A cena é bem típica. Um parque, um pai e um menino ruim. O pai ama o menino ruim. Mas o menino, como seu próprio nome já diz, é ruim. E assim inicia-se a partida. O pai tenta sorrir com as brincadeiras do menino, incentivá-lo a fazer malabarismos que lhe causem sorriso, chutar a bola, descer o escorrego, olhar pro “au au”, latir com o “au au” e tirar foto beijando a bochecha de uma menina que lá também brincava mas que não parecia ruim. Já o menino ruim, de instante em instante, se dana a pular da casinha a cinco vezes sua altura do chão, tentar lamber a bola suja de areia e, quando menos espera, vem entregar na mão do pai as fezes do “au au”. O pai tem que estar sempre atento para o menino ruim não fazer ruindade.
A partida de ontem com o Brasil não parecia muito diferente. A seleção de futebol era o menino ruim. A torcida, seu pai. De instante em instante o menino ruim esboçava uma tentativa de segurar o “um a zero”, o jogo sem rumo, o esporte feio. E a torcida, como bom pai, manobrava-o, educava-o. Vaiava o que merecia ser vaiado e, segundos depois, aplaudia o que merecia ser aplaudido. O placar final apenas mostrou o quão bom educador foi o público de mais de 80 mil pessoas.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 18/10/07 às 12h00 nas seções Esportes & Jogos. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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