Um homem chamado Geneton A hilária gravação do DVD de Marina Elali
dez 15

Tim Maia passou os últimos quatro anos de sua vida proibido de pisar os pés na Rede Globo. Não vou aqui exibir provas. Quem quiser procure nos arquivos da MTV e do SBT onde vi entrevistas suas à época (Jornal da MTV e Jô Onze e Meia) relatando que o motivo seria seu modo franco como lidava com as mídias. Sua argumentação causava risos.

Se não me engano, Tim Maia morreu num domingo. E na segunda-feira, entre seus programas, a Rede Globo divulgava o lançamento de uma coletânea com seus maiores sucessos com a marca da Som Livre.

Não gosto desse “manto da injustiça” que costumam jogar sobre artistas em geral. Tim Maia foi ladrão de carro, viciado em cocaína e por algumas vezes (mas nada que o fizesse merecer o título de “furão”) não honrou seus compromisso profissionais. Até mesmo a letra de “Vale Tudo”, lida ao pé dela, relata uma certa homofobia sua (quando diz que só não vale dançar homem com homem, nem mulher com mulher), mas isso já pode ser implicância minha. Nada disso é digno de aplauso. Muito pelo contrário. Mas ontem a noite, por bons minutos em horário nobre (que na TV é o equivalente a horas na vida real) aplaudiu-se este comportamento.

Também esta semana o Omelete relatou um show, segundo sua palavras, sensacional do grupo Instituto em homenagem a Tim Maia, onde eram executadas canções de seu álbum hoje cultuado “Racional”. Fiquei me perguntando o que Tim Maia, se vivo, estaria pensando disso. Este álbum fora gravado quando o mesmo fazia parte de uma seita religiosa da qual pouco tempo depois pulou fora. E especificamente este trabalho era renegado pelo artista que nunca mais quis saber de tais canções.

Eu gosto muito de Tim Maia. Desde sua fase com os camaradas Hyldon e Cassiano, passando por sua fase “Racional”, até sua fase final, onde sua maior intérprete era Sandra de Sá (e, vá lá, Marisa Monte também). Mas me impressiona como o síndico ganhou fãs com sua morte. Os roqueiros de dez anos atrás davam de ombros para sua discografia por preconceito para com sua fase brega onde seus maiores sucessos era compostos pela dupla Sulivam e Massadas. A Rede Globo hoje se pinta como a maior incentivadora do negão. E atitudes escrotas, como cancelar shows com a platéia já lotando o salão, viram lenda urbana.

A canção que dá nome ao novo álbum da Experiência Ápyus fala disso. “Eu quero morrer pra virar seu ídolo, quero morrer pra ser capa no seu jornal. Ser santificado no Globo Repórter, álbum da Som Livre, manchete da vez no Jornal Nacional. Serão perdoados todos os meus pecados, saindo da vida, entrando pra glória.”

Quem quiser escutar, basta apertar o play:

Escrito por Marlos Ápyus

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 15/12/07 às 10h30 nas seções Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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Um Comentário para “Eu quero morrer para virar seu ídolo”

  • Às 18..2007 21:27, Ulla escreveu:

    Ora, se não foi assim com tantos outros…kurt cobain, cazuza, jimmy hendrix? Fazendo merda e ganhando fama!
    Só quem foge à regra é Sandy…

    (Obrigatório)
    (Não será publicado)
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    out 06

    Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

    set 18

    Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
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