Era a primeira música do bis. De toda a banda, só o baixista retornara ao palco. E iniciava o que parecia seu momento da apresentação, que já tivera em outros trechos solos de bateria, guitarra e teclado. Era um blues improvisado em mi menor. Eu saquei isso. Gil, grande amigo e um dos maiores fãs do Deep Purple que conheço, foi além: “ele está improvisando para começar Black Night”.
Há um riff muito famoso em Black Night. Que você confere apertando o play:
http://www.youtube.com/watch?v=QHlODWd4GeM
Do nada me veio a idéia de cantar o tal riff apenas vocalizando com a vogal “O”. E comecei sozinho a fazer o “Oh oh oh-oh, oh oh-oh, oh-oh oh-oh-oh. Oh-oh! Oh-oh.” Na segunda vez, não só Gilbamar, como a dezena de amigos que me acompanhava também o fizeram. Na terceira, já éramos um terço do público em uníssono. Quando a quarta vez chegou, todo o Chevrolet Hall (10 mil metaleiros de blusa preta) cantava o riff a plenos pulmões acompanhados do improviso do baixista que já via subir ao palco os demais companheiros de banda.
Ao sentir o entusiasmo da platéia, optou o músico por interromper seu solo e começou a tocar conosco o riff em questão. Até que uma virada de bateria deu início de vez à música.
Arrepio-me toda vez que lembro.

