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Mês: abril 2018

Segundo delator, Romário recebeu R$ 3 milhões para apoiar Pezão

A força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro fez um enorme estrago na bancada fluminense, em especial no PMDB, mas não somente nele. Hudson Braga, que operava o esquema para o partido, delatou à operação que o senador Romário recebera R$ 3 milhões para declarar apoio a Luiz Fernando Pezão, então pleiteante à reeleição:

“Perguntado pelo colaborador qual seria o valor devido, ROMÁRIO indicou com três dedos, o que significa R$ 3.000.000,00. O colaborador falou que seriam R$ 3.000.000,00 e ROMÁRIO confirmou com a cabeça em gesto positivo, ficando evidente que ROMÁRIO estava com medo de estar sendo gravado.”

De acordo com a Veja, o encontro da dupla se deu numa sala de reunião do Hotel Othon, na avenida Lucio costa. O pagamento teria sido feito em dinheiro vivo, com parcelas que variaram de R$ 50 mil a R$ 850 mil.

Indicado por Romário, caberia a Sergio Barcelos receber em Botafogo o pagamento das mãos de Luiz Carlos Oliveira, Marcilio Bezerra ou Reginaldo Moreira.

 

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O desafio de Bolsonaro e Amoêdo: conquistarem relevância legislativa

Mesmo desunida, a direita segue empolgada. É a primeira vez em 29 anos que um candidato com discurso explicitamente anti-esquerdista lidera a corrida presidencial. Os seguidores sonham com a eleição de um “Donald Trump” brasileiro. Mas, ainda que Jair Bolsonaro corra o risco de reprisar o papel de Marine Le Pen na França (vencendo em primeiro turno para perder num segundo), há muito terreno para os “reaças” explorarem.

A conquista mais factível: relevância legislativa. Dois partidos podem somar algumas dezenas de eleitos para a Câmara Federal. Um mais liberal – o NOVO – e outro mais conservador – o PSL.

Mas, no Brasil, partido é uma realidade local. E os parlamentares em sintonia com tais nortes ideológicos estarão espalhados em siglas variadas.

Uma bancada de apoio a Bolsonaro alega ter 58 votos já no governo Temer. E com expectativa de crescimento no pleito de outubro. Somada a uma prometida bancada liberal, talvez conquistem cadeiras suficiente para darem trabalho a safadezas governistas já em 2019.

A relevância legislativa também seria útil aos presidenciáveis de 2022. Pois garantiria-lhes a métrica que ainda não falhou: tempo de TV. É o que segue dando esperança à base do governo Temer, e o que põe em risco o sonho dos “outsiders” da vez.

De resto, é trabalhar, independente de vitória ou derrota. Não se desperta de um sono de décadas com pleno domínio de todas as ferramentas. Há muito o que lapidar de discursos tão brutos, e isso vale tanto para os liberais, como para os conservadores. Por bem ou por mal, tais lições precisarão ser aprendidas.

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Até que ponto dá para confiar no que Antonio Anastasia faz?

O Projeto de Lei 7.448 tem dividido opiniões, parte por ser de autoria de Antonio Anastasia, senador que, a despeito de integrar os quadros do PSDB, ainda goza de alguma credibilidade junto à opinião pública. Na imprensa, alguns articulistas respeitados puseram a mão no fogo pela iniciativa. Na Folha, escreveu Samuel Pessôa. No Estadão, sem qualquer intenção de rimar, mas já rimando, Ana Carla Abrão. Já O Antagonista, que responde como o maior veículo alternativo do país, não se furtou de mais uma opinião forte: “o Projeto de Lei 7.448 é outro 171 que o Congresso quer dar na sociedade“.

Este último baseia-se na argumentação de Júlio Marcelo de Oliveira, em texto publicado no ConJur em 10 de abril de 2018. Trata-se do mesmo procurador do Ministério Público de Contas que, sempre com uma voz serena, peitou a gritaria ainda governista para, durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff, convencer o Congresso a não tolerar as pedaladas fiscais cometidas pela presidente da República.

Por ser um tema bastante técnico, todos os links referenciados nos parágrafos anteriores merecem a leitura. Mas, num linguajar mais leigo, é possível absorver que os defensores entendem que o PL cobrará dos fiscais um esmero maior para com as consequências da aplicação da lei, o que, na leitura em questão, renderia mais segurança jurídica ao Brasil. Na outra ponta, o receio de que esta cobrança abra tantas brechas que finde por legalizar o descaso com as contas públicas, o que acabaria de vez com a segurança jurídica.

Acompanhando o debate, contudo, não é difícil compreender o ponto do representante do TCU. Porque o texto parece querer politizar uma fiscalização que deveria ser técnica, uma vez que os fiscalizados, por mais óbvio que soe, já fazem política até demais. Júlio Marcelo ainda aponta para uma tramitação suspeita:

Nenhuma audiência pública foi feita na Câmara para debater o projeto com a sociedade e somente uma foi feita no Senado, com a presença tão somente de representantes do Poder Executivo. Em momento algum, qualquer órgão de controle como o TCU, a PGR, o CNJ ou o CNMP foi chamado a discutir e oferecer sugestões a respeito da proposta.”

E mais:

“O projeto enfraquecerá o controle, será fonte de insegurança jurídica e premiará a ineficiência dos gestores públicos.”

Mesmo lendo os argumentos a favor, não é difícil lembrar de Lindbergh Farias reclamando aos berros que punir as pedaladas criminalizaria “políticas anticíclicas”, que era preciso pesar politicamente mesmo as lambanças de Dilma. Ou mesmo o asqueroso voto de Gilmar Mendes, que salvou a chapa Dilma/Temer ignorando por completo um bom número de provas.

Na dúvida, uma questão parece apontar um norte: o problema da gestão pública no Brasil é o excesso de fiscalização ou a fragilidade desta? E uma outra: por que, então, atropelando o trâmite natural do legislativo, aprovaram um PL que cria ainda mais obstáculos para um fiscal?

Talvez tenha chegado a hora de passar a desconfiar não só do padrinho, mas também do que defende o apadrinhado de Aécio Neves.

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O que o Datafolha viu, mas a imprensa ignorou

É comum que a imprensa se atenha aos releases distribuídos pelos próprios institutos de pesquisa. Mas é fato que uma pesquisa de intenção de voto costuma colher muito mais informação do que as lançadas nas manchetes. Abaixo, segue uma lista de detalhes importantes colhidos pelo Datafolha que veio a público em 15 de abril de 2018:

Lulismo maior que petismo

Um em cada cinco entrevistados se disse petista. Mas é curioso como o grupo não transfere votos ao PT. Se Lula está no páreo, vota nele, do contrário, busca alternativas em outras siglas.

No Nordeste, assustadores 32% dos entrevistados têm no PT o partido de preferência. No Sul e no Sudeste, “apenas” 15%.

Queda espontânea após a prisão

Desde dezembro de 2016, Lula não aparecia com uma votação espontânea tão baixa (13%). Bolsonaro, contudo, igualou o próprio recorde de 11%.

 

Homens x mulheres

Entre homens, a intenção de voto em Bolsonaro chega a 24%, contra 11% das mulheres. Com Marina, há uma inversão: 20% entre mulheres, 10% entre homens.

É importante lembrar, no Brasil há mais eleitoras do que eleitores.

Ricos x pobres

Entre os mais ricos, a intenção de voto em Bolsonaro chega a 29%, contra 11% entre os mais pobres.

Com 19%, Marina vence entre os mais pobres, e fica em sexto lugar entre os mais ricos (4%).

Nordeste x resto

Se dependesse apenas do Nordeste, Lula seria eleito em primeiro turno – 50% das intenções de voto contra 34% da soma de todo o resto.

No cenário mais provável, a maior votação em Bolsonaro vem do… Centro-Oeste. Lá, o presidenciável vence até mesmo nos cenários com Lula, ainda que empatem na margem de erro.

Se dependesse da região Sul, Álvaro Dias iria ao segundo turno contra Bolsonaro.

Como votam petistas e tucanos

No cenário mais provável, em torno de 21% dos petistas escolhem Marina Silva, contra 15% que preferem Ciro Gomes, e apenas 3% que iriam de Haddad.

Apenas 28% dos tucanos vão de Alckmin, com 21% preferindo Bolsonaro e 10% indo de Marina.

Rejeição

É questionável o cálculo de rejeição do Datafolha, o Ibope costuma ser mais certeiro. Mas, com a ausência de Lula, e Temer ainda incerto sobre reeleição, Bolsonaro se converte no candidato mais rejeitado (31%), seguido de perto por Alckmin (29%).

Isso, claro, ao se excluir Collor, um personagem ora nanico.

No segundo turno, perderá o mais rejeitado.

Marina x Bolsonaro

No segundo turno mais provável, ampliou-se de 10% para 13% a distância entre Marina e Bolsonaro.

Em junho de 2017, contudo, Marina vencia com diferença de 22%.

Apoios rejeitados

Um apoio explícito de Lula renderia mais rejeição do que voto ao apoiado. Mas de FHC seria pior. De Michel Temer, muito pior.

Preparam o terreno

O Datafolha passou a perguntar a “cor” do entrevistado, oferecendo “parda”, “branca”, “preta”, “amarela” e “indígena” como opções.

A esquerda deve fazer uso disso para alimentar debates raciais na campanha.

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Gilmar Mendes pode ficar no STF até 2030

Até quando o brasileiro terá que aturar os atuais membros do Supremo Tribunal Federal? Considerando que todos eles deixarão a corte no limite da idade permitida por lei, deixariam os cargos nos seguintes anos:

  • Celso de Mello: 2020
  • Marco Aurélio: 2021
  • Rosa Weber: 2023
  • Ricardo Lewandowski: 2023
  • Luiz Fux: 2028
  • Cármen Lúcia: 2029
  • Gilmar Mendes: 2030
  • Edson Fachin: 2034
  • Luís Roberto Barroso: 2033
  • Dias Toffoli: 2042
  • Alexandre de Moraes: 2043

Sim, é assustador. Os números demandam que os presidenciáveis precisarão, já agora em 2018, oferecer aos eleitores soluções para a situação. E que os eleitores precisarão cobrar propostas de seus candidatos.

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A imprensa ataca o Facebook pelo monopólio do discurso

Se a briga da imprensa com o Facebook fosse mesmo por publicidade, teria começado bem antes da eleição de Donald Trump. Mas deixou para armar a primeira grande bomba somente após Mark Zuckerberg fechar a porta para a tentativa de aparelhamento via “fact-checkers”.

É uma guerra ideológica usando o mercado como desculpa. Uma briga pelo monopólio do discurso. Da imprensa tradicional contra a opinião pública. De uma mídia que não quer dialogar com o leitor, mas discursar sem o confronto com qualquer divergência.

Em outras palavras, é uma tentativa de censura da parte de quem mais deveria defender a liberdade de expressão.

É lamentável.

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O esquerdismo é a elite se sentindo culpada

O esquerdismo é hoje basicamente a elite sentindo culpa por viver tão bem em um mundo tão complicado, e tentando se convencer que apoiar qualquer vício das classes mais baixas há de render-lhe sonos tranquilos.

É o playboy que se acha do povo porque, quando na Europa, usa transporte público.

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Gostem ou não, Bolsonaro está à frente de muitas demandas da sociedade

Apontam as pesquisas, apoio a ele não falta. Mas, ainda que não se apoie, é preciso entender que Jair Bolsonaro está à frente de muitas demandas da sociedade. Em muitos casos, sem qualquer concorrência.

Se de fato os formadores de opinião quiserem a derrota do que parece ser o maior adversário desta elite “intelectual”, precisam oferecer alternativas ao eleitorado.

Não podem, só para citar um exemplo drástico, alegar que o problema do Brasil é “prender demais”. Afinal, qualquer eleitor que já esteve na mira de uma arma — e o autor desta nota já esteve por duas vezes — lembra que o criminoso saiu impune.

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A narrativa pela qual a Globo persegue a esquerda não se sustenta

Há na Globo até quem tenha se empolgado com a candidatura de Guilherme Boulos. E está longe de se sentir sozinho por lá.

No Twitter, Manuela D’Ávilla se empolgou com uma esquete protagonizada por Marcelo Adnet, que explicitamente ataca os reacionários brasileiros – ou seja, os brasileiros que se voltam contra o que a esquerda prega.

A presidenciável do PCdoB não percebeu, contudo, que ajudava ali a desmontar a “narrativa” pela qual a esquerda estaria sendo perseguida pela Rede Globo, quando resta evidente que, de uma forma geral, a emissora está em lágrimas defendendo o esquerdismo.

Chico Pinheiro é só a ponta do iceberg.

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Petistas, foi Dilma

Um boeing não cai por um único erro, mas uma sequência deles. É assim também com presidente da República. Mas creio que um erro crucial para a queda de Dilma foi uma racha interno no próprio PT. E é incrível como a esquerda não percebeu isso.

O governo Dilma estava bem costurado quando Lula se retirou de cena para tratar um câncer. Este era o líder que, dentro do PT, compreendia a importância de manter uma boa relação com o PMDB. Dilma era da ala que disso morria de vergonha.

Sem o padrinho por perto, a presidente se uniu a Cardozo, Mercadante e Mantega para, juntos, dinamitarem qualquer ponte construída pelo ex-presidente.

O plano era Lula voltar em 2014 e governar até 2022. Mas a trupe não só passou-lhe a perna, como quebrou o país pela reeleição.

Na jogada mais estúpida, no que a primeira “Lista de Janot” nada encontrou de substancial contra Aécio, Dilma entendeu ser uma boa ideia jogar Renan Calheiros e Eduardo Cunha aos leões da imprensa. Numa única tacada, perdeu Senado e Câmara. E ninguém governa sem Congresso.

O mais curioso de tudo é que a história caminha para terminar com Lula na cadeia e Dilma no Senado. E o petismo sem conseguir tomar nota da placa do caminhão que o atropelou.

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