Saramago escreve sem parágrafos ou travessões? Grande bosta. Larguei “seu evangelho” na página 20 por conta dessa babaquice.
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Isso, pra mim, é desculpa pra tua dislexia.
Sem parágrafos, travessões, nomes ou o que for…Saramago sempre escreve excelentes livros… talvez por falta de paciência, você deixou de ler um livro fantástico… e não me refiro ao “pseudo-intelectualismo” da coisa…mas a uma ótima estória.
Quando Patrício Jr., amigo meu, retirou aos poucos a pontuação de um conto seu (que não lembro o nome nem sei onde linká-lo), assim o fez porque condizia com a história, visto que o personagem aos poucos reclamava que sua vida estava cada vez mais corrida. Sem pontuação, o texto corria com nossa leitura.
Quando certa vez preguei um anúncio de busca por um novo baterista para minha banda de cabeça para baixo, assim o fiz para despertar a curiosidade dos leitores nos murais superlotados de anúncios do gênero. E isso deu resultado.
Quando, em “Fora de Si”, Arnaldo Antunes passa a misturar a primeira com a terceira pessoa, assim o faz porque é coerente com a incoerência do personagem, que fica tão fora de si que não consegue mais conjulgar os verbos na primeira pessoa.
Quando passei 20 páginas tentando decifrar quem diabos dizia o quê no Evangelho Segundo Jesus Cristo, tinha certeza que a única intenção do autor era ser tido como gênio por seus leitores. E pelo jeito conseguiu. No que diz respeito ao enredo, nada justificava sua postura. Meu incômodo diante de sua atitude foi maior que o prazer que sentia ao lê-lo. Por isso voltou para a estante quase intacto.
Mas não condeno ninguém caso julgue minha babaquice maior que a dele. (Confesso que ainda não sei se babaquice é com C ou SS)
Veja bem, o uso da pontuação é totalmente diferente do habitual, mas nunca errado, o que demonstra, no mínimo, um domínio excepcional da linguagem. Duvido que sua intenção era ser tido como gênio, já que desde que Saramago era um zé ninguém na literatura ele já demonstrava essa característica nos seus textos. E sejamos sinceros, essa coisa de subverter as regras dificilmente é a atitude adequada a quem quer fazer sucesso.
Eu, particularmente, não vejo problema nenhum na pontuação, acho até que ela cria uma certa fluidez no texto. É fácil se perder nas linhas, quando o autor deixa margem para a imaginação do leitor. E acredito mesmo que sem os travessões, parágrafos, pontos, não há prejuízo nenhum ao texto, e em nenhum dos livros deixei de entender as emoções, as exclamações…mas isso também é responsabilidade do leitor experiente e preparado. O excesso de pontuação, é que pode sim ser prejudicial. Mas estamos mais acostumados a ler blogs, revistas e jornais…a leitura de qualquer livro é sempre mais truncada.
Mas, enfim, acho que o uso dessas teorias para atestar a qualidade de um escritor são bobagens, porque acho que antes de mais nada o conteúdo é o que importa. E afirmo que as estórias de Saramago são sim, extremamente envolventes, interessantes, fortes e bonitas, e é disso que um gênio da literatura é feito.
Afinal, qualquer um pode contratar um revisor, mas já uma boa estória…
Desculpe, mas ‘pontuação em excesso’ ou ‘não uso de pontuação’ são, simplesmente, erros de sintaxe na linguagem, seja ela qual for. Sendo assim: como um analfabeto escreve livros e se acha uma ‘tampa de crush’?