O mau uso do gosto musical O mau uso do gosto musical II
nov 02

Onrem fui à Receita Federal. Melhor dizendo: terça-feira fui à Receita Federal. Chegando, descobri uma sucursal do inferno. O que de pior podemos imagina de uma repartição pública era possível encontrar ali. Calor, gente estressada, desinformação e descaso. E muita indignação da parte das centenas de pessoas que esperavam há horas por serem atendidas. Respirei fundo e pedi uma ficha:

- Não temos mais fichas para hoje!

Puta merda! Foi quando notei que todos aguardavam que o um monitor chamasse suas pessoas por um número. Lembrando de sistema que trabalha de forma semelhante na Caixa Econômica, perguntei se seria possível agendar o atendimento por alguma telefone.

- Você pode fazer isso pelo site.

Agradeci. Chegando em casa, cliquei em alguns links na site da Receita e consegui agendar um atendimento para a quinta-feira às 8h10.

Quando ontem cheguei lá, deparei-me com uma situação ainda mais horrível: comerciantes, empresários, velhos, pessoas humildes, centenas delas aguardavam no sol quente a repartição abrir. Soube do segurança que muitos ali chegaram às 4 horas da manhã para pegar um ficha. Com alguns minutos de atraso as portas foram abertas e a correria por uma ficha começou. Da minha parte, sentei-me próximo ao monitor.

Enquanto aquela centena de sofredores se degladiavam pelo direito de ser atendido antes, vi meu número ser o primeiro a ser chamado pelo sistema. E assim fui o primeiro a ser atendido. Por quê? Porque sou um privilegiado que teve estudo, que tem informação, que tem internet, que foi ensinado a pensar antes de agir. Se o país se preocupasse em fazer o mesmo por todos os seus cidadãos, aquela porção de gente honesta que estava ali apenas para regularizar sua situação e deixar de sonegar impostos não precisaria acordar às 3 da manhã e perder um dia inteiro para ser atendido.

Assim, antes das nove horas da manhã deixei a Receita para cumprir com meu ofício. Eu, que naquele contexto estava em cima, subia ainda mais. Eles, pobres coitados, engoliriam o prejuízo de um dia sem trabalho por conta da mais pura burocracia, descendo ainda mais a base da pirâmide.

Escrito por Marlos Ápyus \\ Tags:

Fim da 1ª Parte | Início da 2ª Parte

Acaba aqui a primeira parte deste texto que foi publicada dia 2/11/07 às 8h35 nas seções Notícias, Política & Economia. Você pode acompanhar qualquer resposta a este texto através do link de RSS 2.0.

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Críticas construtivas são mais que bem vindas. Mas, por favor, evitem o anonimato. Contudo, cada caso será estudado em separado.

2 Comentários para “Como ajudar o de cima a subir e o de baixo a descer”

  • Às 02..2007 08:50, foca escreveu:

    nossa! que rock hein? Só d epnsar em ir em bancos e repartições públicas já tenho um ataque de mau humor…

    • Às 02..2007 23:08, -sOliNo- escreveu:

      nem sei qd foi a última vez q entrei num banco :P

      (Obrigatório)
      (Não será publicado)
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      out 06

      Sempre julguei inconveniente se valer da expressão “eu já sabia”, mas de fato era bem previsível que hoje todos os jornais amanheceriam comemorando a “festa da democracia”. Que está muito mais para festa do que para democracia. Porque as eleições, de fato, se transformaram numa mera gincana, onde as equipes participantes, em vez de vencer corrida-no-saco ou arrecadar alimentos não-perecíveis para doação, possuem como único objetivo conquistar votos do povo. O melhor rumo a seguir? Políticas que devemos adotar? Qual candidato há de ser nosso representante nas decisões públicas? Nada disso é relevante. Vencer é o que importa, e nada mais. Se a competição fosse estourar bolas-de-encher, estariam todos os envolvidos igualmente dispostos, e teriam igualmente contribuído para o debate político junto ao eleitorado.

      set 18

      Uma criança muito feia nasce em alguma maternidade pública. O médico espantando com a falta de beleza do bebê, num lance de indelicadeza extrema, exclama diante da mãe:
      - Que bebê horrível!
      O bebê, por sua vez, vira para o médico e responde (responde!!!):
      - Horrível é o que vai acontecer com o Midway Mall em 30 de [...]

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