Minidicionário da Indecência Tupiniquim Perigo: Homens Trabalhando
nov 23
Pensei em escrever um conto. Um conto religioso. Mas não vou escrever. Porque vivo tendo idéias para escrever contos e nunca escrevo. Ok. Isso não é justificativa. Mas enfim… Não escrevo. O que não me impede de ter as idéias. Então escrevamos sobre as idéias.

E foi observando o comportamento de alguns religiosos que me veio a idéia. Já me disseram que lembrava Matrix, mas, eu andei pensando, é bem diferente.

Começaria com uma garoto mal amado pelos pais, solitário, sem amigos, sem namorada, sentimental pacas, mas detentor de um talento para cálculos inigualável.

Este garoto era para lá de insatisfeito com a própria vida. Até atingir a idade adulta e começar a estudar algoritmos numa faculdade na área tecnológica.

Aprende ele que os algoritmos nada mais são que seqüências lógicas detalhadas para se executar uma tarefa. Mais ou menos como uma receita de bolo: pegue três xícaras de farinha, jogue água, bata até a massa ganhar corpo, etc.

Ah… O nome dele deveria ser algo como Daniel Evo Urbano Silva.

Muito esperto, Daniel resolve construir um sistema para desenvolver uma vida alternativa onde ele seria o oposto do que era em sua própria vida. Onde aquele garoto mal amado não existiria.

E assim ele segue. Inicia o algoritmo, chama-o de vida, declara as variáveis, e dá a primeira instrução:

faça-se a luz(”%v”, luz);

São seis dias intensos de trabalhos, criando o céu, o sol, os mares, as estrelas, as plantas, os animais, a lógica que relaciona todos estes elementos. No sétimo dia Daniel exausto pára para descansar.

O sistema é bem simples: há todo um universo paralelo bem parecido com o seu, onde a diferença é que neste ele é o maior dos seres, auto intitulado de DEUS (as iniciais de seu nome).

Algumas variáveis são programadas para diariamente repetirem mantras dizendo o quanto o ama, o quanto ele é o maior, o melhor, o bambambam. Quando uma variável dessa falha, ela é punida. Quando repete que o ama, ela é perdoada. E no geral as variáveis não falham pois recebem a promessa de um dia, quando obsoletas, ganharem o direito de se juntar a Daniel em seu universo. Caso contrário, o destinos das ditacujas será o purgatório, acá lixeira, e futuramente o inferno, acá formatação.

Ok. Neste ponto a história fica um saco com metaforazinhas eletrônicas demais, alá Wachawski mesmo. Enfim… a idéia é que as variáveis falhem demais, e que Daniel crie um um software que será tido como seu próprio filho apenas para salvar o sistema falho. Mas o software também falha e Daniel o abandona sem maiores explicações.

O objetivo era criticar a postura de alguns religiosos que tratam o próprio Deus como um garoto mal amado que apenas quer que sua cria repita infinitamente o quanto o ama. Não creio que esse tal deus exista. Mas se existisse e fosse o bambambam como pintam, duvido muito que ele fizesse questão que seus brinquedinhos estivessem todos ligados ao mesmo tempo repetindo seu santo nome em vão. Eu, no lugar dele, ao contrário, obrigaria todos a ficarem quietos em silêncio, só para poder passar o dia dormindo em paz sem que ninguém me importunasse. E ai daqueles que se metessem a cantar qualquer versinho horrível do Padre Marcelo Rossi.

Esse seria o tal conto. Mas não escreverei. Porque ia ficar uma merda. E ponto. Feliz Natal!

Escrito por Marlos Ápyus

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 23/11/06 às 20h32 nas seções Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

3 Comentários para “O conto de um conto religioso”

  • Às 24..2006 16:11, Carol escreveu:

    As vezes a gente precisa só de uma forcinha. Escreva o conto Marlos, escreva.

    • Às 25..2006 05:43, Dig escreveu:

      Escreve a porra deste conto! Deixa de ser besta! Mas quando escrever não mostre a ninguém, publique um livro.

      • Às 27..2006 06:32, Lord Audius escreveu:

        Se não sair, não será por falta de incentivo… hehehehehe
        Mãos - e mente - à obra!!! Bota essa bexiga pra moer!!!
        Mesmo que vc achasse que ficaria uma merda, para uns não ficaria…
        Mesmo que ficasse uma obra-prima, para uns ficaria uma merda…
        Ou seja, não há justificativa pra não fazer.

        (Obrigatório)
        (Não será publicado)
        Busca
        out 06

        Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

        set 18

        Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
        - Que bebê horrível!
        O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
        - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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