Você é norte-americano. Você mora numa cidade pequena, de certa forma inexpressiva para seu país. Você, como a maioria da população de seus país, recebe bem a figura de Madonna. Talvez nunca tenha comprado um disco dela, até porque não precisou já que suas canções não deixam as paradas de sucesso, mas, até por isso, sabe alguns de seus muitos refrões. Contudo, enquanto muitos desperdiçam algumas centenas de dólares para assistir a um show da popstar, você pode se dar ao luxo de uma vez por ano ter Madonna, por pelo menos 10 minutos, cantando na calçada de sua casa, ali, de graça, mandando beijos para você.
Falo de Madonna e sei que assim pareço fútil. Mas, se você é fã do Radiohead, como você se sentiria se o grupo assim procedesse em sua rua? E se em vez do Radiohead fosse… Paul McCartney?
Ontem, como já acontece há alguns anos, Ivete Sangalo, a, na minha opinião, maior popstar do Brasil, por alguns minutos cantou em algumas calçadas dos moradores de Lagoa Nova. Que já nem são tantos, afinal, e parece que só eu enxergo isso, já há alguns anos se trata de um bairro comercial e não residencial. Você pode achar isso uma idiotice. Mas vivemos numa democracia, ou, como gosto de insistir, ditadura da maioria. E nesta democracia a maioria não pensa como você. Mas não se desespere. Se servir de consolo, eu concordo contigo.
O texto em que o jovem escriba Carlos Fialho critica o Carnatal deve finalizar o evento com mais de trezentos comentários no site da Diginet. Mas, felizmente, a grande maioria está entendendo que se trata de uma piada que não poderia se desperdiçar. Eu particularmente duvido que o autor sinta tanto asco pelo evento como suas farpas parecem sentir. Mas a onda tem sido não levar com bom humor a situação. Há muita gente por aí fazendo inferno da festa, cobrando intervenção do Ministério Público, taxando de idiotas seus foliões e tudo que há de pior.
Por morar há 20 anos a 500 metros do Carnatal eu já pude acompanhar de perto todas as edições do evento realizadas ao largo do Machadão. E o que concluo dessa experiência é que a cidade cada vez mais sabe lidar com o mesmo. Se há quinze anos enfrentávamos engarrafamentos gigantescos na avenida Jaguarari, sexta-feira passada me peguei transitando sem problemas por suas ruas em horários considerados críticos. Se existem moradores que se incomodam com o barulho ou o tumulto, há muito mais moradores que se beneficiam de sua posição geográfica para reunir amigos, aproveitar o momento e se divertir, ou ainda para aproveitar a desculpa carnatalesca e curtir um fim de semana prolongado em alguma praia próxima. Se há empresas que precisam trancar as portas por conta do fechamento das ruas que pertencem ao percurso da festa, acreditem, reclamam miséria. Somadas as horas de interdição, não se tem sequer um dia útil completo. Basta descontar esta interdição trabalhando uma hora a mais durante 8 dias e já era.
Não sou de elogiar políticos, mas tenho me agradado com certas iniciativas do prefeito de Natal. Essa cidade tem como maior atração o calor. E acho uma bobagem não aproveitarmos ao máximo tudo que podemos tirar do verão (que por aqui começa em setembro e vai até abril). Para este período, a prefeitura já possui um calendário de atividades voltados a gregos e troianos e que se estende pelo menos até o feriado de 06 de janeiro. Nestes eventos temos desde encontro de escritores, festival de cinema e festival gastronômico ao… Carnatal! Sim, ele mesmo. Com muito mais grana investida que os outros três, mas porque é do interesse de muito mais gente. Lembram daquele papo de ditadura da maioria?
Eu realmente gostaria de ver um Carnatal ainda maior. Um Carnatal mais plural, que calasse a boca de tanto chato reclamão, que tivesse sim um trio com Ivete Sangalo e outro com Cavaleiros do Forró, mas que também tivesse um com Nação Zumbi, outro com Alceu Valença e outro com Monobloco. Um Carnatal com ainda mais segurança para evitar a presença de tanta gente mal intencionada, com campanha de consciência ambiental para evitar que se fizesse tanta sujeira na região e, no geral, mais responsável. Por isso desejo ao evento não que tenha um fim, mas sim amadureça cada vez mais.
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Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 2/12/07 às 11h22 nas seções Arte & Cultura, Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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você é o pêndulo de lucidez da nossa geração local. é sério, rs.
Caralho, Marlos!
Quanta sensatez, qunta argumentação bem fundamentada, quantas conclusões lógicas e geniais de tão óbvias.
Bicho, você acaba de entrar para o seleto grupo de pessoas mais inteligentes que conheço em Natal.
Ao seu lado estão Pablo Capistrano, Marcus Vinícius e Clodoaldo Damasceno.
Parabéns e mais uma vez obrigado por entender minhas piadas!
Engraçado ver o comentário de Fialho, pq semana passada quando mamãe esteve aqui em casa, a gente tava comentando dos nossos amigos, e eu disse extamente isso: da minha geração, do meu ciclo de amigos, Marlos é o cara mais inteligente que eu conheço. E olha que eu eu conheço muita gente boa por aí… mas NINGUÉM que argumente melhor que marlos!
Eu só odiava o Carnatal quando ele impraticava (existe essa palavra? :P) a vida da cidade. Hoje em dia eu só lembro dele pela TV e por comentários de amigos, pq como não gosto não vou! E acho ótimo ele existir tb, se tocasse bandas boas de rock, eu até comprava abadá ou ia pra um camarote!