Mais do que nunca, hoje tenho consciência de que há bastante gente neste mundo que não gosta de mim. Não foi uma situação com a qual aprendi a lidar de uma hora pra outra. Noites e mais noites perdi meu sono tentando entender o que fez me encontrar em tal situação, até que finalmente entendi: em dado momento me danei a usar a liberdade de expressão que nossa democracia maravilhosamente me proporciona. Desde então tudo não passou de uma questão de tempo para transformar aqueles que concordavam comigo em amigos e, infelizmente, aqueles que discordavam em inimigos.
Em meio a tanto ódio, sem medo de me fazer de vítima, posso afirma que na imensa maioria da vezes sou passivo neste conflito. Quando menos percebo, descubro alguém que não vai (mais) com minha cara, que andou falando poucas e boas a meu respeito. Não são muitos, mas são consideráveis. E sempre que possível busco entender seus motivos, apesar de nem sempre conseguir.
Essa discordância é fruto de posicionamentos meus acerca de política, cultura, sociedade, comportamento ou qualquer assunto mais polêmico. E o que mais me incomoda é que mal sabem muitos destes que de mim discordam que nós quase sempre lutamos pela mesmo causa. A diferença é que acredito em outros caminhos para se chegar ao mesmo destino. Os fins são os mesmo, os meios não.
As piores atitudes da humanidade foram tomadas com as melhores das intenções superlotando assim o inferno. Por culpa das intenções? Não. Porque um dia alguém quis que os fins justificassem os meios. E absurdos como este ecoam desde então.
Mais do que nunca é preciso abrir os olhos para os meios. Querer um Brasil de futuro é nobre, mas comprá-lo alimentando uma dívida externa que limitaria a nação por décadas é uma das maiores infelicidades já cometidas por nossos governantes. O mesmo vale para os governados. Acho nobre a intenção de tantos militantes em prol de um Brasil melhor. Mas acho uma pena que tantas vezes se valham da intolerância e da imposição em prol de suas causas.
A democracia, bem ou mal, disponibiliza vários artifícios para que se façam ajustes ou até mesmo modificações radicais na sua estrutura. E, bem ou mal, estes artifícios estão disponíveis a todos direta ou indiretamente. Em nenhum momento aqui é dito que esta é uma tarefa fácil e rápida. O problema é a paciência de tantos engajados agüentarem a fila de espera. É o momento em que é dado o grito de guerra, é deflagrada a greve e queimado o pneu que fechará o trânsito.
Gosto da definição de democracia como sendo a ditadura da maioria. Se é ela quem dita a regra, e quer-se algo que ainda aparenta ser o desejo de uma minoria, antes de invadir o congresso destruindo computadores públicos há de se fazer com que esta causa se torne bandeira de pelo menos cinqüenta porcento dos atingidos mais um. Acontecendo isso, a revolução desce redonda, não tenho dúvidas.
Mas é justamente aqui onde ocorre meu conflito pessoal. É quando dizem que já chegou o momento de irem às ruas e eu sustento que uma passada antes no laboratório não faria mal a ninguém. É quando convocam atitudes já bastante exploradas no passado e eu pergunto se não pode se tentar novas possibilidades em melhor sintonia com o contexto atual. É quando olha-se apenas para o próprio umbigo. E, infelizmente, o umbigo, neste caso, não faz parte do meio que tanto gostaria eu que fosse a maior preocupação daqueles que agem. E, não tenho dúvidas, é essa má utilização dos meios que mais compromete nosso futuro.
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Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 12/07/07 às 8h00 nas seções Atitude & Comportamento. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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