Eu juro que queria muito entender Quem é imbecil?
jul 25

Texto originalmente publicado no JH Primeira Edição de 24 de julho de 2007 onde devo escrever toda terça-feira na editoria de cultura

É nítido o sufoco pelo qual passa a indústria fonográfica brasileira. Em sua maioria, os grandes nomes da música do país vivem do próprio passado, quando não do passado alheio. Há as excessões, mas elas são bem poucas, principalmente se em comparação com outras décadas quando cada verão trazia a certeza do surgimento de uma dúzia de novos ídolos capazes de lotar estádios e blocos de carnaval.

A culpa, como se sabe, é da pirataria e da distribuição gratuita de música no mundo virtual. Mas se este mundo toma conta de todo o planeta Terra, por que os EUA e a Europa não passam por situação semelhante? Com certeza os senhores do saber tupiniquim não estão sabendo de tanta coisa assim. Tanto que o melhor da música contemporânea brazuca, e isso infelizmente ainda não chegou ao grande público, tem vindo de artistas independentes que não arrastam multidões, mas já conseguem sobreviver (assim, sem luxos mesmo) de suas canções. A mesma internet que causa prejuízo a grandes empresários é a que garante o show nosso de cada dia destes músicos que vivem de distribuir suas canções gratuitamente em formato MP3 pois sua filantropia digital garante bilheterias razoáveis em casas de show de pequeno e médio porte. Contudo, uma pequena revolução iniciou-se dias atrás e pouco espaço ganhou no noticiário.

Antes, talvez seja interessante falar do fenômeno “blog”. Virou febre no início destes anos dois mil quando praticamente todo mundo que tinha uma boa conexão em casa buscava atualizar diariamente seus espaços virtuais mesmo que apenas para escrever que nada tinham a dizer. Com o tempo as câmeras digitais ganharam o mercado em seus fotologs deixando a sensação de que os blogs não passariam de uma moda passageira.

De dois anos para cá, a virada se deu quando os “blogueiros” aprenderam a ganhar dinheiro com suas palavras. E tudo graças aos programas de filiados que praticamente se iniciaram com o Google e hoje atingem grandes lojas virtuais como Submarino, Dell, Mercado Livre, Americanas, entre outras. A idéia consiste em publicar em seus sites anúncios destas grandes corporações e serem remunerados por cada clique que a propaganda receber.

Com dinheiro em jogo, a coisa ficou mais séria. Muita gente largou seus empregos apenas para viver de suas palavras digitais. E não são apenas palavras jogadas na tela. São frutos de pesquisa, de entrevistas, de trabalho sério mesmo. Ao ponto de outras corporações nem tão virtuais assim, como a Oi com sua campanha contra o bloqueio de celular, passarem a trabalhar mídia nestes meios.

Pois bem: a TramaVirtual, responsável por um catálogo imenso de artistas independentes que se cadastram em seu site e distribuem suas canções, passará a remunerar cada download realizado em suas páginas. Mas como funciona essa maravilha? Empresas que apoiam a iniciativa cedem uma verba mensal para ser dividida entre todos os downloads realizados durante um mês. No início do período, a TramaVirtual anuncia o valor arrecadado junto aos patrocinadores e que será dividido. No final são feitas as contas e cada artista receberá proporcionalmente seu valor de direito. Ao acumular R$50,00, o resgate poderá ser realizado através de depósito em conta corrente.

A verdade é que a grande maioria demorará bastante tempo até que consiga acumular sua meia centena de reais. Mas com certeza nascerão os fenômenos virtuais, que poderão do dia para noite quitar suas contas e sonhar com uma vida melhor. E se atingir-se resultados semelhantes ao fenômeno blog, em breve a música brasileira ganhará artistas mais zelosos com seus trabalhos, produzindo mais e melhor.

Porém, esta não pode se tornar bandeira de um exército de um homem só. É preciso que além da TramaVirtual, outras corporações clonem a idéia, até mesmo para alimentar sua concorrência e seu melhoramento. Mas por já ter nascido genial, não passa de uma questão de tempo para que seja difundida.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 25/07/07 às 8h00 nas seções Arte & Cultura, Capas. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.

Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

Um Comentário para “Revoluções por cliques”

  • Às 31..2007 23:12, Márcio escreveu:

    É dessas atitudes que surgem os grandes feitos!
    (Paulo Coelho ficaria orgulhoso desta frase tão profética!! auhaa)

    (Obrigatório)
    (Não será publicado)
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    out 06

    Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

    set 18

    Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
    - Que bebê horrível!
    O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
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