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Mês: maio 2018

O ilusionista

Em seu discurso de posse, em maio de 2016, Temer comunicou que o lema de seu temporário governo seria “Ordem e Progresso”. O Brasil vinha de um período conturbado na economia e caótico na sociedade que não se reconhecia mais como um só povo. O clima era de guerra civil no campo das ideias.

Nas próprias palavras do novo presidente:
“O nosso lema é Ordem e Progresso. A expressão da nossa bandeira não poderia ser mais atual, como se hoje tivesse sido redigida.”

Naquele momento ninguém poderia perceber que Michel Temer tinha em mente não apenas retomar o velho lema mas, também, a velha forma de se chegar à Ordem: as Forças Armadas.

O presidente trouxe para junto de si o general Sérgio Etchegoyen – que hoje ocupa o cargo de Ministro-Chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência do Brasil – e, sem fazer ruído fez com que sua presença em coletivas de imprensa não transmitisse o menor sinal de “governo militar”, ainda que por algumas vezes o general tenha perdido a paciência com jornalistas e se arriscado assim a ser mal interpretado por essa categoria profissional que tanto receio tem dos homens de farda.

Após dois anos de governo, vemos porém que as duas maiores ações de Temer foram executadas pelas Forças Armadas. Tanto a intervenção federal no Rio de Janeiro – aprovada por decreto pelo Congresso em fevereiro de 2018, o que lhe conferiu um toque democrático – como a negociação do fim da greve dos caminhoneiros foram executadas pelas Forças Armadas, com o Exército Brasileiro na frente de batalha.

Curioso é perceber que hoje o tema que mais causa desconforto na discussão política é justamente a possibilidade da volta dos militares ao poder, seja por um golpe militar (desejo de meia-dúzia de brasileiros que já jogaram a toalha), seja por vias democráticas, com o voto em outubro.

Como o Exército Brasileiro tem sido o personagem principal na solução das crises deste governo e, ao mesmo tempo, tem sido o temido personagem que ainda não entrou em cena mas pode voltar a qualquer momento (e por qualquer via) é um mistério que só pode ser decifrado, e explicado, pelas mentes brilhantes do ilusionismo político e publicitário, vitais em um país pobre que não tem dinheiro e nem capacidade moral de resolver os problemas reais da população.

Se o governo Temer tem sido incapaz de domar a própria base no Congresso, o mesmo não se pode dizer de sua capacidade em manter sob controle a insatisfação popular que, mesmo com seus eternos 7% de aprovação assiste pacificamente a equipe econômica guiando a locomotiva da economia e, com igual paciência assiste o pesaroso e enfadonho teatro do Judiciário, com os ministros supremos resolvendo uma ou duas questões por mês, na maioria das vezes referentes a temas sem a menor importância para o mundo real e soltando um bandido aqui outro acolá.

Que Michel Temer sempre foi um negociador hábil no Congresso todos nós já sabíamos, porém o que não imaginávamos é que ele seria também um ilusionista, capaz de fazer invisível um gigante chamado Exército Brasileiro.

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Os avanços inegáveis do Brasil

O cara se separa da esposa, conhece uma nova mulher que entra pra família e vende todos os bens sem o marido saber, então torra toda a grana com ele e as crianças. Um dia a grana acaba e ela dá no pé. A mãe das crianças volta pra casa e começa a recolocar tudo em ordem.

Mas com a nova realidade de gastos controlados a molecada sente falta da madrasta: – No tempo dela que era bom, a gente vivia gastando dinheiro e viajando.

 

Quanto tempo até as crianças crescerem e, olhando pra trás, entenderem que na verdade a madrasta não trouxe felicidade e sim destruiu a estabilidade da família? É o caso de parte dos brasileiros, que até hoje fala do Lula como “aquele que trouxe avanços na área social”.

Lula chegou ao poder e literalmente torrou todo o dinheiro público em programas mal gerenciados (como o Fome Zero e o PAC) e na criação do maior sistema de compra de votos da história da humanidade (Mensalão).

Mas até hoje somos obrigados a ouvir especialistas na TV dizendo que “houve avanços indiscutíveis” no governo Lula. Estão com saudades da madrasta que vendeu a casa e levou todo mundo pra Disney.

Lula poderia, e deveria, ter dado seguimento ao governo FHC que estabilizou nossa economia e nos deu um vislumbre de, quem sabe um dia, sair do terceiro mundismo. Ao invés disso ele preferiu reiniciar o Brasil. Voltou tudo pro zero e começou a construir “o mundo perfeito segundo o PT”.

O resultado todos nós conhecemos:

O PAC nunca realizou nada, apenas desvios de dinheiro e inauguração de obras-fantasma.

O Mensalão não serviu pra garantir aprovação de bons projetos para o país, apenas comprou o silêncio de CPIs.

E o Bolsa-Família não acabou com a miséria, isso aconteceu apenas anos mais tarde com a reformulação dos indicadores do IBGE que transformaram uma família que ganha salário mínimo em “a nova classe média”.

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A economia venezuelana encolheu 13,2% em 2017

O PIB venezuelano encolheu 13,2% em 2017, de acordo com a Assembleia Nacional da Venezuela. Foi o quarto ano seguido de uma vertiginosa queda que já dura 18 trimestres. Em 2016, o tombo foi de 19%. Em 2015, de 5,7%. Em 2014, de 3,9%. A economia local iniciou o ano de 2018 impressionantes 36,2% menor do que era em 2013.

O mesmo parlamento estima que a inflação tenha fechado o período em 2.616%. Mas todos os números são tratados por Nicolás Maduro como oficiosos, uma vez que o Banco Central está proibido de se pronunciar a respeito desde o segundo semestre de 2015.

Os defensores do ditador alegam que a Venezuela simplesmente estaria sendo vitimada por uma queda na cotação do barril do petróleo – que já voltou a subir, diga-se.

Mas o país está longe de ser o único com tamanha dependência do commodity. Contudo, desconhece-se nação que viva colapso semelhante no mundo.

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