O sufixo “eiro” é utilizado na língua portuguesa como um formador de profissão. Lancheiro, masseiro, borracheiro, verdureiro, lixeiro, jornaleiro e enxadeiro são apenas alguns exemplos. Até mesmo “brasileiro” estaria inicialmente relacionando com aqueles que viviam de vender pau brasil. Chamo atenção a estes detalhes para definir bem a quem quero atingir neste texto. Não é simplesmente o usuário de maconha, mas sim o maconheiro, aquele que vive de e/ou para isso.
Pois bem. Acho o maconheiro um mala de marca maior. Tenho alguns amigos usuários de maconha e no geral tratam-se de seres suportáveis. Dos maconheiros, fiz bem em tomar distância, fosse por objetivos diferentes na vida, ou por pura inimizade mesmo. E desde então sou mais feliz. Em nada diferencio o playboy que abre a mala do carro nas alturas do maconheiro que puxa fumo no intervalo da aula. Ambos não querem outra coisa senão aparecer, causar impacto junto àqueles que lhe rodeiam. Porque se maconha não vicia, não há necessidade de ele estar ali em local e momento mais que inadequados entregando sua alma a Jah.
Na noite desta quinta-feira fui à UFRN conferir a apresentação de uma amiga com sua banda na programação cultural da CIENTEC. Lá pelas tantas, gritos surgem da platéia. Olho para trás e todos vaiam alguns policiais que revistam algumas pessoas buscando por drogas. Sei que a reputação da polícia não permite defensores, mas dali dos meus 50 metros de distância podia dizer que revistavam todos com respeito, sem truculência. E é função sim da polícia revistar a população na procura por infratores da lei.
A quem achar inoportuna a ação policial, basta ler esta matéria do portal No Minuto. Não que descobriram o que há muito todos já sabem - que muitos estudantes universitários matam aula para se drogar nos corredores da UFRN - mas simplesmente acharam que passou-se dos limites - como se a lei permitisse o uso de drogas ilícitas em poucas quantidades.
A verdade é que os universitários sempre se drogaram muito. No meu tempo, participei de um Centro Acadêmico ao qual depois me vi obrigado a me ausentar onde a grande maioria dos integrantes interrompia suas inúmeras reuniões não para outra coisa, mas para girar o cachimbo. Em encontros estudantis, além da maconha e do álcool, eram utilizados pelos universitários comprimidos, benzina, cocaína, cola de sapateiro e até drogas injetáveis. Se agora fazem matérias a respeito, pasmem, é porque chegou-se a níveis ainda mais insuportáveis. E é justamente o que me confirmou uma aluna de um dos cursos do setor II. O cheiro de maconha invade as salas de aulas, alunos fazem competição de peteca aos gritos, tracam-se em salas vazias, drogam-se lá dentro e impedem que professores dêem aula. Para completar, nasce aos poucos uma divisão e um conflito nada saudável entre caretas e descolados.
O maconheiro universitário está longe, muito longe mesmo, de ser maioria. Mesmo no curso em que me formei, o curso de jornalismo, onde reina a cultura do sexo, drogas e rock and roll, eram eles representantes de menos da metade dos estudantes. Contudo, são eles que tomam a palavra, que se candidatam no movimento estudantil, que organizam os encontros, que dormem nas repúblicas, que organizam trotes e calouradas, que faltam aulas e que são os primeiros a acampar em frente à reitoria na hora de defender uma greve. Sei que generalizo e há exceções. Mas sei que elas são poucas e hão de concordar comigo.
Sou a favor da liberação das drogas. De todas as drogas. Contudo, mesmo num país onde fosse permitido o uso de heroína, eu seria contra que cidadãos se injetassem na porta de uma sala onde tenta-se formar psicólogos. Mas o maconheiro parece ser o primeiro a não concordar com isso. Incomodar muita gente, ao que tudo indica, parece bem mais em sintonia com sua filosofia.
Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte
Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 5/10/07 às 1h04 nas seções Atitude & Comportamento. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.
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Oi Marlos. Voce sempre me surpreende. Mas a coisa que mais me surpreende é que vc é , de fato, independente. É muito raro encontrar lucidez hoje em dia, lucidez e autonomia, ai nem se fala. (Para mim) pouco importa a sua opinião sobre maconha ou maconheiros. O que importa é que vc tem conduta e pensamento próprios. Congrats
É…. Opnião é que nem traseiro, cada um tem o seu e ponto. Tanto faz sua opnião pra mim, e eu, que sou maconheiro, achei interessante seu ponto de vista e concordo com boa parte do que você escreveu. Meus parabéns
Oi marlos eu continuo queimando tudo até a ultima ponta e depois adoro meter gostoso adoraria ouvir mais de vc na minha cama ! me escreva