Os que são, e os que acham que são Lula, pra variar, falando besteira…
fev 21

Você consegue cantar algo que não é música? Viagem minha, eu sei. Mas é possível. Imagine a cena clichê: um personagem bisbilhota a vitrine de uma loja próximo a um segurança. O segurança nota e se aproxima. O bisbilhoteiro, para fingir que não bisbilhotava, começa a assoviar algo que não é só ruído mas é musical, e não, não é uma música.

Sweeney Todd é assim. Eles cantam, mas aquilo não é música. Vez ou outra identificamos um ou outro refrão. Mas não. Você não sairá do cinema com uma música presa na cabeça. Porque elas inexistem neste filme.

Segundo gostou muito do filme, só não curtiu o casal cantando. Empolguei-me com as palavras dele (até então eu jurava que tinha sido a única pessoa a sair do cinema feliz) e resolvi escrever também. Contudo, gostei da voz de Depp. Porque é grave, e ultimamente, vide American Idols, música baiana e forró elétrico, nossos ouvidos andam muito saturados de vozes agudas querendo a cada final de refrão provar para eles mesmos que conseguem atingir notas altas. Um dos melhores cantores da história jamais precisou se exibir com notas agudas (digo “jamais”, mas não falo com 100% de certeza) e seu nome era Frank Sinatra.

Voltando a Todd, penso que seu único defeito é que faltou silêncio. Eles até existem, mas são poucos. A música, ou a ausência dela, quase não dá sossego. E isso cansa depois de alguns minutos. Contudo, o roteiro se segura numa ótima história, e de repente se vão as mais de duas horas de projeção. A dupla Tim e Johnny mais uma vez fez bonito. Aproveitem enquanto está em cartaz pois num bom cinema aquela edição de som e fotografia farão muita diferença.

P.S.: Alguém já pensou em criar uma comunidade chamada “César Ferrario é Borat“?

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: , , ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 21/02/08 às 18h04 nas seções Arte & Cultura, Notícias. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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4 Comentários para “Sweeney Todd: o musical sem música”

  • Às 22..2008 16:48, Segundo escreveu:

    pois é, quase bati palmas no final da sessão. mas infelizmente o público estava meio frio. ninguém mais grita no cinema hoje em dia? só senti coisa semelhante quando fui ver mestre dos mares. me contorcia de alegria na poltrona enquanto o resto da platéia bocejava de tédio. vou parar de me preocupar com a opinião pública e começar a jogar pipoca nas fileiras da frente.

    • Às 26..2008 13:45, jão escreveu:

      cara, acho musical um saco. talvez goste desse que não tem música.

      • Às 27..2008 07:53, Nary escreveu:

        A única música que eu sai com ela na cabeça foi: “I feeeeeeeeel you Johaaaaanaaaaaaaaaaaaa”
        Meu Deus como eu já estava enjoada disso hehehehe
        Adoro musicais mas quero um que me deixe com as melodias grudadinhas na cabeça…
        mas ao todo Sweeney Todd é um filme muito³ bom e poucos estão compartilhando dessa opinião porque o que eu vi de gente saindo do cinemark xingando o filme…

        • Às 20..2008 13:34, dAN escreveu:

          Eu achei Sweeney Todd o máximo, além de ser um filme de Tim Burton, que é o diretor que eu mais admiro, o protagonista é o maravilhoso Johnny Depp, com a companhia de Helena Boham Carter, que é outra maravilha atuando.
          Não tem como a história do ingênuo barbeiro Benjamim Barker deixar de conquistar o público. Quando Depp canta, logo no início, fazendo um breve resumo de sua própria história para Anthony, aquela letra conquista, emociona e deixa o telespectador querendo saber do resto!
          Eu gostei de todas as músicas, mas as melhores, na minha opinião, é a Epiphany, que ficou na minha cabeça depois de sair do cinema e, de certo modo, emociona quem acompanha a letra cantada por Depp. A Little Priest, que eu adorei, achei divertida. A música Johanna é meio enjoada, mas não fica para trás.
          [NOTA DO WEBMASTER: A PARTIR DESTE PONTO, ESTE COMENTÁRIO CONTÉM SPOILERS]
          Um dos personagens que eu mais gostei, tirando Sweeney Todd e Nellie Lovett, eu gostei do pequeno Toby, mas pena que é ele quem mata Sweeney Todd.
          Gostei de ver a deliciosa morte do Juiz Turpin, quando Sweeney se revela, fazendo Turpin ver que o barbeiro, na verdade, era ninguém menos que o pobre Benjamim Barker.
          Uma coisa que deixou a desejar foi, de longe, o final. Pois Johanna não descobre que Sweeney Todd é o seu verdadeiro pai, e também não mostra o que acontece com ela e Anthony. Outra coisa que eu esperei muito para ver era a produção de tortas com os cadáveres, mas a senhora Lovett já surgia com as tortas prontas.
          Mas tirando esses pequenos detalhes, vale a pena, pra quem ainda não viu, conferir essa belíssima obra em que se tornou o musical da Broadway, Sweeney Todd, O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

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          out 06

          Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

          set 18

          Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
          - Que bebê horrível!
          O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
          - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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