Uma das maneiras mais justas de se
julgar qualquer trabalho artístico é comparando
tudo aquilo que a obra pretendia ser a tudo aquilo
que ela consegue. Deste ponto de vista, “É Tudo
Mentira“, o mais novo livro de Carlos
Fialho,
e mais um produto com o selo Jovens
Escribas, pode
ser julgado como sendo muito bom. Em grande parte não
pelo que ele objetiva ser, mas pelo contrário.
Ao longo das quarenta e quatro crônicas reunidas
nas pouco mais de duzentas páginas, percebe-se
que Fialho não tem a intenção
de chocar, de questionar, de experimentar, de revolucionar.
Se há algumas intenções nas entrelinhas,
todas elas podem se resumir na busca pelo entretenimento
puro e simples. E essa “diversão” é atingida
com certo êxito.
“É Tudo Mentira” trata-se
de uma coletânea
de crônicas recheadas de personagens e situações
pra lá de interessantes, sempre com o bom humor “censura
quase livre” de Fialho. Há claras
influências
de Monty Python e Luís
Fernando Veríssimo,
o primeiro pela elaboração de situações
absurdas, o segundo pela bela visão das caricaturas
da vida real, cabendo aqui boas tiradas contra (ou
a favor) de Patricinhas e Metaleiros, por exemplo.
Em nenhum momento Fialho esquece suas origens potiguares
e abusa de expressões e referências locais,
tornando-se uma delícia a leitura para quem
nasceu ou já vive há um bom tempo em
Natal(RN) e seus arredores. E um dos maiores defeitos
de seu primeiro livro, “Verão Veraneio“,
lançado em 2004, não surge neste volume:
as “piadas internas” que só pessoas
próximas do autor conseguiriam entender.
Ou a distribuição das
crônicas
foi feita de acordo com a cronologia de sua criação,
mostrando, com o correr das páginas, a maneira
como a narrativa de Fialho evolui a cada quebrar de
linha, ou então se trata de um humor em que
se faz necessário uma mínima intimidade
para só então se entregar às
risadas. O fato é que as últimas crônicas
parecem bem mais interessantes, inteligentes, bem boladas
e concluídas que as primeiras, o que dá ao
livro uma boa sensação de crescimento.
Mas não mora aqui nenhuma perfeição,
e infelizmente algumas ótimas idéias
são mal aproveitadas, seja no seu desenvolvimento,
ou na sua conclusão.
Como é alertado no prefácio
pelo publicitário
Márcio Naziazeno, “É Tudo
Mentira” não é um
livro para críticos. É um livro para
o público. Um livro pop. Que podia sim ser melhor,
mas que satisfaz naquilo que se pretende. É um
trabalho que amplia os horizontes do selo Jovens
Escribas,
projeto criado pelo próprio Fialho, entre outros,
visando incentivar a composição e publicação
de livros da parte de novos escritores, e que há poucos
meses lançou Lítio,
de Patrício
Júnior, um livro que vem do extremo oposto:
é denso, sério e difícil.
O lançamento de “É Tudo
Mentira” ocorrerá nesta
quinta-feira, dia 09 de fevereiro, entre 18 e 22 horas,
na AS Livros do Praia
Shopping.
Nota (0-10): 7,5
Gênero: Resenha
Tema: Literatura
Publicado em: Qualquer
Bobage
Ano: 2006
Revisão: Não
Observações: -
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
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eh tudo mentira!!!!

brincadeira, bom show hj a noite!!!
bjao