Hoje, em seu blog, Marcelo Tas foi genial. E venho aqui engrossar o caldo: quem tem medo da privatização?
Antes uma nova questão: o que é uma empresa estatal? Seria uma mega empresa do povo? Em que realidade?
De fato eu, como povo, fiquei noites sem dormir quando venderam a Vale do Rio Doce. Revirava na cama. Não sabia o que seria do meu futuro. Sentia como se tivessem me tomado um filho das mãos.
Logicamente não me senti assim. Só dois motivos fazem alguém se doer com a privatização de uma estatal: a) Ufanismo boboca; e b) medo de perder o emprego. Quanto ao ufanismo boboca, não sou adepto. Quanto ao medo de perder o emprego, não tinha pois lá não trabalhava.
Voltando ao ufanismo boboca, só bobocas os têm e não vejo motivo para que me preocupe com eles. E quanto ao medo de perder o emprego, só perde o emprego aquele não tem competência para estar lá. Se não possui competência para ocupar um cargo numa empresa do povo, tem mais é que ser demitido mesmo. A diferença é que numa empresa privada este incompetente perde o emprego. Numa empresa estatal não.
Tenho pessoas bem próximas trabalhando em empresas estatais e privatizadas que quase diariamente relatam-me situações vividas em seus trabalhos. Na empresa privatizada, temos um negócio que cresce ano a ano, lucros e mais lucros, com uma divisão bem nítida no seu quadro de funcionários: os que ajudam e os que atrapalham. Coincidência ou não, ajudam aqueles contratados pós-privatização, mais preparados, contratados pela própria competência, com sede de futuro; e atrapalham aqueles com anos de casa, normalmente contratados por políticos eleitos poucos dias antes de sua contratação, que não querem trabalhar, que não possuem competência para trabalhar pois não buscaram se reciclar, que abusam de poderes que não têm, e que não são demitidos pois é mais interessante mantê-los até suas aposentadorias do que arcar com os prejuízos de anos de direitos trabalhistas. Já na empresa estatal a realidade é outra: praticamente só existe este segundo grupo.
Temos de um lado uma empresa estatal que gera prejuízo aos cofres públicos prestando um péssimo serviço à população. Do outro lado uma empresa privatizada, lucrando cada vez mais, e ano a ano gerando ao governo em impostos mais grana do que esta jamais gerou por suas próprias pernas quando em tempos estatais. Pergunto: que mal fez a privatização? Se antes tínhamos prejuízo aos cofres públicos e hoje lucramos com os impostos destas megacorporações? Se antes tínhamos um péssimo serviço prestado e hoje a competição nos traz um serviço melhor e mais barato? Se antes tínhamos empregados incompetentes arcados com o dinheiro público e hoje temos profissionais renomados sendo arcados com grana privada? Que mal fez a privatização?
E retorno à primeira questão: quem tem medo da privatização?
Bobocas e incompetentes?
Passei da idade de ter coragem de afirmar algo assim tão forte.
Chamemos apenas de desinformados, então.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
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assunto controverso. no caso das teles, foi bom privatizar. mas naum foi a privatização (e sim a concorrência) que fez melhorar os serviços etc e tal. no caso de empresas com monopólio (cosern, por ex), naum houve melhora algo. pelo contrário: o custo do serviço subiu e só quem lucrou foi a iberdrola, garibaldi e quem gasta menos de 50kw/mês (conhece alg? eu naum desconheço). enfim, sem genmeralizações. naum dá pra tratar a privatização como demônio. mas ela tb naum eh um anjo.
outra questão aí é tratar a priovatização como uma mancha no currículo. o jogo eleitoral é sujo e expert em desvirtuar verdades. lula anda dizendo que por onde alckmin deixou um rastro de privatizações. bom, precisamos analisar uma a uma pra ver se isso foi bom ou ruim. jah vilma diz que garibaldi “vendeu o patrimônio do povo”, qdo seu real crime foi o de nunca ter conseguido provar oq fez com os 600 milhões que sumiram da venda da cosern. ela naum põe o dedo direto na ferida sabe pq? pq ainda naume xplicou o 1 milhão da fundação josé augusto. em tempo: pouca gente sabe que, depoiis da venda da cosern, foi sancionada uma lei no RN q obriga a venda de empresas estatais do estado aa irem a plebiscito. só vende se o povo deixar. ou seja: qdo vilma cheira-farinha ou gari-cara-de-balde dizem que naum vão vender nenhum patrimônio do povo, falam a verdade. mas naum pq são exemplos de honradez.
Concordando 100% com o Patricio nas duas abordagens, deixo um complemento para abstração… Uma das justificativas para privatizar foi a questão de abrir o mercado, blá, blá, blá… Mas quem é o concorrente da COSERN ?!?
É um tema realmente complexo. Não se discute algumas vantagens, bem como desvantagens, de se privatizar seja lá o que for… A grande questão é: o que está por trás das privatizações ?!?
Quanto a questão de empresa pública ser “empresa do povo”, acredito que a abordagem é a seguinte: as teles e as de energia tinham programas sociais importantes com a camada mais pobre da sociedade. Atualmente isso está praticamente esquecido e, obviamente, para essas empresas só interessa o lucro.
De certas coisas não tenho saudades das teles… De certas coisas, sinto uma grande falta. Lembro que para tentar comprar meu primeiro telefone fixo tive que fazer poupança sacrificada durante meses e madrugar na fila. No final do dia, ainda estava bem longe de ser atendido quando acabaram as ofertas. Quando lembro da facilidade de adquirir uma linha há uns anos atrás, não dá saudade mesmo. Por outro lado, quando eu tinha qualquer problema bastava ir na telern que estava resolvido. Quem já precisou usar o tele-atendimento da telemar pra resolver qualquer pepino, sabe da dificuldade que é.
Concluindo quanto as terceirizações, acredito sim que dá pra haver um mix… O estado não tem que exercer certas funções, e alguma coisa pode ser privatizada… Claro, desde que o estado mantenha umm nivel de gestão prioritário sobre isso, como vemos por exemplo no papel das agencias reguladoras.
Pra exemplificar um pouco, basta lembrar do ultimo concurso de ASG do estado, onde só passou gente com diploma e, até onde sei, nunca pegaram numa vassoura pra limpar banheiro… hehehehe… curiosamente, os serviços de limpeza ainda continuam sendo terceirizados… Precisava concurso pra isso ?!? Na minha opinião há outras áreas mais prioritárias para contratar gente.
Para atingir um nivel aceitável de qualidade do servidor público, ainda vamos levar algum tempo.
Falo isso com propriedade por conviver profissionalmente nos dois mundos, público e privado.
Desde 1988, a obrigatoriedade de acesso por concurso público vem causando um salto de qualidade. Ainda é pouco, mas vem. Ainda existem aqueles com a postura viciada de servidor publico. Mesmo alguns novos que vão entrando, se contaminam facilmente com isso. A maioria dos novos, vem tentando mudar as coisas. Está cada vez mais dificil passar em concurso, e quem entra dá valor a essa dificuldade.
Algumas pechas poderiam ser revistas… Por exemplo, a maldita estabilidade. Sou contra, apesar de trabalhar no serviço publico. Falta aquele “medo” de estar desempregado no dia seguinte, mesmo trabalhando no setor privado (pra mim isso funciona como motivação)…
Outro grande problema… Os malditos cargos de confiança, que são ainda a brecha para setor publico ter cara de cabide de emprego… Não devia existir isso e todos os cargos de chefia deveriam ser exercidos por funcionários de carreira.
E por ai vai…
Pois é caras…
Achei massa suas posições aqui. Mas cada vez que leio mais sobre privatização, mas me vejo a favor delas. Ontem andei dando uma lida sobre o caso Vale do Rio Doce. O podre da história parece ser “para onde foi a grana da sua venda” e “por que a venderam tão barato?”
Sei que a Vale era uma empresa que dava um lucro de 500 milhões de dólares anuais ao Brasil, empregava 11 mil funcionários e era uma das maiores empresas do Brasil. Apesar de parecer pouco, quem investiu 3,3 bilhões para comprá-la, tendo a perspectiva do lucro que a Vale dava, teria um retorno de investimento com um mínimo de 7 anos. Para mim parece razoável, mas confesso que não sou um expert no assunto e não sei se no caso de uma megacorporação como essa sete anos é pouco ou muito tempo.
Sei também que hoje a Vale do Rio Doce gera por ano 12 bilhões de lucro (24 vezes mais que na sua época estatal) e emprega 44 mil pessoas (quatro vezes mais emprego), gerando em impostos ao estado algo em torno de 4 bilhões por ano (ou 8 vezes o lucro que dava quando estatal; ou ainda, mais de uma “Vale do Rio Doce em Leilão” por ano). E hoje ela não mais a maior mineradora do Brasil, mas simplesmente uma das maiores do mundo.
O que seria o ideal: em vez de um grupo assumir a Vale do Rio Doce, o próprio governo do Brasil tomar vergonha na cara e fazer a Vale do Rio Doce gerar este 12 bilhões anuais. Mas você confia no político brasileiro? Se eu tenho uma empresa que gera 12 bilhões anuais, a última pessoa que gostaria de ver gerenciando este negócio é um político, que em quatro anos perderá as eleições para outro político que virá com sede de corrupção aos cofres da corporação.
Acho que cada caso é um caso. Não podemos, por exemplo, simplesmente privatizar hospitais ou faculdades. A não ser que encontrem uma mágica para uma faculdade ser privatizada e continuar provendo ensino gratuito à população. Mas não vejo problema em uma grande empresa ser privada. McDonalds, Nike, Microsoft, Google, Coca-cola… nenhuma delas é estatal, mas todas fazem um bem extremo ao mercado norte-americano. Neste ponto, pouco me importa se a Vale do Rio Doce é do governo brasileiro, ou simplesmente brasileira. Desde que ela ajude o Brasil a crescer, já está valendo.
Meu Deus!!! Virei FHC!!!
Meu Deus!!! Estou gritando Meu Deus!!!
Me vendi mais rápido ao sistema do que eu imaginava.
Ápyus, eu trabalho no Banco do Brasil há 6 anos, e não me visto com nenhuma modéstia de viscose para afirmar que sou um funcionário exemplar. Não só cumpro com meus afazeres diários, como vou além disso, assumindo por vezes a função de líder de nossa equipe de trabalho, na Gerência Regional de Logística. Ralo, em médio, 10h por dia. Ao contrário do que todos pensam, bancário não trabalha só 6h. E ao contrário do que todos pensam, nós não fazemos apenas abrir contas e debitar tarifas.
O BB já investiu em mim, apenas esse ano, cerca de 2000 contos de réis em cursos de capacitação e aprimoramento, e estou pleiteando uma vaga de Analista Sênior na Diretoria de Tecnologia. E apesar disso tudo, eu tenho SIM medo de perder o emprego numa privatização.
Tenho colegas que foram diretores do alto escalão do BB, e que nos anos FHC perderam os empregos num PDV absurdo e sem nexo. Conheço estórias de pessoas que se suicidaram naquela época. É absurdo? Parece fantasia? Quem está de fora pode pensar que sim.
Então, por mais que algum moderninho venha retrucar a respeito, eu afirmo: temos, sim, medo das privatizações. Não como um todo, mas em determinados segmentos de empresas públicas.
E já que estamos no assunto… alguém sabe onde está o dinheiro ganho com a venda da Vale?
Pergunte ao pai do Chuchu. Ele sabe.
O Chuchu também deve saber.
Onde está o dinheiro ganho com a venda das empresas?
Onde está o dinheiro arrecadado com os impostos das empresas após as privatizações?
Se foi um ataque ao patrimonio do povo brasileiro, por que não aproveitar a oportunidade de um governo com tal questionamento para retomar o controle - ao menos parcial - estatal dessas empresas?
O que está por trás das privatizações ?
Perguntas, perguntas, perguntas… Seria necessário uma sessão espirita com o Sérgio Mota para elucidar tudo isso… hehehehehehe
De tudo o que foi tratado aqui, resta apenas uma dedução: realmente cada caso é um caso.
O Sergio Motta era tão escroto, mas tão escroto, que para não deixar pistas nenhuma preferiu morrer.
É… acho que só botaram o Motta pra tocar todo esse processo pq já sabiam que ele ia bater as botas e ai ficava mais fácil deixar questões em respostas… hehehehehehe… Mas vai ver que é só teoria da conspiração, né ?!?
Por conta da retomada discussão, andei remexendo a biblioteca e acabei achando… Uma boa leitura, para entender melhor o que está por trás da privatizações, é “Brasil Privatizado” do Aloysio Biondi. É meio velhinho, acho que de 98 ou 99, mas dá um bom - e curioso - panorama de todo o processo.
Quem quiser se arriscar, boa leitura. Sejam vcs favoráveis, ou não, acredito que seja uma fonte de boa valia para abstração.
Tem um pouco dele aqui:
http://www.bibvirt.futuro.usp.br/textos/humanas/economia/brasilprivatizado/brasilprivatizado.html
[]’s a todos
Tato,
Entendo numa boa seus argumentos e entendo que eles devem ter bem mais forças para você que está de dentro do que para mim que está de fora. Assim como tenho fé que de que são sinceras suas palavras. Mas sobre o medo das privatizações, é aí que na minha visão está o erro.
Pode ser que você conheça a teoria de que o homem só está vivo hoje porque tem medo. Li há um tempo já e não tenho todos os detalhes porque minha memória é fraca, mas o que lembro dizia que o medo era desde a condição boba para que o homem não pulasse do alto de um prédio, por exemplo, ao impedimento do “esquentamento” da Guerra Fria por medo do fim de sua existência.
O erro que vejo no serviço público é a falta de medo. Ele só parece surgir quando acontece a ameaça de uma privatização. E eu acho isso erradíssimo.
Sou profissional autônomo e meu maior medo é que mês que vem não tenha serviço para fazer, pois não tendo serviço, não recebo dinheiro, não pago minhas contas, me quebro. Esse medo me faz tentar a todo custo cumprir com meus prazos, atender da melhor forma possível meus clientes, e entregar-lhes o melhor produto que conseguir produzir. Não que eu defenda privatizações ao ensino público, mas que medo tem um professor da UFRN que não cumpre a ementa de uma disciplina que leciona?
Tato, você é um brasileiro decente, e a notícia triste disso tudo é que você é uma excessão, e pior, uma rara excessão. No geral, o sonho do brasileiro é passar num concurso não porque é o sonho de sua vida, porque nasceu para fazer aquilo, ou porque seu desejo é servir à nação. Muito pelo contrário: ele quer é ser servido pela nação. Porque ele só vê duas coisas no serviço público: é um emprego que costuma pagar melhor do que um similar na rede privada; e só perderei meu emprego se eu quiser. Cento e quinze mil pessoas fizeram o recente concurso da prefeitura e sei que não sou injusto ao cusar pelo menos cem mil de pensarem assim.
A conseqüência disso é essa certeza do crescimento de qualquer empresa estatal se privatizada. Mesmo a Petrobrás, o Banco do Brasil e os Correios, que parecem ser empresas que dão certo, cresceriam ainda mais se sofressem uma cobrança “privada”.
Mas digo isso tudo sem pedir voto a Alckmin. O único argumento que tinha para votar nele se foi quando o PDT optou pela neutralidade. Realmente ainda não tenho a menor certeza do que farei nas urnas daqui a uma semana. Sinto-me sem saída, e não gostaria de próximo dia 1º pela primeira vez em minha vida anular um voto meu.