Os desastres aéreos ocorridos nos últimos dez meses, não há como negar, são para lá de lamentáveis. O caos aéreo realmente existe no Brasil e não é fruto do crescimento do país, mas sim da falta de planejamento de um governo que só pensa no máximo no amanhã, e não no depois de amanhã. Mas, mais do que nunca, a imprensa tem que encontrar seu papel no meio de todo este tiroteio.
Antes de qualquer coisa, William Bonner não possui qualquer moral para concluir o diagnóstico do acidente. Apesar dos dribles e firulas que deu com as palavras, seu tom de voz culpou sim a TAM pelo acidente usando como motivo a falha nos reversores. Um dia antes, culpara ele o aeroporto de Congonhas e sua falta de Grooving. O estrago foi tão grande que até campanha pelo não uso do aeroporto já existe. No caso “TAM”, buscou-se especialistas e praticamente todos foram enfáticos ao dizer que apenas o problema nos reversores não causariam aquele acidente e provavelmente houve um conjunto de fatores para se chegar à tragédia. Mas, no final das contas, até a perícia voltar dos Estados Unidos com o resultado da caixa preta, tudo não passará de mera expeculação.
Para completar o festival de forçadas de barra, um paparazzi capturou numa janela indiscreta um gesto que deixaria imóvel qualquer brasileiro se estimulado a atirar a primeira pedra caso jamais o tivesse feito. O PSDB, numa papel ridículo e meio, chegou a pedir a demissão do mesmo. Tudo bem que há situações e situações. Com certeza não caberia a uma pessoa de sua patente agir de tal forma em uma solenidade. Mas o dito cujo estava em seu escritório acompanhando o noticiário. Errado naquela situação estava o câmera, que capturava imagens que, acreditava o culpado, faziam parte de sua intimidade.
O Noblat, que é uma cara do qual sou muito fã, pisou na bola e comemorou a pisada de bola do Marco Aurélio definindo o acontecido como “Imperdível” em seu blog. E desta vez não foi em seu escritório, mas na publicação que lhe garante o pão.
O problema não é querer ir à fundo nas reportagens. Pelo contrário, isso é ótimo. O problema é fazer tal aprofundamento com um rigor tão conservador que me fez jurar estar diante não de jornalistas bem informados, mas de senhoras beatas que se horrorizam ao ouvir qualquer palavrão mais bobo. Por isso, não vejo outra expressão melhor para concluir este breve desabafo: buceta arrombada!
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 21/07/07 às 13h08 nas seções Política & Economia. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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Que esta em crise isso está, mas tambem não podemos culpar somente o governo sobre isso…essa ultima semana realmente foi um saco de assistir os jornais. Quem eu gosto muito é o Luiz Carlos Azenha ele escreveu algo bem interessante no “Vi o Mundo”
segue o link:
http://viomundo.globo.com/site.php?nome=Bizarro&edicao=1061
Apesar se der da globo a opinião dele diverge e muito do que é batido 24/7 nos telejornais. Vale a pena conferir
Já viajei muito de avião. Coisas que não me lembro:
1) de ter pego avião no horário correto;
2) de ter chegado em meu destino no horário correto;
3) de ter sido encaminhado pra hotel por conta de atrasos, a ponto de passar a madrugada de um natal sentado em um aeroporto no meio do caminho porque a aeronave deu pane e não havia previsão de se arranjar outra. A ponto de mofar em aeroporto por conta que “São Paulo estava sem teto pra decolar”;
4) de ter pousado em Congonhas sem que alguma cagada tivesse acontecido (morro de medo daquilo, mas é só frescura, admito);
5) de nunca deixar de ter sofrido muitas dessas mazelas que aparentemente são novidades noticiadas pelo Bonner & cia.
Iapois ?!? Queria entender essa pinimba maquinada pela imprensa diante de todos esses problemas curiosamente surgidos apenas após a primeira tragédia. Parece um circo… A Globo instiga, e o povo não pode ver uma câmera por perto pra começar a gritar em saguão de aeroporto. Chamar de rídiculo seria pouco. Chegam até ao ridiculo de fazer inferno se o problema ocorre por conta de clima, névoa e similares.
Achei lamentável a atitude do Bonner “solucionando” de uma vez a questão, em tom de alarme, quando soube que o avião estava com problemas no reverso. Daí se fez côro unissono. A abordagem mais racional veio do blog do Josias dando justificativas técnicas esclarecendo que reverso é tão somente para ser usado em casos extremos e, ainda assim, só representam 20% da capacidade de frenagem de um avião daquela porte.
Ainda há muito a ser elucidado. Que faltam investimentos, isso é nítido. Mesmo o PAC só destina 1/3 do que o setor precisa pra se recuperar. Agora tentar responsabilizar tudo isso por conta de um top-top de ministro, fala sério !!!
Apyus, discordo numa coisa: Marco Aurélio Garcia não estava “no seu escritório” e nem foi flagrado por uma câmera indecente. Ele estava numa repartição pública (e entenda-se pública como sendo do cidadão e exposta a qualquer tipo de transparência), é uma pessoa pública (no sentido de conhecida e importante no meio político, portanto passível de ter qualquer coisa de sua vida aberta a serviço da mesma transparência do primeiro sentido da palavra). Portanto: o prédio é público, o espaço é público, o funcionário é público e janela aberta torna as coisas públicas. A reação dele é em último grau compreensível, humana até, eu diria, mesmo assim um agente público não tem o direito de portar-se de tal forma, é o que o pulha do Sarney chama de ritualística do cargo (talvez a única coisa que concorde com ele em toda a sua história). O problema é que a Globo, em guerra com o governo, decidiu fazer estardalhaço em cima do caso muito mais para tirar proveito político da questão do que em defesa das vítimas e parentes do acidente. O que rebaixa a discussão a níveis magmáticos. Cada um fazendo a maior merda possível em prol do seu interesse. Marco Aurélio comemora a tirada da reta do governo no caso, já que a notícia era de que provavelmente o problema era com a TAM, e a Globo comemora o deslize para faturar alto contra o governo. O país é que é um avião desgovernado. estamos perdidos.
…perdidos e em rítmo de colisão iminente.
Era isso que eu ia dizer. Funcionários de grandes empresas podem ser filmados e ter seus e-mails vasculhados pela empresa, porque ela é quem lhes paga o salário.
Então porque um homem público não pode ser filmado num ambiente público? Quem paga o salário dele não é o povo? Então que o povo possa filmá-lo.