Arquivos da Seção ‘Comunicação’

O fim da FM Tropical

295 visita(s) | 01.02.2010 | 9h36 | Por Marlos Ápyus |
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Eu queria ter tido tempo de preparar um material bem trabalhado, conversando com todos os envolvidos, colhendo depoimentos e apurando informações. Mas a idéia só me veio de madrugada enquanto o sono não chegava. Fato é que estamos a poucas horas do encerramento das atividades da FM Tropical e início dos trabalhos da Mix FM. E eu resolvi ao menos trazer um texto em primeira pessoa, usando como fonte apenas minha memória afetiva.

Porque a atual, e é importante usar o termo “atual”, FM Tropical possui certa importância na formação musical da minha geração. Quando aos 15 anos vimos a Transamérica local ser vendida a um grupo religioso que acabou com a franquia, foi na 103,9 que encontramos um mínimo de refúgio, mais especificamente ao meio dia no programa Officina (que daria origem à banda meses depois) apresentado por quatro marmanjos, entre eles Anderson Foca, Luis Henrique e Eduardo Passaia. Mas confesso que estou na dúvida se o “De Volta ao Circo Voador”, programa que há mais de uma década traz às 8 da noite o melhor do pop brasileiro dos 80, veio antes. Continue lendo »


Twitter não é jornalismo? Seguidor não é leitor assíduo? Twitteiro não forma opinião?

347 visita(s) | 27.01.2010 | 10h19 | Por Marlos Ápyus |
3,00 | PéssimoRuimMédioBomÓtimo
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O grande Alex Medeiros, a quem costumo respeitar, soltou há pouco no Twitter uma nota que está sendo repassada por muitos usuários desta rede social:

Twitter não é jornalismo, seguidor não é leitor assíduo e twiteiro não forma opinião.

E é com todo o respeito que tenho por ele que venho aqui dizer que discordo em gênero, número e grau das três colocações. A começar pela definição de jornalismo. Que por falta de tempo, recorro ao expediente mais barato, mas ainda assim coerente, a Wikipedia:

Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias, dados factuais e divulgação de informações. Também define-se o Jornalismo como a prática de coletar, redigir, editar e publicar informações sobre eventos atuais.

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Comprando porcos por lebres

82 visita(s) | 13.12.2009 | 21h13 | Por Marlos Ápyus |
3,50 | PéssimoRuimMédioBomÓtimo
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Em menos de um ano o Brasil terá eleito um novo presidente. A notícia ruim é que se até agora você não conhece o seu candidato, dificilmente o conhecerá. No máximo se deparará com políticos photoshopados publicitariamente de acordo com o que indicam as pesquisas das mais variadas opiniões. Porque tudo não passa de um jogo com cartas mais do que marcadas.

O que pensa Serra, Dilma, Ciro ou Marina sobre, por exemplo, a transposição do Rio São Francisco? Dificilmente você conhecerá. Porque o processo é manjado: contrata-se institutos de pesquisas; através deles descobre-se os assuntos que interessam à população votante; vai-se além e descobre-se o que pensa a respeito de tais assuntos a referida população; baseado nos resultados elabora-se respostas e domestica-se os candidatos para que as respondam aos microfones, sejam dos palanques, sejam dos debates. Continue lendo »


Breve estudo sobre o Twitter

135 visita(s) | 08.11.2009 | 10h49 | Por Marlos Ápyus |
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Domingo de manhã, semi-insônia. Resolvi aproveitar este tempinho livre que me sobra antes de mais tarde voltar a trabalhar no Festival DoSol para fazer um breve estudo sobre o… Twitter. Quem sabe assim o sono volte?

Pois bem. Quis fazer estas contas porque ontem tive a honra de ser “retuitado” por duas feras da web: o Inagaki e o Kibeloco. E achei que este seria o momento ideal para tirar algumas conclusões que me podem ser úteis para responder a vários clientes que pretendem fazer mídia nesta rede social.

Pois bem… No final da manhã de ontem, publiquei o seguinte texto:

O Twitter está me lembrando a universidade. Começamos todos discutindo o futuro da humanidade, terminamos querendo saber quem comeu quem.

Quase que de imediato, o Inagaki, que me segue, repassou a mensagem aos seus seguidores, tomando a liberdade de melhorar o texto, mas mantendo eticamente os créditos a mim:

RT @apyus: Twitter me lembra a universidade. Começamos discutindo o futuro da humanidade, terminamos querendo saber quem comeu quem.

Foi quando comecei a receber citações que se para gente como o Inagaki pode ser algo rotineiro, para mim, ainda um mero anônimo, não é. E a coisa ainda se intensificou quando o Kibeloco, que segue o Inagaki, repassou aos seus quase 200 mil seguidores:

Twitter é como a universidade: começamos discutindo o futuro da humanidade e terminamos querendo saber quem comeu quem. (@apyus)

Apesar de o Kibe ter sido gentil para creditar a mensagem a mim, e não ao Inagaki, desconfiei que muitos tomariam a mensagem como dele. Fui ao search.twitter.com e pesquisei pelo trecho do texto que ninguém estava modificando (“quem comeu quem”) e descobri que, por exemplo, a usuária “priviglioni” repassou o texto da seguinte maneira:

RT @kibeloco Twitter é como a universidade: começamos discutindo o futuro da humanidade e terminamos querendo saber quem comeu quem.

Na paz. Não vou ganhar direito autoral desta brincadeira. Até porque já basta a curtição de ter uma bobagem que passou por minha cabeça se espalhando pela web.

O interessante é que a esmagadora maioria faz questão de citar uma fonte, mesmo que as vezes seja a fonte errada. Mas há aqueles que publicam a frase como sua, como o usuário “davireiss”, por exemplo.

Em 24 horas, a frase acima correu no Twitter de 313 usuários. Com crédito a mim, o autor original, foi quase metade (144 usuários). Na brincadeira, surgiram 30 novos seguidores, como se quase 20% de quem “retuitou” também chegou a ter interesse em continuar me seguindo. O texto atingiu mais de 230 mil usuários do Twitter, o que é o número menos confiável, já que sabemos que há muito bot seguindo a galera, assim como, por ser sábado, nem todos ficaram online e acompanharam em suas timelines o que estava sendo repassado por seus “seguidos”.

E o sono? Não. Ainda não voltou. Pelo menos para mim.


Minha opinião sobre jornalismo na web, blogs e Twitter

60 visita(s) | 31.10.2009 | 8h31 | Por Marlos Ápyus |
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Um cliente ontem entrou em contato se dizendo interessado em montar um blog jornalístico e meio que me pediu uma opinião bem honesta a respeito de jornalismo na web. Abaixo segue um “arredondamento” da resposta que dei a ele. Espero que a leitura seja útil.

O problema da internet é que, quando começamos a entendê-la, ela muda, e aí é preciso recomeçar os estudos. Desconheço nativos potiguares que ganhem dinheiro com Twitter, assim como desconheço quem tenha largado tudo para se dedicar somente a isto, diferente dos blogs, que conheço várias pessoas que vivem dos seus, até mesmo aqui em Natal. Twitter financeiramente viável, até o momento, só em casos extremos como o do Marcelo Tas, que bota uns 20 mil no bolso todo mês por conta da Telefônica. O retorno que ele dá é simples: publica notas em 140 caracteres que sejam do interesse do público alvo da empresa.

Já “estudei”, assim, entre aspas mesmo, vários blogs de “sucesso”, também entre aspas, no Brasil. E o que pude concluir é que tais blogs nada mais são que clippings comentados, cabendo ao blogueiro, como que um mediador que propõe um tema para debate, o primeiro deles (que não necessariamente será o mais elaborado já que a intenção é que a discussão role solta no sistema de comentários do texto em questão).

Com o Twitter, o que tem mudado é que notas curtas são divulgadas lá. Textos mais elaborados permanecem nos blogs para serem linkados no… Twitter. Que tem sido também o destino de boa parte das discussões, o que vem tornando obsoletos os sistemas de comentários dos sites.

Jornalismo propriamente dito, com repórter na rua e apuração? Em blog brasileiro ainda é raridade, apesar de lá fora os caras darem show e furarem muitas agências de notícias. O que me faz crer que quem apostar nisto no Brasil talvez ganhe pelo pioneirismo. Entenda por isto: se os jornais locais, em vez de portais online, montassem blogs verdadeiramente ricos em conteúdo, com repórter apurando tudo que for possível mundo não virtual a fora, creio eu, alcançariam um sucesso muito maior.

O que você disse quanto a não ser simpático ao formato blog, entendo por ser aquele em que uma notícia se segue da outra como que impressas num papel higiênico infinito. Mas isso é só a apresentação. Entendo por blog algo que vai um pouco além, ou seja, que escreve em primeira pessoa, que se permite uma linguagem menos sofisticada com o uso de gírias e até palavrões (melhor exemplo: “Porra, Gabeira!“, texto onde o Pedro Doria mostrava sua decepção com o caso das passagens aéreas usadas irregularmente por Fernando Gabeira), e que, principalmente, dialoga com o leitor da forma mais transparente possível.

Se você se dá bem com áudio e imagem, pode ser algo que some já que está muito fácil realizar pequenas entrevistas com câmera de celular mesmo e publicar num canal do YouTube. Canal este que pode estar em sintonia com sua conta no Twitter, que pode estar em sintonia com o que anda no seu blog. Enfim… No momento a onda é estar onipresente virtualmente. Pode ser que tudo mude ano que vem. Pode ser que não. O lance é navegar ao sabor do vento.

Publicidade em blogs? Muitos até anunciam. Mas o retorno ao anunciante é baixo, o que torna difícil manter sua fidelidade. Mesmo o maior dos banners em flash é pouco, ignorado, clicado por apenas 15% dos internautas, meio que sem querer querendo. Justamente os 15% menos interessantes. O que me faz pensar que publicidade na internet precisa ser mais “aloprada”. Anúncio de jornal ocupa página inteira. Anúncio em blog ocupa um espaçozinho sem graça. Ou o jornalismo na web usa a publicidade de maneira digna, ou não pagará suas contas.

Terminei o e-mail falando do projeto do cliente propriamente dito. Espero que de alguma forma meus pontos de vista sejam úteis a vocês. Mas sintam-se livres para discordar.


O Twitter 18 meses depois

47 visita(s) | 10.10.2009 | 15h29 | Por Marlos Ápyus |
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Comecei no Twitter em 29 de abril de 2008. Não sou dos usuários mais antigos, mas possuo mais experiência nesta rede social que grandes nomes como Marcelo Tas, Luciano Huck e William Bonner, por exemplo. O que isso quer dizer? Nada. Ou apenas que é possível hoje eu fazer um boa releitura já bem longe do que se entede por “primeira impressão”.

Rede Social

Pois bem… O Twitter é uma rede social. Funciona? No meu caso, ainda não. Ou “não como se imagina”. Graças à sua API, conheço virtualmente pessoas como o fotógrafo Sandro Fortunato, por exemplo. Mas mais de um ano depois, nunca convidei (ou fui convidado) a bater um rango no Mangai no final do expediente. Contudo, pude manter mais contato com conhecidos que hoje posso considerar amigos. Ou ao menos “colegas virtuais”.

Celebridades

A maior curtição do Twitter é, sem dúvidas, a ilusão de que estamos no MSN com Ashton Kutcher, Ivete Sangalo, Xuxa ou o José Serra. Vez em quando temos a sorte de sermos respondidos ou, o sonho de todos, “retuitados”. Curtição maior ainda é manter este contato sem o “photoshop comunicacional” de seus assessores de imprensa. Daí que descobrimos O JEITINHO da Xuxa, ou que Fernanda Young é na vida real tudo aquilo que sempre imaginamos (mesmo que isto não seja nada bom).

Debates

Debater em 140 caracteres é arriscado. Ao comprimir os argumentos, não reservamos espaço para gentilezas. E eis que todos soamos antipáticos e donos da razão. De toda forma, é um exercício saudável. Aprende-se bastante. Mais com o balanceamento das posições do que com posicionamentos individuais. Explico: de pouco vale saber o que Zé pensa acerca do prêmio nobel de Obama. Mas, coletivamente, é interessantre descobrir que, na proporção em que os brasileiros são contra José Sarney, são a favor das olimpíadas no Rio.

É fácil ser bonito no Twitter?

Mais até que no Orkut. Porque é só uma foto. Não é possível que você não consiga uma em que esteja apresentável. Contudo, sua imagem não vale mais que 140 caracteres. Por mais que o espaço seja curto, o bom trato com o português é dado pela maioria dos tuiteiros. Abusar de abreviações, longas histórias em várias “tuitadas”, exagerar nas informações desinteressantes, tudo isto é incômodo e faz com que se perca seguidores. Enfim… Há sim um certo código de comportamento implícito.

Indiretas

Eu particularmente considero este um dos maiores males da ferramenta. Quando alguém opta por não te dizer algo na cara (usando o recurso do “reply”) para jogar uma indireta. Não é prática da maioria, mas há mestres nisto. Eu reservo-me ao direto de bloqueá-los todos (ou quase todos). Contudo, há quem ache graça.

Falta de assunto

Sim, é verdade. Por colocarmos muito do que ocorre em nossas vidas lá, tantas vezes os encontros presenciais com nossos amigos findam sem assunto, já que costuamos chegar às resenhas sem nenhuma “novidade”. O que não nos impede de passar a limpo tudo e gerar altas risadas que fazem valer a noite.

Exposição

Por mais que você selecione o que escreve, está sim se expondo mais do que imagina. Isto implica num preço e cabe você descobrir se está disposto a pagá-lo. Possuo alguns clientes que já se queixaram que eu passo o dia no Twitter enquanto atraso seus trabalhos. Eu sou do time que realmente acha que isto não é da conta deles (até porque se só “tuito” no trabalho, e se “tuito” 14 horas por dia, é porque trabalho 14 horas por dia. E disso o cliente não se toca). Corro o risco de perder meus cliente? Corro. Mas é o preço que estou disposto a pagar por minha liberdade de expressão.

Febre de comediantes

Tudo em demasia é ruim e isso vale até para os humoristas. Ainda mais quando não deixam passar nem mesmo a mais óbvia das piadas, como a morte do protagonista de um filme chamado “Ghost”. Bom humor, lógico, é sempre bem vindo. Mas é preciso parar para pensar antes se não se está apenas soando inconveniente.

Humor negro

Eu sou dos maiores fãs de humor negro. Mas sei que se trata de um estilo de humor admirado por poucos. Assim como não boto Sepultura no player quando um bebê adentra minha residência, evito colocações mais pesadas que possam ofender a grande variedade de seguidores que acompanham tudo que escrevo. Um piada que publiquei quando Hamilton bateu na última volta de um GP de F1 este ano dizia: “Hamilton, quando não bate na entrada, bate na saída”. Sim, era uma paródia com a piada racista que todos vocÊs conhecem, e sim, a contei porque Hamilton é negro. Mas a fiz porque estou ciente do quanto sou fã da cultura negra, inclusive do próprio Hamilton. Mas quantos que me lêem sabem disto? Enfim… Evitar dor de cabeça e ofenças gratuitas é bom para todos. Resultado: 30 segundos depois deletei a piada.

Dica de ouro?

Não é de ouro. Mas é a que coloco como prioridade: só escrever no Twitter aquilo que diria à pessoa do birô ao lado. Você até diz coisas como “vai ter show do Rappa”, mas não diz coisas como “vou cagar”. Ou, ao menos, ela preferia que você não dissesse.


Em defesa das generalizações

21 visita(s) | 26.08.2009 | 10h41 | Por Marlos Ápyus |
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Estou recorrendo ao blog sempre que uma idéia não cabe nos 140 caracteres do Twitter. Então contextualizemos:

Alex Medeiros, em seu blog, escreveu:

  • Jornalista desconfia, blogueiro cidadão torce;
  • Jornalista critica, colunista chapa-branca aplaude;
  • Jornalista acusa, assessor de imprensa contemporiza;
  • Jornalista irrita, colunista social ameniza;
  • Jornalista condena, publicitário defende e cobra em suaves prestações;

No Twitter, foi ele criticado por Jener Tinoco e Patrício Júnior, ambos publicitários:

  • @alexmedeiros59 Alex, li seu artigo, homem pare de falar de publcitário. Tem honesto e desonesto em todas as profissoes.
  • Concordo com @JenerTinoco. Nem todo publicitário é escroto. As generalizações nunca são 100% justas.

Ambos nitidamente reclamam da generalização que os atingiu. Patrício já havia feito isto também quando recentemente criticou as generalizações que fazem acerca dos fumantes quando debatemos a lei anti fumo paulista.

Tudo contextualizado, vamos ao meu pitaco. Continue lendo »


Dúvida sobre leitura de pesquisas

53 visita(s) | 17.08.2009 | 10h51 | Por Marlos Ápyus |
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Ricardo Rosado, em seu blog, publicou um dado intrigante: o trabalho de Micarla junto á prefeitura de Natal teria a aprovação de apenas 11% da população.

Ricardo é um cara bastante entendido sobre pesquisas. Eu ainda usava chupeta quando ele começou a trabalhar com isso, só para se ter uma idéia. Mas estranhei que a lógica que o vi aplicar era bastante distinta da utilizada em outras publicações. Para encontrar a aprovação, ele subtrai as avaliações negativas das positivas. Parece justo. Mas uma manchete com esta lógica quando colocada lado a lado com outras manchetes que usam outra lógica causa distorções. Por isso achei por bem deixar lá a seguinte dúvida:

Olá Ricardo,

Estava numa discussão no Twitter tentando entender este cálculo. Não estou duvidando dele. Mas apenas querendo entender.

Porque em outras matérias sobre “aprovação” política, não o vejo em prática. Por exemplo: http://migre.me/5kAw

Note que, por sua lógica, Lula deveria aparecer com 59% de aprovação (67% – 8%). Mas a matéria destaca os 67% como sendo de aprovação do mesmo.

Até onde entendo, 33% de aprovação é algo péssimo. Tenho para mim que Bush filho no final do mandato tinha mais que isso. Mas a lógica de subtrair os “bons/ótimos” dos “ruins/péssimos” poderia gerar em alguém com 50% de avaliações positiva e 50% de avaliações negativas um aprovação de 0%. Ou até uma aprovação negativa, se os valores fossem, por exemplo, 40% e 60% respectivamente.

Enfim… Lembrando os tempos em que tinha aula contigo, gostaria de esclarecer esta dúvida. Que seria basicamente: qual a diferença da lógica aplicada em seu artigo da aplicada em jornais como a Folha de São Paulo?

Abraços,

Marlos Ápyus

Assim que tiver a resposta, publico aqui.


O papel do papel na mídia II

32 visita(s) | 11.08.2009 | 10h57 | Por Marlos Ápyus |
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Marlos, seus questionamentos sempre revelam ótimas intenções e uma sincera preocupação com o mundo que o cerca, as coisas que o rodeiam. Isso é bom. Na verdade, isso é ótimo, pois indica uma visão de mundo mais ampla que a maioria das pessoas e, seguramente, uma noção de coletividade mais evoluída.
Contudo, é preciso observar certas questões conforme os fatos que as concernem. A relação livros+desmatamento é algo superado no Brasil, uma vez que as principais industrias de papel que fornecem 90% da matéria prima para as gráficas possuem programas de reflorestamento e reciclagem bastante avançados. Você pode tomar conhecimento deles nos sítios das empresas. Atualmente os grandes vilões do desmatamento são a agricultura, a pecuária, a expansão imobiliária e afins. Conforme você mesmo vem denunciando em seu sítio, muitas árvores têm tombado em Natal em virtude de construções e reformas irresponsáveis ambientalmente. Eu conheço um empreendimento em Pirangi que está derrubando milhares de mata nativa para dar lugar a edifícios. Lindo, não?
Mas o que fazer quanto a tudo isso? Deixar de comer? Deixar de comer carne? Deixar de morar no apartamento onde moro, caso eu descubra que a Construtora que o erigiu cometeu um delito ambiental? Pois deixar de publicar um belo livro de crônicas (e acho que vc tem talento para tal) equivale a essas atitudes em gravidade e firmeza de propósito. Perceba você também que Leonardo Panço não é nenhum insensível às questões ambientais. É militante (bastante atuante) dos direitos dos animais (você pode comprovar no fim do livro) e é vegetariano.
Recentemente tenho lido dados que me deixam bastante preocupado. Coisas como “Gasta-se 40 vezes mais água para preparar 1 quilo de carne que 1 quilo de batatas. Por isso, seja vegetariano uma vez por semana.” Ou “Tente ir ao trabalho de bicicleta ou transporte público” (Eu juro que tentei durante o ano de 2008, mas em Natal ambas as coisas são muito difíceis pra quem tem carro). Ou ainda “Gasta-se o equivalente a 1 hora de lâmpada elétrica a cada pesquisa no Google”!!!
E aí, eu pergunto: o que fazer? Deixar de clicar no Google? Deixar de acessar a net? Você tem o direito de gastar tanta energia “a toa”? Eu tenho? Mas aí você fica sem trabalho.
Esse mundo é mais complicado do que podemos pensar, Marlos Apyus. E a tecnologia, parece, não veio pra facilitar muito as coisas.
Nessa questão energética, aliás, as coisas não parecem ir muito melhor que na florestal. O governo brasileiro quer construir uma usina nuclear (que beleza, hein?!), quando poderia investir muito menos grana em energia aeólica, pois o vento é abundante no Nordeste e gerar MUITA energia. Ah, sem falar que o vento é energia limpa e permanentemente renovável. Ou seja: a vontade política de se fazer algo ecologicamente correto e que sirva de exemplo para o mundo é inversamente proporcional a suas boas intenções, meu caro. Salvar o planeta não é economicamente interessante nem para quem nos governa nem para quem dirige nossas empresas.

Fialho passou por aqui, e deixou um comentário tão bacana que seria uma injustiça não transformá-lo em post. Ela discorda de mim, que fiquei com várias pulgas atrás da orelha com o que ele escreveu. Enfim… Leiamos:

Marlos, seus questionamentos sempre revelam ótimas intenções e uma sincera preocupação com o mundo que o cerca, as coisas que o rodeiam. Isso é bom. Na verdade, isso é ótimo, pois indica uma visão de mundo mais ampla que a maioria das pessoas e, seguramente, uma noção de coletividade mais evoluída.

Contudo, é preciso observar certas questões conforme os fatos que as concernem. A relação livros+desmatamento é algo superado no Brasil, uma vez que as principais industrias de papel que fornecem 90% da matéria prima para as gráficas possuem programas de reflorestamento e reciclagem bastante avançados. Você pode tomar conhecimento deles nos sítios das empresas. Atualmente os grandes vilões do desmatamento são a agricultura, a pecuária, a expansão imobiliária e afins. Conforme você mesmo vem denunciando em seu sítio, muitas árvores têm tombado em Natal em virtude de construções e reformas irresponsáveis ambientalmente. Eu conheço um empreendimento em Pirangi que está derrubando milhares de mata nativa para dar lugar a edifícios. Lindo, não?

Mas o que fazer quanto a tudo isso? Deixar de comer? Deixar de comer carne? Deixar de morar no apartamento onde moro, caso eu descubra que a Construtora que o erigiu cometeu um delito ambiental? Pois deixar de publicar um belo livro de crônicas (e acho que vc tem talento para tal) equivale a essas atitudes em gravidade e firmeza de propósito. Perceba você também que Leonardo Panço não é nenhum insensível às questões ambientais. É militante (bastante atuante) dos direitos dos animais (você pode comprovar no fim do livro) e é vegetariano.

Recentemente tenho lido dados que me deixam bastante preocupado. Coisas como “Gasta-se 40 vezes mais água para preparar 1 quilo de carne que 1 quilo de batatas. Por isso, seja vegetariano uma vez por semana.” Ou “Tente ir ao trabalho de bicicleta ou transporte público” (Eu juro que tentei durante o ano de 2008, mas em Natal ambas as coisas são muito difíceis pra quem tem carro). Ou ainda “Gasta-se o equivalente a 1 hora de lâmpada elétrica a cada pesquisa no Google”!!!

E aí, eu pergunto: o que fazer? Deixar de clicar no Google? Deixar de acessar a net? Você tem o direito de gastar tanta energia “a toa”? Eu tenho? Mas aí você fica sem trabalho.

Esse mundo é mais complicado do que podemos pensar, Marlos Apyus. E a tecnologia, parece, não veio pra facilitar muito as coisas.

Nessa questão energética, aliás, as coisas não parecem ir muito melhor que na florestal. O governo brasileiro quer construir uma usina nuclear (que beleza, hein?!), quando poderia investir muito menos grana em energia aeólica, pois o vento é abundante no Nordeste e gerar MUITA energia. Ah, sem falar que o vento é energia limpa e permanentemente renovável. Ou seja: a vontade política de se fazer algo ecologicamente correto e que sirva de exemplo para o mundo é inversamente proporcional a suas boas intenções, meu caro. Salvar o planeta não é economicamente interessante nem para quem nos governa nem para quem dirige nossas empresas.

Pois é… Citei os livros porque estava com um exemplar no colo enquanto escrevia aquelas palavras. Mas nem acho que eles têm concorrência (ainda). São uma instituição com meio século de credibilidade e não são alguns blogueiros que a derrubarão. Mas o mesmo não posso dizer do livro físico, este com recheio de papel. Sei que todas as tentativas de publicação de livros virtuais foram frustradas até o momento. Mas também sei que pesquisam cada vez mais formatos mais compatíveis com as novas gerações. Os mais tradicionais até torcem a cara para iniciativas do tipo, mas quando se tocarem que poderão ter uma Biblioteca Câmara Cascudo inteira dentro de sua agenda, acho que começarão a pensar duas vezes na proposta. E aí as editoras viverão o dilema vivido pelos jornais atualmente.

Quanto à questão ecológica, cada dia mais tenho chegado à conclusão que se trata de uma questão de fé. Assim como tem gente que acha que encontrará a luz com Deus, com Alá, com Buda, há na ecologia quem entenda que preservar o meio ambiente é não rasgar papel, ou não usar luz elétrica, não comer carne, não pesquisar no Google. Justifico meu apego às árvores por morar numa cidade que cada ano que passa perde em qualidade de vida por conta do descaso de sua população para com sua área verde. Mas não sei se teria o mesmo apego se morasse em João Pessoa, por exemplo.

Contudo, penso que o importante é não desistirmos de tentar. De experimentar possibilidades e compartilhar o resultados destas experiências. Até que um dia nos apeguemos a algo realmente próximo da verdade.


O papel do papel na mídia

32 visita(s) | 06.08.2009 | 15h06 | Por Marlos Ápyus |
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Muita gente vem comentando a notícia da queda na circulação dos jornais. Mais que isso, alguns já tiram conclusões questionáveis (ou devo dizer convenientes?). Mas é preciso entender bem: é queda na circulação. Que por isso se entende: estão vendendo menos exemplares. Mas será que podemos entender com isso que há menos gente se inteirando do teor de suas matérias? Não necessariamente.

O Fantástico digere a pior audiência de sua história. Mas é fato que perdeu seus telespectadores não necessariamente para concorrentes, e sim para outras formas de entretenimento, que podem ser entendidos como outros canais pagos de TV, as salas a mais de cinema, as praças de alimentação e o gigante chamado internet.

O rádio enfrenta crise parecida. Por que ligar numa FM e torcer para que uma música do meu gosto seja escolhida pelo locutor da hora se eu posso escolhê-la em meu iPod, ou na pasta de MP3 do meu PC, enquanto trabalho? Continue lendo »