Marlos, seus questionamentos sempre revelam ótimas intenções e uma sincera preocupação com o mundo que o cerca, as coisas que o rodeiam. Isso é bom. Na verdade, isso é ótimo, pois indica uma visão de mundo mais ampla que a maioria das pessoas e, seguramente, uma noção de coletividade mais evoluída.
Contudo, é preciso observar certas questões conforme os fatos que as concernem. A relação livros+desmatamento é algo superado no Brasil, uma vez que as principais industrias de papel que fornecem 90% da matéria prima para as gráficas possuem programas de reflorestamento e reciclagem bastante avançados. Você pode tomar conhecimento deles nos sítios das empresas. Atualmente os grandes vilões do desmatamento são a agricultura, a pecuária, a expansão imobiliária e afins. Conforme você mesmo vem denunciando em seu sítio, muitas árvores têm tombado em Natal em virtude de construções e reformas irresponsáveis ambientalmente. Eu conheço um empreendimento em Pirangi que está derrubando milhares de mata nativa para dar lugar a edifícios. Lindo, não?
Mas o que fazer quanto a tudo isso? Deixar de comer? Deixar de comer carne? Deixar de morar no apartamento onde moro, caso eu descubra que a Construtora que o erigiu cometeu um delito ambiental? Pois deixar de publicar um belo livro de crônicas (e acho que vc tem talento para tal) equivale a essas atitudes em gravidade e firmeza de propósito. Perceba você também que Leonardo Panço não é nenhum insensível às questões ambientais. É militante (bastante atuante) dos direitos dos animais (você pode comprovar no fim do livro) e é vegetariano.
Recentemente tenho lido dados que me deixam bastante preocupado. Coisas como “Gasta-se 40 vezes mais água para preparar 1 quilo de carne que 1 quilo de batatas. Por isso, seja vegetariano uma vez por semana.” Ou “Tente ir ao trabalho de bicicleta ou transporte público” (Eu juro que tentei durante o ano de 2008, mas em Natal ambas as coisas são muito difíceis pra quem tem carro). Ou ainda “Gasta-se o equivalente a 1 hora de lâmpada elétrica a cada pesquisa no Google”!!!
E aí, eu pergunto: o que fazer? Deixar de clicar no Google? Deixar de acessar a net? Você tem o direito de gastar tanta energia “a toa”? Eu tenho? Mas aí você fica sem trabalho.
Esse mundo é mais complicado do que podemos pensar, Marlos Apyus. E a tecnologia, parece, não veio pra facilitar muito as coisas.
Nessa questão energética, aliás, as coisas não parecem ir muito melhor que na florestal. O governo brasileiro quer construir uma usina nuclear (que beleza, hein?!), quando poderia investir muito menos grana em energia aeólica, pois o vento é abundante no Nordeste e gerar MUITA energia. Ah, sem falar que o vento é energia limpa e permanentemente renovável. Ou seja: a vontade política de se fazer algo ecologicamente correto e que sirva de exemplo para o mundo é inversamente proporcional a suas boas intenções, meu caro. Salvar o planeta não é economicamente interessante nem para quem nos governa nem para quem dirige nossas empresas.
Fialho passou por aqui, e deixou um comentário tão bacana que seria uma injustiça não transformá-lo em post. Ela discorda de mim, que fiquei com várias pulgas atrás da orelha com o que ele escreveu. Enfim… Leiamos:
Marlos, seus questionamentos sempre revelam ótimas intenções e uma sincera preocupação com o mundo que o cerca, as coisas que o rodeiam. Isso é bom. Na verdade, isso é ótimo, pois indica uma visão de mundo mais ampla que a maioria das pessoas e, seguramente, uma noção de coletividade mais evoluída.
Contudo, é preciso observar certas questões conforme os fatos que as concernem. A relação livros+desmatamento é algo superado no Brasil, uma vez que as principais industrias de papel que fornecem 90% da matéria prima para as gráficas possuem programas de reflorestamento e reciclagem bastante avançados. Você pode tomar conhecimento deles nos sítios das empresas. Atualmente os grandes vilões do desmatamento são a agricultura, a pecuária, a expansão imobiliária e afins. Conforme você mesmo vem denunciando em seu sítio, muitas árvores têm tombado em Natal em virtude de construções e reformas irresponsáveis ambientalmente. Eu conheço um empreendimento em Pirangi que está derrubando milhares de mata nativa para dar lugar a edifícios. Lindo, não?
Mas o que fazer quanto a tudo isso? Deixar de comer? Deixar de comer carne? Deixar de morar no apartamento onde moro, caso eu descubra que a Construtora que o erigiu cometeu um delito ambiental? Pois deixar de publicar um belo livro de crônicas (e acho que vc tem talento para tal) equivale a essas atitudes em gravidade e firmeza de propósito. Perceba você também que Leonardo Panço não é nenhum insensível às questões ambientais. É militante (bastante atuante) dos direitos dos animais (você pode comprovar no fim do livro) e é vegetariano.
Recentemente tenho lido dados que me deixam bastante preocupado. Coisas como “Gasta-se 40 vezes mais água para preparar 1 quilo de carne que 1 quilo de batatas. Por isso, seja vegetariano uma vez por semana.” Ou “Tente ir ao trabalho de bicicleta ou transporte público” (Eu juro que tentei durante o ano de 2008, mas em Natal ambas as coisas são muito difíceis pra quem tem carro). Ou ainda “Gasta-se o equivalente a 1 hora de lâmpada elétrica a cada pesquisa no Google”!!!
E aí, eu pergunto: o que fazer? Deixar de clicar no Google? Deixar de acessar a net? Você tem o direito de gastar tanta energia “a toa”? Eu tenho? Mas aí você fica sem trabalho.
Esse mundo é mais complicado do que podemos pensar, Marlos Apyus. E a tecnologia, parece, não veio pra facilitar muito as coisas.
Nessa questão energética, aliás, as coisas não parecem ir muito melhor que na florestal. O governo brasileiro quer construir uma usina nuclear (que beleza, hein?!), quando poderia investir muito menos grana em energia aeólica, pois o vento é abundante no Nordeste e gerar MUITA energia. Ah, sem falar que o vento é energia limpa e permanentemente renovável. Ou seja: a vontade política de se fazer algo ecologicamente correto e que sirva de exemplo para o mundo é inversamente proporcional a suas boas intenções, meu caro. Salvar o planeta não é economicamente interessante nem para quem nos governa nem para quem dirige nossas empresas.
Pois é… Citei os livros porque estava com um exemplar no colo enquanto escrevia aquelas palavras. Mas nem acho que eles têm concorrência (ainda). São uma instituição com meio século de credibilidade e não são alguns blogueiros que a derrubarão. Mas o mesmo não posso dizer do livro físico, este com recheio de papel. Sei que todas as tentativas de publicação de livros virtuais foram frustradas até o momento. Mas também sei que pesquisam cada vez mais formatos mais compatíveis com as novas gerações. Os mais tradicionais até torcem a cara para iniciativas do tipo, mas quando se tocarem que poderão ter uma Biblioteca Câmara Cascudo inteira dentro de sua agenda, acho que começarão a pensar duas vezes na proposta. E aí as editoras viverão o dilema vivido pelos jornais atualmente.
Quanto à questão ecológica, cada dia mais tenho chegado à conclusão que se trata de uma questão de fé. Assim como tem gente que acha que encontrará a luz com Deus, com Alá, com Buda, há na ecologia quem entenda que preservar o meio ambiente é não rasgar papel, ou não usar luz elétrica, não comer carne, não pesquisar no Google. Justifico meu apego às árvores por morar numa cidade que cada ano que passa perde em qualidade de vida por conta do descaso de sua população para com sua área verde. Mas não sei se teria o mesmo apego se morasse em João Pessoa, por exemplo.
Contudo, penso que o importante é não desistirmos de tentar. De experimentar possibilidades e compartilhar o resultados destas experiências. Até que um dia nos apeguemos a algo realmente próximo da verdade.