Enforquem os tradutores Sinto cheiro de revolução
jul 10

Ordinária é tudo que não quer ser a líder de torcida em Beleza America. Quer ela ser diferente. Diferença é o que mais cobra o crítico musical da banda nova cujo álbum ele busca resenhar. Indiferença é o que sentem para com todos aqueles que trabalham o “mais do mesmo”. “Mais do Mesmo”, na minha modesta opinião, é uma das melhores canções já compostas pela Legião Urbana.

Tenho bastante dificuldade em aceitar a consagração do “diferente” na sociedade. Não que eu não goste dele. Até gosto e por vezes o admiro. Mas não enxergo nele um remédio infalível. Muito pelo contrário, penso que, quando não surge de forma natural e conveniente, e aqui posso afirmar sem dor na consciência de que se trata da maioria das ocasiões, não passa “o diferente” de um engôdo de difícil digestão.

Meu mais comum contato com “o diferente” atualmente ocorre nas primeiras reuniões onde me são passados os desejos de algum cliente para com um site que gostaria que eu produzisse. E é quase senso comum o desejo de publicar algo diferente que fuja dos padrões. Isso significa criar um material num formato jamais trabalhado por mim. Significa perder mais tempo buscando respostas para questões que em outros contextos já saberia eu a solução. Significa publicar algo em que o internauta não saberá como agir num primeiro contato. Significa publicar algo que não se sabe se surtirá o efeito desejado. Querer o diferente é querer o caro, o difícil e o incerto. É trocar o certo pelo duvidoso.

Lógico que sei que se a humanidade evoluiu é porque de alguma forma muito neguinho andou apostando no “diferente” e acabou encontrado soluções fantásticas para os mais variados problemas. Mas não existiria evolução no aperfeiçoamento do já existente? Após inúmeras variações sobre o mesmo tema, não chegaríamos a longo prazo num produto tão diferente de sua matéria prima que seria mais conveniente tratá-lo como algo novo?

A sensação que tenho é que muitas vezes mal experimentamos um formato e o carimbamos como desgastado sem antes testar todas as suas possibilidades, sem antes deixá-lo ecoar não mais, mas melhor. Sem antes deixá-lo acessível a todos. Quantas melhores bandas de todos os tempos da última semana não surgiram nas colunas musicais mês passado? Quantas destas sobreviverão até o próximo Tim Festival? Quantos deixarão estas sobreviver? Quanto dinheiro público por intermédio de leis de incentivo não já foi gasto em apostas de gosto duvidoso? Milhões de brasileiros apostam semanalmente nas loterias, mas destes apenas algumas poucas unidades saem vencedoras.

Penso que “o diferente” deve ser sim almejado. Mas tudo no seu tempo e volume. A pressa é inimiga da perfeição e amiga íntima do atraso pelo qual ainda passa infelizmente nossa nação. Toda revolução, e aqui expresso um simples palpite sem fundamento científico, deve ser um fruto natural da evolução, como quando um caminho é explorado detalhadamente e descobre-se não haver para ele outra solução senão a mudança de rumo.

Enfim: paciência. E a ciência de que não há problema em ser, querer ser, ou tentar ser normal. Mesmo que de perto ninguém seja.

Escrito por Ápyus Soluções Digitais \\ Tags:

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Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 10/07/07 às 8h00 nas seções Administração & Negócios, Destaques. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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jul 21

Na mão esquerda meus cartões, na direita minha tesoura. Na esquerda jantares, computadores, utilidades e futilidades, baladas, luxo, pose, muita pose, gasolina, viagens. Na direita, o fim de um vício que tantas noite de sono me levou. Foi uma carnificina.

jul 17

Às vezes não entendo por que este tal de ser humano estuda tanto. Se era para complicar algo que aos olhos de qualquer criança soaria de fácil resolução, para que diabos tanta ciência? Tenho sentido falta da justiça infantil, aquela da hora do recreio, o tribunal do intervalo. Olha-se, pergunta-se, responde-se, condena-se. Sem dó, nem piedade.

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