
Ontem fui ao cinema conferir a estréia deste filme sem ter tido acesso a qualquer informação a respeito de sua trama. E o que posso dizer é que esta foi uma sábia decisão que transformou a experiência dentro da sala escura em única.
Pretendo voltar a escrever resenhas dos filmes que assisto. Para tanto, utilizarei um formato que, penso, deveria ser lei em publicações do gênero: dividirei a resenha em duas partes. A primeira é para quem ainda não viu o filme, onde buscarei entregar apenas um pouco da trama. A segunda será direcionada àqueles que já o assistiram. E assim, portanto, me permitirei tecer comentários com os mais variados spoilers.
Parte I - Para quem ainda não viu o filme
“Eu sou a lenda”, por mais que o tenham vendido como um filme de ação, se trata de fato de um drama. Mas um drama daqueles que prende a respiração, cheio de suspense, que não entrega fácil o enredo, gerando assim uma constante sede de curiosidade da parte do espectador para conseguir respostas que o ajude a montar o quebra-cabeças que nos é jogado. Will Smith continua sua batalha pelo primeiro Oscar se entregando a mais um personagem forte, o que faz mais uma vez com maestria. Mas ainda não deve ser desta vez. Nada que o tempo não resolva. A trilha sonora é contida, abusando dos silêncios para amarrar ainda mais nossa atenção nos detalhes tanto das cenas abertas, como das fechadas. E são bastantes detalhes. Grande parte da história é contada pelos objetos dispostos no ambiente. Portanto, muita atenção e pouca preguiça para pensar, visto que o roteiro está julgando que você é uma pessoa inteligente que não precisa de legenda para entender as mais de mil palavras que valem uma imagem. A direção de Francis Lawrence levou bem o ótimo roteiro de Akiva Goldsman e Mark Protosevich. Pena que o final desejado por eles não fora aceito por motivos comerciais, mas é algo que deve vir como extras no DVD, visto que fora filmado e um por um bom tempo se pensou em lançar ambos em tela.
Parte II - Para quem já viu o filme
“Eu sou a lenda” lembrou-me bastante dois outros sucessos de alguns poucos anos atrás: Náufrago e Sinais. Do primeiro, temos a presença em tela durante mais de sua metade de um único personagem tentando sobreviver numa ilha (quase) deserta. Se Tom Hanks, para evitar a loucura, se apegou a uma bola de voley, Will Smith aniquila sua solidão com uma cadela e manequins. Já do segundo, basta substituir os zumbis de Nova York pelos extra-terrestres, e a esposa e o filho que morrem em um acidente de helicóptero pela mulher do reverendo que fora atropelada. O final, quando Will Smith lembra-se do filho falando das asas da borboleta, parece ter sido um plágio descarado da cena em que Mel Gibson lembra de sua esposa, à beira da morte, mandando que o mesmo “rebatesse”.
Apesar de o longa buscar responder a todos os questionamentos de forma sucinta, penso que algumas questões passaram batidas (mas não descarto a possibilidade de não ter havido de minha parte um reconhecimento). Por exemplo, até o momento não sei de onde vieram os veados e os leões que percorriam Nova York. Um zoológico, talvez? Assim como não me desceu bem a justificativa católica para o final. Durante 80% do roteiro a fé sequer é citada ou questionada. E, já no final, quando surge, é para justificá-lo. Ficou estranho, sem sentido.
Na hora não reconheci, mas é bastante prazeroso ver bons atores brasileiros finalmente se dando bem em Hollywood. Para quem não sabia, a paulista que surge no final do filme é realmente paulista. Mas provavelmente vocês já a viram passeando pelas praias cariocas em Cidade de Deus. Trata-se da atriz Alice Braga, que se deu tão bem ao ponto de já ter amarrado outras duas produções gringas. Uma com Rodrigo Santoro, e outra com Jude Law. É brincadeira?
Fica a dica. É um ótimo filme, destes que estão bem acima da média que costuma estreira como arrasa-quarteirão.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 19/01/08 às 13h54 nas seções Arte & Cultura. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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muito bom, vi em casa baixado!
[...] nosso web designer Marlos Ápyus dando resenhando “I am Legend”, filme novo do Will Smith. Dica boa de filme nesse final de [...]
eu tb naum sabia nada da trama. e comecei a ficar tenso qdo ela se revelou. caraca, bom demais!
A Isabela Boscov, da Veja, devia aprender isso. Depois de ler uma resenha dela, não resta mais nada a ver no filme!
Pelo tamanho do embrulho q o filme me causou, só posso julgá-lo muito bem feito. E q o Will Smith merece o Oscar (mesmo sem saber quem são os outros concorrentes, hehe). Mas, ou eu não entendi bem, ou a justificativa foi meio forçada, não me convenceu.
Eu achei o filme excelente, mas acho que, ao contrário de Sinais, a trama foi resolvida muito rapidamente, sem nos preparar, a menina aparece e logo o filme acaba. Por isso parece forçado. Acho que o argumento é bom, só foi mal finalizado, ou finalizado às pressas.
concordo com ana, o argumento é foda de bom. o foda é que ele caga tudo com retórica cristã enviezada com bob marley.
Doido pra ve ro filme
e mais entusiasmado ainda após a resenha!
congratulations!
Detalhes que me deixaram boiando:
1) Que diabos tem a ver ele jogar aquele liquido na porta de casa;
2) Como a fulana chegou ali - de carro - se a ilha estava isolada…
Afora isso, retóricas a parte (que cisma, hein ?!?), um bom filme para assistir com as crianças, num por de sol qualquer, enquanto night seekers rondam famintos pelo planalto central…