Previously, on blogosphera:
- Thiago de Góes reclama do preconceito para com quem gosta de música sertaneja:
“Eu também gosto de Zezé di Camargo e Luciano.” - Patrício Júnior defende que isso não é preconceito:
“Poxa, por que sempre confundem uma opinião pessoal mais severa com preconceito?” - Thiago de Góes contra-golpeia:
“Se chamar alguém de hiena simplesmente porque não gosta de suas músicas não for preconceito então eu não sei o que mais poderia ser.”
E no episódio de hoje, Marlos Ápyus é convidado a dar sua opinião do Blog do PJ:
Eu acho cabelo de preto algo tão ruim que para mim faria mais sentido servir de base em vasos para samambaias. Não é preconceito. É apenas uma opinião pessoal mais severa.
É tudo muito relativo. Depende de muitos contextos. De quem fala. De quem escuta.
Cursei meu pré-vestibular num colégio que à época abrigava a mais alta elite potiguar. Lá, por ouvir, pasmem, o Rappa, ganhei o apelido de “maconheiro”. E de vários amigos ouvi frases como “eu não gosto de roqueiro, mas de você eu gosto”. Talvez seja uma frase boba. Mas se eu chegasse para você e dissesse: “Eu não gosto de preto, mas de você eu gosto”, como você se sentiria?
Acho que Thiago se sente discriminado pois vive num meio inverso. Os cadernos culturais comentam show a show do MADA, uma porção de bandas no geral muito ruins que as pessoas só ouvem enquanto aguardam a atração principal, mas, com excessão das colunas sociais, nada relatam do show da Banda Eva, do Calypso, do Aviões do Forró e de Zezé Dicamargo. O que faz Marcelo D2 mais cultural que Durval Lelis?
Tenho certeza que na CAP Thiago não se sentiria discriminado como me senti. Já, ao entrar na UFRN, parecia ter encontrado eu meu mundo. Eu gostava de Rappa e era careta.
No fundo, acho uma pena. Sempre acreditei que a música seria um mecanismo para unir semelhantes. É mais ou menos o que é defendido em Alta Fidelidade. Nós não gostamos das pessoas pelo que elas são, mas pelo que elas gostam. Se tudo que mais gosto na vida é música, gostarei mais das pessoas que gostarem da mesma música que eu.
Mas, mais do que nunca, a música é usada para separar os diferentes. Defini-se o que se gosta e exclui-se aquilo que não se gosta. Parece a mesma coisa, mas não. No primeiro caso, a intenção é fazer amigos. No segundo, inimigos.
Conheço muita gente que diz gostar de certas coisas apenas para se sentir superior a outras gentes. Talvez para compensar outras deficiências. Se o cara não vence por sua aparência física ou carisma, o jeito é ganhar no intelecto ou na atitude. Ele pode até comer mais mina do que eu. Mas só eu entendo o quão revolucionário é o último disco do Radiohead. Assim como conheço muito playboy que, porque agora escuta Aviões do Forró, se acha melhor que aquele nerd que só escuta música americana. De certa forma, este rancor conforma e conforta.
Nossa visão de preconceito é bem distinta. Enquanto você acha que se trata de um mal a ser combatido, eu já entendo como um característica humana a ser entendida e controlada. Eu realmente tenho a visão citada no início deste comentário. É triste. Mas tenho uma porção de outras visões positivas acerca dos negros que me fazem me sentir orgulhoso sempre que lembro que possuo um amigo negro como você. Mas talvez estejamos apenas dando nomes diferentes para a mesma coisa, e o que você chama de opinião mais severa, eu chamo de preconceito.
Abraços.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 2/11/07 às 8h57 nas seções Arte & Cultura. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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[...] Patrício é outro brother do qual sou fã. E argumentar com ele costuma ser uma lição. Quando penso ter dito as palavras mais serenas, me deparo com réplicas e tréplicas de calar a boca e jogar minha cara contra a parede para largar de falar besteira. Mas tenho medo de se essa “brincadeira de bater” não pode dar em merda algum dia e a gente acabar saindo machucado. De qualquer forma, sugiro a todos a leitura de sua resposta à minha resposta. [...]