Saí do Código Da Vinci com a mesma certeza de quando concluída a leitura do livro: uma ótima história que caiu em mãos erradas. Assim como parece faltar a Dan Brown intimidade com as letras para lançar um best seller no mínimo bem escrito, faltou a Ron Howard uma arte que sobra em outros diretores como Spielberg, Donner ou Zemeckis, que é a de saber brincar com as sensações do público durante um suspense cheio de reviravoltas.
O filme não sabe que ritmo dançar. Inicia contando tudo com muita pressa, resolvendo charadas como quem faz “conta de somar” com calculadora, tudo mal explicado, tudo com muita ansiedade para se chegar logo ao clímax. E, quando o clímax chega, parece não ter recebido sua devida importância. A trilha sonora é péssima. São duas horas e quarenta minutos tentando inutilmente criar clima. Inutilmente justamente por essa tentativa excessiva. Há que se dar fôlego ao espectador ou o “suspensezinho” fica enfadonho. E como fica enfadonha tanta reviravolta histórica. Certas reviravoltas, inclusive, que parecem ter sido mal compreendidas da parte dos roteiristas. Ou isso, ou de fato há muita audácia em corromper certos valores do romance que na tela ganham um significado extremamente oposto. Até as atuações, que pareciam ser a única ferramenta infalível devido o excelente elenco, deixam muito a desejar. A revelação final trazida por Tom Hanks vem tão mal interpretada que só quem leu o livro a aceitou como convincente. E era Tom Hanks, puxa vida!
Acho difícil que o filme se torne a terceira produção a superar o bilhão de dólares na bilheteria. Mas tem garantido algum lucro sim. Quanto à contabilidade, haverá pouco a reclamar.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 20/05/06 às 6h20 nas seções Arte & Cultura, Resenhas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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