Soltei há pouco o seguinte comentário no Twitter:
Lamentável o rapto do @robertobezerraf. Um amigo já passou por isso e foi desesperador. Que ele consiga superar bem este trauma. Mas não posso deixar de observar algo: executaram um pobre, e a notícia é o rapto de um rico. Seria este um retrato de nosso descaso?
Não sou de todo justo ao dizer isso. Porque entendo que muitos que estão comentando o ocorrido facilmente se colocam na condição do raptado. O mesmo não fazem ao encarar a biografia do traficante executado. Acentua este temor a certeza que temos de que o Roberto Bezerra deve ter feito o possível para levar uma vida segura e ainda assim não conseguiu evitar o próprio rapto.
Enfim… Estão todos preocupados com os raptos e os seqüestros relâmpagos. Mas poucos esquecem que algo pior anda acontecendo por estas bandas. E sim, falo da execução sumária de seres humanos, independente de se são de bem ou não.
Ignoramos pois entendemos que só atingem pessoas de índole questionável. Mas não é bem assim. Morei por vinte anos próximo ao cruzamento da Jaguarari com a Antonio Basílio. Mas só nos últimos quatro comecei a ter notícias de tais execuções. Primeiramente um vigilante que fazia a segurança de um boteco, e que diziam alimentar inimizades com bandidos do bairro onde morava. O mesmo que diziam do rapaz que foi executado enquanto comia um espetinho de camarão em frente à padaria Gosto de Pão. Contudo, a regra foi quebrada quando o pai de um amigo, duas ruas distantes dali, foi executado após ter sido chamado pelo próprio nome no portão de sua casa. Há tempos não tenho notícias mas, à época, ninguém entendeu a motivação do crime pois se tratava de um advogado aposentado ainda na década anterior.
É preciso se indignar também com estas execuções, ocorram elas com quem ocorrer. Se tais notícias começarem a “descer na urina”, como diz o ditado, é uma questão de tempo para que executem não só os traficantes, mas também os donos dos veículos usados para cometer seus crimes, já que se tratam das principais testemunhas.



Sobre raptos e execuções, de @apyus http://is.gd/5fXtn
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