Eu
No geral, sinto que sou um defensor da liberdade, desde que essa liberdade não interfira na liberdade de terceiros. Assim como no geral me vejo contra a fé no sentido amplo da palavra, ou seja, contra toda admiração e fidelidade sem bases racionais.
Sou devoto do “não concordo com uma única palavra do que dizes, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-la”. Contudo, não me vejo na obrigação de ouvi-las. Grite-as se quiser, só não me tire o direito de usar meus headphones. Mas pode ficar tranqüilo: desde que elas não sejam pura fé, provavelmente terei paciência para escutá-las, concordando ou não.
Como todo bom universitário, em poucos meses me vi entretido com as movimentações estudantis. Nada muito ativo. Normalmente estava ali ao lado observando a argumentação, ou a falta dela. A simpatia com a esquerda era inevitável. Anos e anos de domínio direitista, e um Brasil que só ia para trás: não havia outro jeito. Contudo, tal simpatia ganhou ares de antipatia quando por um breve momento tentei me tornar ativo.
Minha versão dos fatos me mostraria como senhor da questão, portanto não cabe colocá-las aqui vide minha parcialidade. O que posso dizer é que meu modus operandi não se afinava com o que cantava meus companheiros, fossem eles de banda, de estudo, de centro acadêmico, de papo-furado na mesa do bar. Eles gritavam “rock”, e eu questionava o que mal havia no pop. Eles gritavam “ovo no ministro da educação”, e eu não entendia que mal havia o diálogo. Eles gritavam “fora o imperialismo norte-americano” e eu perguntava se eles fossem norte-americanos não estariam orgulhosos de sua nação.
E aí nasceu a primeira faísca. Quem era eu para questionar tais dogmas? Raul Seixas, Bob Marley, Che Guevara, Fidel Castro, Lula, Caros Amigos, Hugo Chavez, Marx, Ramones, ou se ama ou é reacionário. Veja, Globo, EUA, Microsoft, ou se odeia ou também é reacionário. Fórmula simples. Nada de meio-termos. E tudo que queria, juro, era entender ambos os lados antes de tomar qualquer partido.
Abandonei de vez a esquerda quando, já próximo de minha formatura, notei o quanto cega era fé que muitos companheiros nela punham. Como um católico que diz amar a Deus e ignora o passado de jogos sujos e trapaças da Igreja, agiam tais militantes defendendo as bandeiras vermelhas, as foices, os martelos, ignorando Cuba, China, União Soviética, e mais recentemente os fatos do Brasil de Lula e a Venezuela de Hugo. Como já relatei em texto certa vez, mais pareciam torcedores de futebol: não importava o quanto seu time jogava mal, desde que a vitória viesse, os fins justificavam os meios.
Não dá. Política é coisa muito mais séria. Não dá para brincar de super-herói. Super Castro contra o Capitalismo. Super Lula contra o Baixo Astral. Não dá mesmo.
Hoje sou contra a esquerda. O que está longe de querer dizer que sou a favor da direita. Mas pinço em ambas objetivos e tomo-os como meus. De uma trago o voto pela educação, principalmente a educação de base. Da outra venho com a defesa do mercado cada vez mais livre, e a interferência cada vez menor do estado na vida de cada um de nós. Sou contra todo e qualquer ato de tirania, venha ele de onde vier, tenha ele o melhor dos objetivos. Contudo, sou a favor de que pequenos sacrifícios sejam feitos em prol da evolução. Como cortes de gastos que geram demissões, atualizações tecnológicas que extinguem profissões, mudanças de postura que apertem a curto prazo, desde que a longo tragam um pomposo benefício.
Não creio em nada gratuito (a partir da tese de que algo gratuito para alguém custou caro) assim como não acho pecado querer ser compensado por qualquer ação minha. Portanto, o título de mercenário me incomoda tanto quanto o peso de uma folha de papel. Venho buscando seguir meu caminho corretamente para ter mais moral na hora de exigir o bom trato para comigo. Ainda uso software pirata, mas já venho tentado declarar meu imposto corretamente. Não jogo lixo no chão, devolvo o troco se vem a mais, não mato aula, não vendo meu voto.
Sou a favor da legalização do uso e comércio de entorpecentes não por ter vontade de ficar chapado, mas por acreditar que todo ser humano deve ter a liberdade de meter no próprio cérebro o que quiser. Até mesmo uma bala. E aí me vejo a favor do suicídio. Da eutanásia. Acho que a mulher deve ter a liberdade de decidir quanto ao próprio futuro, e aí me vejo a favor do aborto para todo e qualquer caso, independente de estupro ou deformação fetal.
Sou a favor do casamento gay por achar que todo ser vivo deve ter o direito de se unir com todo e qualquer ser vivo que melhor entender, desde que a intenção seja mútua. Sou contra as cotas raciais em qualquer âmbito por entender que o problema no Brasil não é de ordem racial, mas sim social.
Sonho com o dia em que seres humanos serão julgados não por sua idade, mas por seu caráter e competência. Assim sendo, defendo que limites sejam impostos ao povo baseados na sua escolaridade e na sua experiência profissional. Por exemplo: só deveria poder dirigir cidadãos com pelo menos primeiro grau completo. Votar? Para vereador, prefeito e deputados estaduais, segundo grau completo. Para governador, senador, deputados federais, no mínimo terceiro grau, e no caso de presidente, terceiro grau completo. Para se candidatar a qualquer cargo político, o candidato deveria ter no mínimo uma especialização, assim como deveria passar por uma bateria de provas de alto nível filtrando assim candidatos que nenhum talento têm para política, além da habilidade de angariar votos. Muitos direitos morreriam aí, eu sei, mas são esses os tais sacrifícios citados anteriormente, pois assim, creio, estimula-se a educação em todos os âmbitos.
Não tenho nenhuma religião. Não gosto de nenhuma religião. Cristianismo, Judaísmo, Budismo, etc, tudo bobagem sem sentido feita para responder perguntas sem respostas. Todos devem ser livres para seguir a religião que melhor lhe acolher, assim como eu devo ser livre para achar tudo isso um dos maiores motivos de nosso atraso como seres humanos. Creio nos seres humanos acima de qualquer coisa, para o bem e para o mal. Creio na capacidade do homem de fazer o bem, assim como creio na capacidade do homem de fazer o mal. Confesso: creio bem mais nesta segunda capacidade.
Não tenho time de futebol, mas acho o esporte divertido e o acompanho vez em quando. Gosto de esportes em geral, mais de acompanhar e discutir, menos de praticar. Gosto muito de trabalhar, sou mais fã da prática do que da teoria. Não pela teoria em si, mas pela mania da maioria dos teóricos de quererem viver num universo paralelo à realidade.
Gosto de rock, mas não gosto de roqueiro. Gosto de cinema, mas não gosto de cinéfilo. Gosto de informática, e até gosto de alguns nerds. Costumo odiar indies. Leio pouco livros, muito jornais. Odeio homens. Gosto de mulher, sempre me entendi bem melhor com elas. Sou feminino, mas não sou homossexual. Admito meus sentimentos e busco quase sempre seguir a verdade. Não desejo mal a quase ninguém.
Creio na amizade, no amor e no bom senso. E nas frases piegas.
Espero ter deixado tudo um pouco mais claro.


Boa tarde,
Vc trabalha com implantação de Os commerce, pag seguro etc?
no aguardo
obg
Amigo, infelizmente não faço não. Se tiver em Nata, procura alguém da Rits ou da Diginet que o pessoal lá é firmeza.
como se sente com tõa pouco tempo de fama.