanhar tamb�m…
� isso a�, Marlos. N�o d� realmente pra entender como um fato como esse fica sem ser noticiado na imprensa, ser� que n�o � porque o canal de tv e os jornais que foram procurados t�m interesse em esconder que nas praias de Parnamirim n�o tem viol�ncia? Por que � ent�o que esses mesmos ve�culos de comunica��o est�o sempre divulgando a viol�ncia em Felipe Camar�o, por exemplo? Por que ser� que os bairros da periferia s�o sempre apontados como de alta criminalidade e as praias do sul n�o? Ser� que n�o � para acobertar os interesses pol�ticos e pessoais de quem detem o poder de calar a sua imprensa? Reflitamos.
Eu, que estou na Espanha faz um ano e agora me preparo para voltar a viver em Natal j� estou cansada de receber emails que falam do tema viol�ncia. Cada vez tenho menos desejo (e mais medo) de voltar. Outro dia foi um de um assalto ao cinema. Quando reeenvio a amigos dizem que � mais uma das “mentiras” da internet. Hoje recebi um email com este caso relatado e vim aqui para ver e me convenci que infelizmente � verdade. Volto ao meu pa�s triste, mas com a certeza de que a gente tem muito o que fazer para conhecer essa coisa simples que se chama respeito. Talvez vc realmente tenha “generalizado”, mas que se pronunciem aqueles que se sentem injusti�ados e assim se inicia, talvez, um di�logo necess�rio.