Deu há pouco no Bom Dia Brasil. Em poucos segundos mostrou-se um dos protestos dos parentes das vítimas do desastre aéreo da semana passada. Pelo que foi dito em off, deram eles as mãos e fecharam, não foi dito por quanto tempo, a avenida próxima ao aeroporto de Congonhas. A cena me fez lembrar uma notícia que ouvi dias atrás onde dizia que contra a atitude dos vereadores daqui de Natal que de forma corrupta aprovaram o novo plano diretor da cidade, um grupo de pessoas em forma de protesto fecharia por pelo menos 30 minutos a ponte de Igapó, por enquanto a única ligação da Zona Norte para com a Zona Sul. Lembrou-me ainda a centena de estudantes que há pouco mais de um ano fechou a avenida mais movimentada da cidade por alguns dias consecutivos na luta por transporte gratuito para sua classe. E o que juro que não entendo é de onde vem essa crença de que causar transtorno no trânsito resolve alguma coisa nesse país.
O que pareço entender é que os usuários daquela avenida nos arredores de Congonhas foram os primeiros a prestar socorros às vítimas do acidente com o Airbus. Ou ainda que os moradores da Zona Norte são na verdade as principais vítimas de uma plano diretor vendido para o interesse de uma minoria que, tenho certeza, utiliza a ponte de Igapó no máximo uma dezena de vezes por ano. E, até onde entendo, os estudantes continuam pagando para andar de ônibus em nossa cidade.
Se a intenção era conquistar simpatizantes às suas causas, não entendo a lógica de tais atitudes. Olha, gostaria muito que você me acompanhasse. Mas em vez de ter dar um beijo, eu vou ter dar um tapa. E então? Está sensibilizado com minha causa? Vai me acompanhar agora? Ou está com vontade que eu exploda? Os fins são nobres. Mas nem todos os fins devem justificar os meios. E isso não quero nunca cansar de repetir.
Pior ainda é notar que esses atos engajados têm ganhado ares de consagração. São como Araras Azuis em extinção. De tão raros, os poucos exemplares existentes ganham defensores de todas as partes. Então, ai de você se criticar tais atitudes. Quando menos perceber, seu novo apelido será reacionário. Ai que meda!
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 23/07/07 às 8h05 nas seções Atitude & Comportamento. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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Uma semana, 50 e poucos corpos identificados, protestos em razão de pedir mais agilidade na identificação das vítimas. Mas como assim agilidade?!? Em respeito a dor alheia, não me permito continuar ácido daqui em diante no texto…
Mais do que entendível a dor incomparável que cada um daqueles manifestantes está sofrendo, mas é um protesto pífio com objetivos tão pífios quanto.
Parabéns pela capacidade de fazer aparecer coisas tão óbvias, mas que por algum motivo permanecem ocultas.