Fidel Castro está à beira da morte Uma lista muito louca!
jan 19

Eu sou a lenda (I am legend)

Ontem fui ao cinema conferir a estréia deste filme sem ter tido acesso a qualquer informação a respeito de sua trama. E o que posso dizer é que esta foi uma sábia decisão que transformou a experiência dentro da sala escura em única.

Pretendo voltar a escrever resenhas dos filmes que assisto. Para tanto, utilizarei um formato que, penso, deveria ser lei em publicações do gênero: dividirei a resenha em duas partes. A primeira é para quem ainda não viu o filme, onde buscarei entregar apenas um pouco da trama. A segunda será direcionada àqueles que já o assistiram. E assim, portanto, me permitirei tecer comentários com os mais variados spoilers.

Parte I - Para quem ainda não viu o filme

“Eu sou a lenda”, por mais que o tenham vendido como um filme de ação, se trata de fato de um drama. Mas um drama daqueles que prende a respiração, cheio de suspense, que não entrega fácil o enredo, gerando assim uma constante sede de curiosidade da parte do espectador para conseguir respostas que o ajude a montar o quebra-cabeças que nos é jogado. Will Smith continua sua batalha pelo primeiro Oscar se entregando a mais um personagem forte, o que faz mais uma vez com maestria. Mas ainda não deve ser desta vez. Nada que o tempo não resolva. A trilha sonora é contida, abusando dos silêncios para amarrar ainda mais nossa atenção nos detalhes tanto das cenas abertas, como das fechadas. E são bastantes detalhes. Grande parte da história é contada pelos objetos dispostos no ambiente. Portanto, muita atenção e pouca preguiça para pensar, visto que o roteiro está julgando que você é uma pessoa inteligente que não precisa de legenda para entender as mais de mil palavras que valem uma imagem. A direção de Francis Lawrence levou bem o ótimo roteiro de Akiva Goldsman e Mark Protosevich. Pena que o final desejado por eles não fora aceito por motivos comerciais, mas é algo que deve vir como extras no DVD, visto que fora filmado e um por um bom tempo se pensou em lançar ambos em tela.

Parte II - Para quem já viu o filme

“Eu sou a lenda” lembrou-me bastante dois outros sucessos de alguns poucos anos atrás: Náufrago e Sinais. Do primeiro, temos a presença em tela durante mais de sua metade de um único personagem tentando sobreviver numa ilha (quase) deserta. Se Tom Hanks, para evitar a loucura, se apegou a uma bola de voley, Will Smith aniquila sua solidão com uma cadela e manequins. Já do segundo, basta substituir os zumbis de Nova York pelos extra-terrestres, e a esposa e o filho que morrem em um acidente de helicóptero pela mulher do reverendo que fora atropelada. O final, quando Will Smith lembra-se do filho falando das asas da borboleta, parece ter sido um plágio descarado da cena em que Mel Gibson lembra de sua esposa, à beira da morte, mandando que o mesmo “rebatesse”.

Apesar de o longa buscar responder a todos os questionamentos de forma sucinta, penso que algumas questões passaram batidas (mas não descarto a possibilidade de não ter havido de minha parte um reconhecimento). Por exemplo, até o momento não sei de onde vieram os veados e os leões que percorriam Nova York. Um zoológico, talvez? Assim como não me desceu bem a justificativa católica para o final. Durante 80% do roteiro a fé sequer é citada ou questionada. E, já no final, quando surge, é para justificá-lo. Ficou estranho, sem sentido.

Na hora não reconheci, mas é bastante prazeroso ver bons atores brasileiros finalmente se dando bem em Hollywood. Para quem não sabia, a paulista que surge no final do filme é realmente paulista. Mas provavelmente vocês já a viram passeando pelas praias cariocas em Cidade de Deus. Trata-se da atriz Alice Braga, que se deu tão bem ao ponto de já ter amarrado outras duas produções gringas. Uma com Rodrigo Santoro, e outra com Jude Law. É brincadeira?

Fica a dica. É um ótimo filme, destes que estão bem acima da média que costuma estreira como arrasa-quarteirão.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: , , , , , ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 19/01/08 às 13h54 nas seções Arte & Cultura. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.

Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

8 Comentários para “Eu sou a lenda (I am legend)”

  • Às 19..2008 17:09, foca escreveu:

    muito bom, vi em casa baixado!

    • Às 19..2008 19:54, DoSol » Blog Archive » LEIA AGORA… escreveu:

      [...] nosso web designer Marlos Ápyus dando resenhando “I am Legend”, filme novo do Will Smith. Dica boa de filme nesse final de [...]

      • Às 21..2008 09:28, patrício jr escreveu:

        eu tb naum sabia nada da trama. e comecei a ficar tenso qdo ela se revelou. caraca, bom demais!

        • Às 21..2008 18:35, Tamara escreveu:

          A Isabela Boscov, da Veja, devia aprender isso. Depois de ler uma resenha dela, não resta mais nada a ver no filme!
          Pelo tamanho do embrulho q o filme me causou, só posso julgá-lo muito bem feito. E q o Will Smith merece o Oscar (mesmo sem saber quem são os outros concorrentes, hehe). Mas, ou eu não entendi bem, ou a justificativa foi meio forçada, não me convenceu.

          • Às 21..2008 21:37, Ana Morena escreveu:

            Eu achei o filme excelente, mas acho que, ao contrário de Sinais, a trama foi resolvida muito rapidamente, sem nos preparar, a menina aparece e logo o filme acaba. Por isso parece forçado. Acho que o argumento é bom, só foi mal finalizado, ou finalizado às pressas.

            • Às 21..2008 22:04, Levino escreveu:

              concordo com ana, o argumento é foda de bom. o foda é que ele caga tudo com retórica cristã enviezada com bob marley.

              • Às 22..2008 13:53, Juao_Ak escreveu:

                Doido pra ve ro filme
                e mais entusiasmado ainda após a resenha!
                congratulations!

                • Às 26..2008 16:29, Lord Audius escreveu:

                  Detalhes que me deixaram boiando:

                  1) Que diabos tem a ver ele jogar aquele liquido na porta de casa;
                  2) Como a fulana chegou ali - de carro - se a ilha estava isolada…

                  Afora isso, retóricas a parte (que cisma, hein ?!?), um bom filme para assistir com as crianças, num por de sol qualquer, enquanto night seekers rondam famintos pelo planalto central…

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                  out 06

                  Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

                  set 18

                  Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
                  - Que bebê horrível!
                  O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
                  - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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