Jane Fonda - Esses Dias Não Irão Para a História A Nível De
jan 05

A impressão sobre qualquer trabalho, entre outros pontos, muitas vezes é fruto inverso da expectativa para com ele criada. É mais fácil a decepção vir àqueles os quais se espera muito do que àqueles que pouco despertam interesse. E um dos maiores (dos poucos) erros de Patrício Júnior ao estrear enquanto escriba em Lítio (Jovens Escribas - 2005) surgiu ao não saber lidar com a expectativa. Na ânsia por chamar a atenção para seu trabalho - evitando assim um possível fiasco em seu lançamento - exagerou nos auto-adjetivos fazendo com que seus leitores, ao folhear suas páginas, esperassem algo que nem sempre se sente quando não se é íntimo da obra como o é seu próprio autor. Uma sentença que possivelmente tenha feito o escritor chorar não impede o riso no olhar menos avisado. E é aqui que mora o perigo.

Cru, polêmico e indigesto… Assim se definia Lítio em sua campanha de divulgação. De fato há algo cru em suas palavras pedindo uma chama que não mais virá; de fato há uma certa polêmica nas opiniões emitidas; e de fato a indigestão pode até vir para quem ainda não se acostumou com os choques diários de realidade publicadas na esquina mais próxima. Mas se a propaganda soa enganosa (ou equivocada), esconde ela uma qualidade bem mais interessante que a tríade tão repetida quando de seu lançamento (e que toma a frente do romance): a reflexão. Lítio, reflexivo como poucos, a todo momento convida o leitor a conversar a respeito dos mais variados temas como amor, ódio, tristeza, alegria, drogas, caretice, família, rock, pop, mídia e alguns etecéteras. Isso se dá de tal forma que o enredo apenas trabalha como plano de fundo para este diálogo entre consumidor e consumido.

A história possui três personagens básicos: o suicida, que horas antes de se matar resolve desabafar em uma ligação a um centro de valorização à vida, a atendente deste centro, e o próprio Patrício Júnior, que em vários momentos aparece em primeira pessoa relatando como estão seus sentimentos ao escrever tais palavras, numa espécie de reality book. Há que se elogiar a inventividade do autor ao tentar fugir do lugar comum e dos tiros certeiros, evitando assim que se torne previsível qualquer virar de página. E, pode se perceber, a cada capítulo é trabalhada alguma boa sacada de forma a fazer desta uma obra especial. As referências pop são quase todas pra lá de interessantes, bem escolhidas e convenientes. Contudo, como era de se esperar em um romance de estréia, uma ou outra (sacada ou referência) soa exagerada, nascendo assim belas “viagens na maionese”. Porém, nada que desmereça o produto.

O que torna Lítio ainda melhor é o fato de ter nascido dentro de um belo “movimento” literário, encabeçado pelo próprio Patrício Júnior, ao lado dos publicitários Carlos Fialho e Daniel Minchonni, e que já conta com a participação de pelo menos outras 50 cabeças Brasil a fora: os Jovens Escribas. O objetivo dos JEs é renovar o comunicar, estimulando a feitura e publicação de escritos da parte das mentes vinte-e-poucos-anos destes anos dois mil, mostrando que a geração internet não só também acredita, como têm cacife para pôr suas palavras no papel. Para 2006, o projeto pretende lançar pelo menos mais cinco trabalhos em solo potiguar. A este tipo de iniciativa só cabem elogios.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: , ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 5/01/06 às 8h38 nas seções Arte & Cultura, Resenhas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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4 Comentários para “Lítio - Patrício Júnior”

  • Às 05..2006 19:07, Anonymous escreveu:

    eu levei na brincadeira os exageros da divulga��o. talvez por isso nao tenha me decepcionado nem um pouco. gostei muito do livro, mesmo c os excessos de inova��o. muita coisa ao mesmo tempo, eu achei.

    tamara

    • Às 06..2006 02:43, analu escreveu:

      jah q nao tenho acesso ao livro alguem me explica o titulo? algo a ver com antidepressivos?

      • Às 06..2006 21:30, Marlos Ápyus escreveu:

        Oi, Analu,

        Antes de ler o livro, perguntei isso ao aujtor e ele me respondeu assim: “� porqu� deste t�tulo � revelado nas �ltimas p�ginas, ent�o � legal n�o contar.” T� j�ia, gatinha? Beijo :P

        • Às 11..2006 03:58, analu escreveu:

          hehehe, entao manda o livro, po! ;)
          valeu marlitos! bjao

          (Obrigatório)
          (Não será publicado)
          Busca
          out 06

          Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

          set 18

          Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
          - Que bebê horrível!
          O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
          - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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