Na boa? Revoluções por cliques
jul 23

Deu há pouco no Bom Dia Brasil. Em poucos segundos mostrou-se um dos protestos dos parentes das vítimas do desastre aéreo da semana passada. Pelo que foi dito em off, deram eles as mãos e fecharam, não foi dito por quanto tempo, a avenida próxima ao aeroporto de Congonhas. A cena me fez lembrar uma notícia que ouvi dias atrás onde dizia que contra a atitude dos vereadores daqui de Natal que de forma corrupta aprovaram o novo plano diretor da cidade, um grupo de pessoas em forma de protesto fecharia por pelo menos 30 minutos a ponte de Igapó, por enquanto a única ligação da Zona Norte para com a Zona Sul. Lembrou-me ainda a centena de estudantes que há pouco mais de um ano fechou a avenida mais movimentada da cidade por alguns dias consecutivos na luta por transporte gratuito para sua classe. E o que juro que não entendo é de onde vem essa crença de que causar transtorno no trânsito resolve alguma coisa nesse país.

O que pareço entender é que os usuários daquela avenida nos arredores de Congonhas foram os primeiros a prestar socorros às vítimas do acidente com o Airbus. Ou ainda que os moradores da Zona Norte são na verdade as principais vítimas de uma plano diretor vendido para o interesse de uma minoria que, tenho certeza, utiliza a ponte de Igapó no máximo uma dezena de vezes por ano. E, até onde entendo, os estudantes continuam pagando para andar de ônibus em nossa cidade.

Se a intenção era conquistar simpatizantes às suas causas, não entendo a lógica de tais atitudes. Olha, gostaria muito que você me acompanhasse. Mas em vez de ter dar um beijo, eu vou ter dar um tapa. E então? Está sensibilizado com minha causa? Vai me acompanhar agora? Ou está com vontade que eu exploda? Os fins são nobres. Mas nem todos os fins devem justificar os meios. E isso não quero nunca cansar de repetir.

Pior ainda é notar que esses atos engajados têm ganhado ares de consagração. São como Araras Azuis em extinção. De tão raros, os poucos exemplares existentes ganham defensores de todas as partes. Então, ai de você se criticar tais atitudes. Quando menos perceber, seu novo apelido será reacionário. Ai que meda!

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags:

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 23/07/07 às 8h05 nas seções Atitude & Comportamento. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

2 Comentários para “Eu juro que queria muito entender”

  • Às 23..2007 08:31, Lord Audius escreveu:

    Uma semana, 50 e poucos corpos identificados, protestos em razão de pedir mais agilidade na identificação das vítimas. Mas como assim agilidade?!? Em respeito a dor alheia, não me permito continuar ácido daqui em diante no texto…

    Mais do que entendível a dor incomparável que cada um daqueles manifestantes está sofrendo, mas é um protesto pífio com objetivos tão pífios quanto.

    • Às 23..2007 13:45, Thiago de Góes escreveu:

      Parabéns pela capacidade de fazer aparecer coisas tão óbvias, mas que por algum motivo permanecem ocultas.

      (Obrigatório)
      (Não será publicado)
      Busca
      out 06

      Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

      set 18

      Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
      - Que bebê horrível!
      O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
      - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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