Blogar é preciso! Delirium - Capítulo VII
dez 27

- Alô?
- Já chegou?
- Já.
- Não estou te vendo.
- Vou levantar o braço.
- Ah! Achei.

* * *

- Que espelunca, hein?
- Quem é você?!
- Como assim? Eu não sou o Modrack?
- Claro que não! Cadê o Modrack? Por que você atendeu o celular dele? Estas roupas são dele?
- Quer dizer que eu não sou o Modrack?
- Você é louco? Quem é você?
- Ih! Senta que lá vem história!

* * *

- Foi quando o celular tocou e era você.
- Você e o Modrack estão aprontando, né? História mais maluca! Mulher morta, absinto, pingente…
- Eu bem queria que estivéssemos.

* * *

- Val, traz aqueles bolinhos de carne-de-sol que o rapaz está com fome.
- Aquele que parece dois “ovo” de boi?
- Esse!

* * *

- O mais estranho é que o porteiro te chamou de Modrack.
- Deve ter confundido.
- Sem chance. Olha o tamanho das roupas. O Modrack tem três vezes o seu peso.
- E também te confundiu com a garota morta. Quer dizer… eu acho. Mas, de fato, vocês se parecem.
- Bom, EU estou viva.

* * *

- Pronto. Se não matar a fome com isto, nada mais mata.
- Obrigado. Estava faminto. Sei nem há quanto tempo não como.
- Como falei, né? São praticamente dois “ovo” de boi…
- Dá licença, Val!!!

* * *

- Há muita incoerência nisto tudo.
- Jura?
- Você disse que acordou quatro da manhã numa metrópole fria?
- Isso.
- Saiu e voltou ao prédio, ouviu passos e, do nada, acordou ainda na rua.
- Estava tonto. Acho que sonhei com os passos. Digo, acho que nunca voltei ao quarto. Não sei se estava acordado.
- Mas quando te liguei já eram cinco da tarde.
- Da tarde?
- Sim. Há duas horas. Não lembra? E você estava no centro de Natal, pouco metrópole, nada fria.
- Caramba! Mas era manhã quando acordei. O trânsito era de cinco da manhã.
- Bom, há um hiato de doze horas aí. E outra: onde está seu cinto?
- Então não foi sonho. Eu realmente voltei ao quarto, ouvi passos e retirei o cinto pra me defender.
- E depois?
- Não sei. Só lembro do vômito, da calçada e do negão repetindo as mesmas coisas.
- Você pode ter desacordado e voltado doze horas depois.
- Ou me desacordaram.
- E essa história de metrópole?
- Não faço a mínima idéia!

* * *

- E quem é Modrack?
- É difícil de explicar.
- O que faz da vida?
- Trabalha com turismo. Traz gringos pro Nordeste. Um mais lindo que o outro. Se eu não devesse favores a ele…
- Favores?!
- Calma lá. Estamos aqui pra descobrir quem é VOCÊ. Não quem sou eu.

* * *

- Nada?
- Nada, nada.
- Certeza? Qual seu esporte preferido?
- Não sei.
- Comida predileta?
- Com certeza não é este bolinho.

* * *

- Seu sotaque lembra o de Recife. Você chia nos pluraisss!
- Pluraisss?

* * *

- Ninguém atende.
- Tentou algum parente?
- Só sobrou o celular, mas está contigo.

* * *

- Estou preocupada! O pior é que nem à polícia eu posso ir.
- Por quê?
- Quem é você mesmo?
- Não sei.
- Então não digo.

* * *

- Está tarde. A banda já vai começar. É melhor fugirmos. O som daqui só não é pior que a sinuca.
- Jane Fonda não era uma pintora?
- Realmente sua memória tem problemas. Val, traz a conta!

* * *

- Val! A conta!

* * *

- Val!!! A conta sai ou não sai?

* * *

- Aleluia!

* * *

- Se não tiver onde passar a noite, pode ficar no meu apê.
- Você não tem medo de hospedar um possível assassino de uma jovem como você?
- Fica frio. Não seria a primeira vez.
- Agora quem ficou com medo fui eu.

* * *

- Ei, garoto… esse jornal é de hoje?
- Não. De amanhã.
- Você tem dinheiro aí?
- Deixa que eu compro.

* * *

- Putz! Olha isso.
- “Corpo de mulher surge boiando em Areia Preta”.
- É ela.
- Pode ser qualquer mulher.
- Olha a foto.
- O que tem?
- Não vê a tatuagem?
- NCM!

* * *

- Chegamos.
- Você deixou a porta aberta?
- Não. Por quê?
- Cuidado!!!

Foi quando finalmente apareci.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags:

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 27/12/05 às 4h50 nas seções Contos, Jovem Escriba. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.

Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

Um Comentário para “Memento - Capítulo V”

  • Às 27..2005 10:38, Anonymous escreveu:

    OK. Eu estou tonta. :P
    Mas que bom que voc� voltou. E que pena que o Memento acabou com um furac�o que matou todo mundo.
    :***
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    set 18

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    - Que bebê horrível!
    O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
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