Em 2002 costumava acompanhar o horário eleitoral como quem acompanhava novela. Lembro que não perdi um único debate com os presidenciáveis. E o mais triste nisso tudo era notar que a única proposta que Serra, Ciro Gomes e até mesmo Lula defendiam para a educação era a de cotas para negros na faculdade, único tema dentro deste universo que poderia angariar votos aos ditos cujos. Na época, a palavra da moda era emprego. Como "papais-noéis", prometiam à nação o pão, a manteiga, o café, o leite, o circo, o zoológico e o show de Zezé DiCamargo e Luciano. Olhavam única e exclusivamente pata o voto. Nada mais.
Em 16 de março deste ano prometi que votaria no candidato que, antes de qualquer coisa, priorizasse as questões educacionais do Brasil. Este ano, em decorrência dos ataques do PCC, e a mando dos publicitários, a palavra "emprego" deve ser substituída pela palavra "segurança", talvez "justiça", vide tanta corrupção. Até hoje tinha a certeza que votaria nulo em outubro próximo. Porque Lula, não preciso mais me explicar, não tem condições. Alckmin apertou a mão de muita gente feia para poder se candidatar. Garotinho seria uma volta à idade média. E Heloísa Helena, ao que aparenta, é só apertar que ela se perde. Já vi até líder de DCE entrevistando a senadora e a tirando de tempo em várias sinucas de bico.
Porém, contudo, todavia, entretanto…
Hoje Cristovam Buarque lançou sua candidatura à presidência com um discurso que me tocou. E foi simples. Disse que sua candidatura buscará prioritariamente salvar a educação brasileira e alimentar muita pesquisa científica e/ou tecnológica. Ele podia ter prometido emprego, justiça, segurança, moradia, fome zero… Mas não: prometeu botar o brasileiro para estudar. E brasileiro odeia estudar. Esse cara é louco, pensei. E, na seqüência, conclui: eis meu candidato.
Ok, ok, ok… Quem é Cristovam Buarque no jogo do bicho? Não sei tanto da sua vida quanto gostaria. A primeira notícia que tive dele o colocava como um defensor da soberania brasileira sobre a Amazônia em spam que todos receberam no início da década, calando a boca de um estudante gringo. Anos mais tarde, soube que fora demitido do Ministério da Educação de Lula por telefone, com a desculpa de que sua forma de pensar e trabalhar não combinavam com a do governo. Hoje entendo que Lula poderia estar dizendo algo como: "ele é honesto demais para estar aqui". Mas posso estar enganado. Há pouco descobri sua admiração por Brizola. Um cara que, quando criança, por conta de sua antipatia, costumava odiar. Hoje entendo que se tratava de um caso público de "ou ame ou odeie". Um político que lutava com raiva. Que eu nem sei dizer se gosto ou não por não ter vivido bem sua época. Mas que aparenta ser bem melhor do que muitos dos que temos por aí.
Enfim… Ainda tenho quatro meses para investigar melhor a vida do Cristovam e descobrir se não estou mais uma vez sendo enganado. Apenas sei que ele deu sua partida com o pé direito. E, quer queira ou não, já ganhou meu interesse em conhecer melhor suas propostas, seu passado, presente e futuro. Não quero aqui pedir voto de ninguém a ninguém. Mas apenas que busquem conhecê-lo melhor antes de tomar qualquer decisão.
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