Luís Nassif soltou o verbo em seu blog contra o jornalismo praticado pela Veja. Para tanto, usou argumentos bastante convincentes em capítulos quase didáticos a respeito de tudo que ocorre nos bastidores da publicação. Qual reação você esperava da revista? Que o blog do jornalista fosse indicado no “Veja Indica” ou que a mesma entrasse com uma ação judicial contra o mesmo?
Lembremos então um dos muitos escândalos políticos ocorridos contra o PT. Para cada manchete contra sua reputação, tínhamos um de seus políticos vindo a público reconhecer os erros cometidos por seus pares e dizendo que buscariam aprender algo com todo o ocorrido? Não. No máximo acusavam FHC de ter feito o mesmo na gestão anterior. Mas, no geral, negavam tudo e clamavam por um julgamento justo.
Voltemos a Tropa de Elite (que voltou a ser notícia este fim de semana, voltando a ser moda e não me impedindo de usar o mesmo para puxar os mais diversos assuntos sem a desculpa de estar ultrapassado. Que bom!). Acusam o filme de maniqueísta. De certa forma o filme é. Pois busca contar a mesma história que tantas vezes já vimos, desta vez pela visão daquela que tantas vezes tomamos como bandida: a polícia. E na cabeça da polícia, pasmem, eles são mocinhos (sim, isto foi uma ironia). Na verdade, o motivo da polêmica não é nem esse. O problema não são os bandidos. E em Tropa de Elite, os bandidos não são aqueles que levam tiro de 12 estragando assim o velório. Os bandidos são os jovens acadêmicos hipócritas da classe média.
Se Tropa de Elite dissesse que os bandidos eram os jornalista da Veja, provavelmente a revista entraria com uma ação contra sua produção. Se dissesse que os bandidos eram os políticos do PT, Lula provavelmente viria a público dizer que nada sabia (opa… Outra ironia!). Mas o alvo são os jovens acadêmicos hipócritas da classe média. Pois bem… Deixe eu puxar pela memória muitos desses jovens que conheci.
Sim, eles existiram. E, até onde sei, ainda existem. Sim… Trabalham na xerox da faculdade, sim, se candidatam aos centros acadêmicos, sim, possuem uma visão política de esquerda, sim, adoram iniciar discussões filosóficas em qualquer esquina e sim, amam subir os morros ou entrar nos becos para comprar drogas. Puxo pela memória alguns destes exemplares… Alguns venderam-se ao sistema e passaram em algum concurso público. Outros preferiram continuar no campus universitário seguindo carreira acadêmica. Outros hoje mexem com política em partidos de esquerda, como o PCdoB, por exemplo. E alguns outros ainda fazem outras coisas.
Formei-me como jornalista. E por isso sei que muitos destes jovens acadêmicos hipócritas da classe média que estudavam comigo hoje escrevem em jornais. Conheço vários assim. Que, por mais que trabalhem como repórteres de política, de cidades ou até de cadernos vendidos como os suplementos de domingo, sempre que possível se deixam arcar com as pelejas do Caderno Cultural.
Acho que conheço pessoalmente uns 20 jornalistas culturais. Não digo aquele jornalista que ficou encarregado contra sua vontade de escrever sobre cultura. Falo daqueles que de vontade própria puxam o bloco e o papel e vão cobrir festivais de música, de cinema, de teatro, mostras fotográficas, etc. Um universo pequeno dentre todos os jornalista culturais do mundo, lógico. Mas neste universo pequeno, só consigo citar um único que não seja usuário, ou nunca tenha sido, de algum droga ilícita. Opa… Isso é grave, Marlos! Pois é… Muito grave… Por tanto, se você é jornalista cultural e não faz uso, nem nunca fez, de drogas ilícitas, faz favor se pronunciar no sistema de comentários porque eu ando com a visão muito torta acerca de sua categoria.
Mas eu dizia que meu universo é pequeno. Quando estendo-o para os jornalistas que pouco conheci, como gente de fora que aqui e ali vem a Natal cobrir algum festival, a realidade não é muito diferente. Muito deles nunca fizeram qualquer cerimônia em acender um baseado na minha frente, ou ainda me perguntar onde poderiam aqui em Natal comprar cocaína.
Então voltemos a Tropa de Elite. O filme usa como mocinhos os policiais do Bope. E os grandes bandidos seriam os jovens acadêmicos hipócritas da classe média. Mas pensemos um pouco sobre os jornalista culturais. Eles são jovens? No geral são sim. Eles vieram de um meio acadêmico? No geral, também. Eles são da classe média? Sim. Isso são. E você já acusou irresponsavelmente os mesmos de serem usuários de drogas ilícita, não é? Já sim. Então eles seriam os bandidos do filme? Minha resposta: também.
“Peraí… Quer dizer que Tropa de Elite, entre outras coisas, fala mal de jornalista culturais?” Indiretamente sim. “Rapaz… Cuidado ao afirmar essas coisas. Eu conheço uns dois que são caretíssimos.” Beleza. Me apresente, então. Peça para que venha se pronunciar aqui no sistema de comentários.
Luís Nassif falou mal da Veja, a mídia falou mal do PT, Tropa de Elite falou mal de quem fuma maconha. Se no geral os críticos de cinema fumam maconha, como podemos esperar dos mesmo uma postura mais isenta acerca do filme? É como perguntarmos às raposas o que elas acharam de um filme que defende o galinheiro.
Isso explicaria a postura dos críticos acerca do filme. Não à toa taxaram-no de fascista. Isso não lembra o discurso de alguns jovens que você viu matando aula nos corredores de sua faculdade?
P.S.: Achou que fui preconceituoso, que generalizei, que emiti opiniões em vez de verdades ou que fui irônico? Favor ler meu post anterior.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 18/02/08 às 9h06 nas seções Mídia & Comunicação, Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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