Arquivos da Seção ‘Comportamento’

Os gays são os negros do século XXI

199 visita(s) | 23.02.2010 | 0h20 | Por Marlos Ápyus |
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Antes de mais nada: o Marcelo Dourado é um dos “personagens” desta décima edição do Big Brother Brasil que eu mais curto. Não tenho dúvidas que eu, uma vez lá dentro, teria nele uma das pessoas com as quais mais eu interagiria. Por ele ser mais velho, por ele ter bom humor e por ele não vestir 100% a blusa das intrigas “sem noção” que rolam ali dentro.

Mas, e se o Marcelo Dourado fosse racista? E se ele ficasse incomodado quando um casal de negros comentasse perto dele o que costuma fazer para se divertir nas baladas? E se ele pedisse para não se comentar na mesa do jantar detalhes da vida sexual deste casal? E se ele, ao vivo, demonstrasse estar extremamente incomodado com a possibilidade de uma negra sentir tesão por ele? E se ele defendesse que brancos puros não pegam AIDS? Você conseguiria relevar o fato de ele ser racista e ainda ter nele seu participante predileto do BBB 10? Continue lendo »


A ideologia coveniente

181 visita(s) | 15.02.2010 | 14h02 | Por Marlos Ápyus |
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Filosofemos.

Chamo de ideologia conveniente a arte (prefiro usar este termo em vez de “ciência”) de acreditar em ou objetivar apenas aquilo que se tem/é ou se pode alcançar/ser. Mas calma que explicarei.

Refiro-me, por exemplo, ao cara que, como eu, está fora de forma e começa a pregar aos quatro ventos que homem sem barriga não é homem. Ou à namorada dele que jura para as amigas que acha linda aquela pochete de carne. É conveniente a eles acreditarem nisto. Trata-se do que são e do que suas coragens lhes deixam ter/ser.

O mesmo termo pode ser aplicado ao madeireiro que “acredita” que o aquecimento global não passa de uma lenda urbana criada por ambientalista. Ou ao clássico oposicionista que, graças à democracia, uma vez na situação, começa a concordar com toda sorte de artifícios questionáveis, tantas vezes por ele mesmo execrados, no exercício do poder. Apenas para justificar a ação de seus companheiros de legenda e manter-se no topo da pirâmide.

Eu mesmo já me flagrei um “ideólogo conveniente” quando num passado até um tanto remoto recriminava todas as pessoas que curtiam ao máximo suas vidas de “solteiros”, if you know what I mean. Tudo porque nunca tive muito talento para a arte da conquista fast food. Mas pergunta se eu admitia isso? Continue lendo »


Felizes daqueles que sabem rir de si mesmos

217 visita(s) | 30.01.2010 | 15h22 | Por Marlos Ápyus |
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Nove anos, dez meses e quinze dias. Foi todo o tempo que convivi com meu pai, meu ídolo maior. Como a lembrança mais antiga que trago já me remete à Bahia, onde morei dos dois aos seis anos, chuto que não curti sua presença por nem sete anos de minha vida. Passei mais tempo com meus amigos de colégio do que com meu pai, por exemplo.

Mas foi possível aprender com ele e ter para toda a minha vida algumas lições. E talvez a mais cara delas ocorreu quando entristecido voltei da escola reclamando que meus colegas de turma riam do tamanho avantajado de minha cabeça. E dele ouvi que não me importasse, mas aprendesse a rir com eles disto. Contou-me que viveu problema semelhante na sua juventude, mas que buscou curtir o momento até que a piada um dia naturalmente perdeu a graça e todos deixaram de contá-la. Diferente de se ele se deixasse magoar. Ficaria ruim para ele, ruim para as pessoas de bem que a contaram e queriam apenas se divertir, e ótimo para as pessoas “de mal” que queriam piorar seu dia e sabe lá quando se cansariam deste dever sádico. Continue lendo »


Morte aos monocelhas

270 visita(s) | 08.01.2010 | 0h19 | Por Marlos Ápyus |
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Esteticamente eu estou bem longe daquilo que se entende por perfeição. Trago comigo alguns defeitos que necessitam algum esforço para serem solucionados (como dez quilos a mais que talvez se resolvam com dez meses de academia) e outros que só se conformando mesmo (como a baixa estatura ou o grosso calibre do telhado descendente de cearense). Mas eu simplesmente não creio que por 27 anos eu fui monocelha porque algum dia alguém inventou que fazer a sobrancelha era coisa de gay. Continue lendo »


Da importância que a beleza tem

159 visita(s) | 18.03.2009 | 11h09 | Por Marlos Ápyus |
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Vou tentar explicar por uma situação vivida por mim.

Uma mulher um tempo atrás entrou em contato comigo em desespero. Falou das dificuldades que enfrentava, que não sabia como solucionar, que não tinha mais a quem recorrer, que precisava de minha ajuda, e tinha certeza que eu daria um jeito em sua vida tão complicada. Expliquei que eu não era a pessoa mais indicada, que eu não tinha tempo, que eu não tinha condições, que ela fez uma imagem errada de mim, e que ela procurasse seus familiares ou amigos para ter esta ajuda que tanto buscava. Em nenhum momento menti ou fui rude. Comentei a situação com alguns conhecidos e todos me deram razão. Mas ela insistiu. Insistiu bastante. Tentou vencer-me pelo cansaço. Contudo, fui forte. Até um pouco frio, admito. E me agarrei ao “não” até que finalmente ela me deu sossego.

Estes dias estava pensando: mesmo que eu não esperasse nada em troca, nadinha mesmo, talvez apenas um pouco de gratidão, eu teria agido da mesma forma se esta mulher fosse a Anna Hickman?

Anna Hickman

A resposta: não. Com certeza não.


Você escolheria matar a sua mãe?

85 visita(s) | 07.03.2009 | 11h01 | Por Marlos Ápyus |
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Estive pensando no argumento de muitas pessoas contra o aborto que alegam que não é dado ao feto, o maior afetado (sem trocadilhos), a chance de escolha. Pois bem… Imaginemos uma situação. Você e sua mãe sofrem um acidente. Um acidente grave. Mas há uma chance de sobreviver. Contudo, só um de vocês pode se salvar. Isso pode se dar num avião desgovernado que só possui um pára-quedas. Ou num barco que afunda em águas gélidas que só possui um colete salva-vidas. Você nem precisa ser um feto. Você é simplesmente você, assim, na sua idade mesmo. Você escolhe se salvar ou salvar sua mãe?

Lembro que em casos onde a gestação põe em risco a vida da mãe, se se opta em salvar o feto, ainda assim há o risco de o mesmo não sobreviver, já que morrendo o útero que o formava, há grandes chances de morrer também o bebê.

Logicamente estou aqui argumentando dentro da situação polêmica ocorrida esta semana. Mas sim, sou a favor do aborto nas primeiras semanas de gestação em qualquer situação. Obviamente sou muito feliz por ter nascido. Mas hoje, ciente do que eu poderia ter causado à minha família, se pudesse, abriria mão de ter nascido, caso meu nascimento de alguma forma representasse um engodo à minha família, fosse por meus pais serem muito jovens e sem condições de dar a mim uma vida digna, fosse por dificuldades financeiras vividas por eles, fosse por problemas de saúde, ou até mesmo se meu nascimento viesse fruto de algum acidente com métodos anticoncepcionais e eles simplesmente não tivessem a mínima vontade de ter mais um filho.

Reinaldo Azevedo, que por enquanto foi o único “palpiteiro virtual” que vi defender o bispo até agora, acha que ao defender o aborto banalizamos nós a morte. Ele diz, com grifos dele:

A FACILIDADE COM QUE GRUPOS ORGANIZADOS DEFENDEM A MORTE ME É UMA COISA ASSUSTADORA. De certo modo, não compreendo os relevos da alma de quem sai às ruas para defender aborto, eutanásia, pena de morte… Não compreendo. Para mim, são práticas assustadoras.

Mas, dias atrás, assim como eu, ele indicou a leitura de um podcast de Diogo Mainardi. Onde era defendido, mesmo ciente das inúmeras mortes ocorridas no Iraque, que cada vez mais se enviasse soldados para o campo de batalha. Diogo escreveu:

Os americanos alarmaram-se tanto com o número [de mortes no Iraque] que aceitaram mandar mais 30 000 soldados para lá. Resultado? Em fevereiro de 2007, quando as novas tropas desembarcaram no país, registraram-se 3 014 mortes. Em agosto, elas já haviam diminuído para 1.674. Em setembro, 848. Em outubro, até a última quinta-feira, morreram 531 iraquianos.

O incoerente é que nesta hora a morte, pelo menos para eles, não parece uma “prática assustadora”. São apenas números que vão gradativamente diminuindo. Não tem família chorando, caixão chegando, naçao indignada. Jovem cheio de saúde levar bala na cabeça? Pode, mas não só pode: deve. Células que se multiplicam dentro do útero de uma mãe e que colocam em risco sua saúde? Não, isso não pode.