A impressão sobre qualquer trabalho, entre outros pontos, muitas vezes é fruto inverso da expectativa para com ele criada. É mais fácil a decepção vir àqueles os quais se espera muito do que àqueles que pouco despertam interesse. E um dos maiores (dos poucos) erros de Patrício Júnior ao estrear enquanto escriba em Lítio (Jovens Escribas - 2005) surgiu ao não saber lidar com a expectativa. Na ânsia por chamar a atenção para seu trabalho - evitando assim um possível fiasco em seu lançamento - exagerou nos auto-adjetivos fazendo com que seus leitores, ao folhear suas páginas, esperassem algo que nem sempre se sente quando não se é íntimo da obra como o é seu próprio autor. Uma sentença que possivelmente tenha feito o escritor chorar não impede o riso no olhar menos avisado. E é aqui que mora o perigo.
Cru, polêmico e indigesto… Assim se definia Lítio em sua campanha de divulgação. De fato há algo cru em suas palavras pedindo uma chama que não mais virá; de fato há uma certa polêmica nas opiniões emitidas; e de fato a indigestão pode até vir para quem ainda não se acostumou com os choques diários de realidade publicadas na esquina mais próxima. Mas se a propaganda soa enganosa (ou equivocada), esconde ela uma qualidade bem mais interessante que a tríade tão repetida quando de seu lançamento (e que toma a frente do romance): a reflexão. Lítio, reflexivo como poucos, a todo momento convida o leitor a conversar a respeito dos mais variados temas como amor, ódio, tristeza, alegria, drogas, caretice, família, rock, pop, mídia e alguns etecéteras. Isso se dá de tal forma que o enredo apenas trabalha como plano de fundo para este diálogo entre consumidor e consumido.
A história possui três personagens básicos: o suicida, que horas antes de se matar resolve desabafar em uma ligação a um centro de valorização à vida, a atendente deste centro, e o próprio Patrício Júnior, que em vários momentos aparece em primeira pessoa relatando como estão seus sentimentos ao escrever tais palavras, numa espécie de reality book. Há que se elogiar a inventividade do autor ao tentar fugir do lugar comum e dos tiros certeiros, evitando assim que se torne previsível qualquer virar de página. E, pode se perceber, a cada capítulo é trabalhada alguma boa sacada de forma a fazer desta uma obra especial. As referências pop são quase todas pra lá de interessantes, bem escolhidas e convenientes. Contudo, como era de se esperar em um romance de estréia, uma ou outra (sacada ou referência) soa exagerada, nascendo assim belas “viagens na maionese”. Porém, nada que desmereça o produto.
O que torna Lítio ainda melhor é o fato de ter nascido dentro de um belo “movimento” literário, encabeçado pelo próprio Patrício Júnior, ao lado dos publicitários Carlos Fialho e Daniel Minchonni, e que já conta com a participação de pelo menos outras 50 cabeças Brasil a fora: os Jovens Escribas. O objetivo dos JEs é renovar o comunicar, estimulando a feitura e publicação de escritos da parte das mentes vinte-e-poucos-anos destes anos dois mil, mostrando que a geração internet não só também acredita, como têm cacife para pôr suas palavras no papel. Para 2006, o projeto pretende lançar pelo menos mais cinco trabalhos em solo potiguar. A este tipo de iniciativa só cabem elogios.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 5/01/06 às 8h38 nas seções Arte & Cultura, Resenhas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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eu levei na brincadeira os exageros da divulga��o. talvez por isso nao tenha me decepcionado nem um pouco. gostei muito do livro, mesmo c os excessos de inova��o. muita coisa ao mesmo tempo, eu achei.
tamara
jah q nao tenho acesso ao livro alguem me explica o titulo? algo a ver com antidepressivos?
Oi, Analu,
Antes de ler o livro, perguntei isso ao aujtor e ele me respondeu assim: “� porqu� deste t�tulo � revelado nas �ltimas p�ginas, ent�o � legal n�o contar.” T� j�ia, gatinha? Beijo
hehehe, entao manda o livro, po!
valeu marlitos! bjao