Mais bobagem A volta desnecessária
mai 24

Essa é a minha relação com política: trabalho de 12 a 14 horas por dias para nem sempre ao final do mês conseguir quitar minhas contas. Durmo 6 horas por noite. Uso as 4 ou 6 horas restantes para me alimentar, descansar alguns minutos, fazer minha higiene e necessidades pessoais, resolver qualquer imprevisto e me inteirar do que anda acontecendo no mundo. Este último, por vezes ocorre durante a média de 60 minutos diárias que perco acompanhando as atualizações de meu leitor de Feed RSS (que já possui 150 publicações cadastradas).

Desta centena e meia, pelo menos metade possui relação direta com o trabalho que desenvolvo. É a forma mais útil que encontro para estar constantemente atualizado com a tecnologia em voga no mundo. Outra parte diz respeito ao puro entretenimento. E há um bom pedaço, diria algo em torno de 30%, voltado à cobertura da política nacional. Ou seja… Minha relação diária com política se dá em torno de 20 minutos por dia, infelizmente meio nas pressas, já de saída, fazendo uma leitura dinâmica onde só consigo captar uma ou outra frase de impacto.

Sei que está muito longe do ideal, mas que está muito acima da média brasileira, não tenho dúvidas. Ainda assim, não me julgo uma pessoa entendedora de política, até porque não basta ler ou ver o noticiário. É sempre preciso entender quem está por trás daquele release. Só depois de vasculhar nestes sites, entendi, por exemplo, que a Carta Capital só defende o governo porque está sendo financiada pelo mesmo. Noutra esfera, e isso não precisei suar tanto para descobrir, é preciso ter um mínimo de conhecimento de mundo para entender que a TV Tropical jamais criticará a pessoa de José Agripino Maia, assim como jamais o apresentará como “meu chefe”.

Há uns dois anos decidi que minha missão dentro da política era procurar políticos honestos como quem procura agulhas num palheiro. E de fato não é nada fácil. Aqui em Natal, por exemplo, ainda não encontrei ninguém. Quer dizer… Yuno Silva vai se candidatar a vereador e torço muito para que ele seja o primeiro pelo qual colocarei minha mão no fogo. Mas ainda estou com o pé atrás e vou deixar que ele mesmo consiga provar que é de confiança. De resto, completam meu paupérrimo álbum de figurinhas da honestidade política as pessoas de Cristóvão Buarque, Demóstenes Torres, Eduardo Suplicy (com certas ressalvas), Heloísa Helena (com mais ressalvas ainda), Fernando Gabeira, Gustavo Fruet e Soninha. Esta última, por exemplo, só me toquei de sua postura quando Rodrigo Levino escreveu em seu blog a respeito de quanto a admirava.

E Jefferson Perez? Bom… Até ontem era um velhinho raquítico e antipático. Jurava que devia ser do PMDB com sua postura de coronel rural. Qual não foi minha surpresa ao ler que Lúcia Hippólito lamentava sua morte por ser ela uma falta enorme para a ética pública. Pera lá… Quer dizer que o senador pelo Amazonas deveria estar no meu álbum de figurinhas? Eu nem sabia que ele era do Amazonas. Deixa eu explicar melhor minha ignorância: nós últimos anos aprendi com o noticiário que Roberto Jefferson era o corrupto que nossa nação pediu a Deus; que Renan Calheiros pegou uma jornalista e se deu mal; que ACM morreu após anos mandando e desmandando na Bahia (e no país); que Dilma sofreu com torturas e humilhou José Agripino; que Palloci bisbilhotou as contas pessoais de um pobre coitado; que Zé Dirceu pode estar envolvido com a morte de Celso Daniel; que Fernando Collor voltou à vida pública; que José Sarney quis censurar o Google para se reeleger… Por que só os corruptos têm vez na mídia? Por que só ontem, depois de enfartado, rasgaram para o mundo todo que Jefferson Perez era um homem digno? Será que vão esperar para dizer o mesmo de Soninha? Ela precisa morrer para que sua dignidade faça falta à nossa nação?

Hoje, no blog do Tas, foi linkado este discurso de Jefferson Perez de poucos meses antes das eleições passadas. Ouvi e senti vontade de chorar. Chorar por pena de sua morte, e por raiva deste país. Foi quando decidi escrever estas palavras.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags: , , , , , , , , ,

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 24/05/08 às 10h15 nas seções Destaques, Política & Economia. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

A segunda parte dele depende de você. Comente, ou faça um trackback de seu site. Só não deixe de participar, contanto que se use do bom senso. A moderação é feita, na medida do possível, durante o dia, e só bloqueará comentários ricos em má-fé. Pretendo responder aos mesmos no período da noite.

Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

5 Comentários para “Jefferson Perez morreu e virou meu ídolo”

  • Às 27..2008 19:39, Ulla escreveu:

    Repercutindo…

    Na verdade, acho que as duas posturas me incomodam…tanto dizer que não sabe, mas dar opinião mesmo assim, porque no meu entendimento, soa um pouco pretensioso… na paz, sem dirigir isso diretamente à você… Ou se fingir sabedor, sendo um completo ignorante, e deixando isso claro no primeiro argumento.

    Embora, eu tenda a concordar com seu argumento, de que deixar claro o desconhecimento sobre um determinado assunto é uma maneira de mostrar que a opinião nada mais é do que uma opinião, e portanto pode ser dicutida sem maiores traumas pra nenhum dos lados…

    Na verdade, a estória toda surgiu porque estávamos conversando justamente sobre alguns “colegas nossos de profissão” que adotam essa postura de “não sei do que estou falando”…o que se traduz não na frase expressa claramente, mas nos argumentos pouco concretos…e que mesmo assim querem mostrar como sua opinião é mais relevante nesse universo.

    Nenhuma história que valha a pena ser esmiuçada, nem que vá levar a grandes desdobramentos, já que, as pessoas em questão nem sabem que meu blog existe…

    É só uma opinião, sem maiores traumas…

    Mesmo assim, obrigada por trazer a sua opinião à baila…

    • Às 29..2008 00:03, Márcio escreveu:

      Adorei! Só faltou mandar o povo tomar no rabo! Hauahuahhaua. Mas…será que ele pode falar? Melhor pensar que sim, né? Ele morreu, pode vir puxar meu pé…

      • Às 05..2008 23:23, -sOliNo- escreveu:

        jefferson perez foi meu candidato a vice-presidente. o velhinho era foda.

        • Às 06..2008 09:28, Enrique Robledo escreveu:

          Oi Marlos! Tudo bom grande homem? Lendo teu comentário aqui, e sendo que eu sou extrangeiro e não conheço muito de política brasileira, mais conheço um sobrinho neto do Jefferson, que no dia da morte do velhinho ele me contou algumas anedotas que claro como são historias contadas por alguém da familia não tem muito crédito, mais parece que o Perez era assim mesmo pessoa honesta, só para adornar o teu post vou contar uma aqui, ele diz que o senador não aceitou uma grana que os senadores tem porque ele achava injusta, e que com parte do dinheiro dele comprava frutas aos produtores do Amazonas para distribuir em outras zonas mais pobres.
          Enquanto à política, se eu votasse aqui, eu votaria sem dúvidas no Cristovão Buarque.

          Abraço!!

          • Às 23..2008 03:23, Yuno escreveu:

            fala Marlos,

            agradeço o voto de confiança e garanto que vc vai entrar para o casting dos Heroes como o primeiro homem que coloca a mão no fogo e não se queima.

            gde abraço

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            ago 17

            Tenho estudado aos poucos o método GTD (Getting Things Done) do David Allen. Trata-se de um conjunto de técnicas de organização pessoal e profissional que se aplicadas em conjunto proporcionam um melhoramento de sua produtividade. Pretendo aos poucos trazer para cá algumas dicas sobre o que tenho apurado. E hoje devo falar sobre delegação de tarefas.

            ago 09

            Com muita razão, já disse Winston Churchill, “a democracia é o pior de todos os sistemas, exceto todos os demais”. Eu mesmo sou um dos maiores defensores dessa ditadura da maioria. Mas é preciso também recordar que o que diferencia a ciência da religião é a necessidade que a primeira tem de questionar suas próprias verdades. Assim sendo, para nosso próprio bem, não é interessante nos apegarmos à democracia de tal forma que se torne crime julgá-la. Não que precisemos de revoluções. Mas mesmo as reformas necessitam destas reavaliações para que se façam os devidos ajustes.

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