Assembly era, se brincar, a cadeira mais chata de toda a faculdade. Porque era uma linguagem que estava para a programação assim como o latim está para a nossa língua. Tem sua importância por servir de base para as outras linguagens, mas é arcaica, está em desuso. E ainda era pior: a aula começava as 7h00 da manhã se seguindo por mais dois horários. Resultado: não era raro o professor começar a lecionar com a presença de apenas três alunos de uma turma de trinta. E a maioria só vinha a chegar por volta das 8h00 mesmo. O que fez ele? Tolerância zero.
Quando soava o alarme de início das aulas, o professor iniciava a chamada como se fosse um tiro de partida: “André, Bianca…” Não respondia, era brindado não com uma, mas com três faltas referentes aos três horários do dia. Era injusto? “Injustiça maior sou eu começar a aula falando para as paredes!” Mas ocoreu um acidente e o trânsito estava péssimo? “É justamente para isto que você tem direito a 15 faltas por semestre.” Mas você mora longe? “Na véspera de minhas aulas você vai dormir mais cedo para acordar mais cedo e chegar aqui mais cedo!” E os 15 minutos de tolerância? “Não sei se você notou, a tolerância aqui não é 15, a tolerância aqui é zero!”
O professor era tão sacana que na caderneta online ele já assinalava falta para todos os alunos. Quando soava o alarme, iniciava a chamada e, para aqueles que respondessem, desmarcava a falta.
Horrível, né? Pois é… A partir da terceira semana da aplicação da tolerância zero, não tivemos notícia de nenhuma aula que se iniciou com menos de 27 alunos presentes. E o professor dava aula muito bem.

