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A OCDE quer mesmo antecipar eleições ou Joaquim Barbosa a entendeu mal?

Assim como boa parte dos brasileiros, Joaquim Barbosa acredita – no que tem plena razão – que a política brasileira está podre. Contudo, defende uma saída ingênua, curiosamente, a mesma encampada pelo petismo desde que se tocou que seria derrotado no processo de impeachment de Dilma Rousseff: antecipação das eleições presidenciais. Agora, o ex-ministro do STF acredita contar com o apoio da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, que no último sábado surgiu em declaração a O Globo por intermédio de Jens Arnold, o diretor que dedica as atenções ao Brasil. Mas seria isso mesmo?

Arnold dizia no link compartilhado por Barbosa:

Em nosso relatório, o cenário base é o de que, até que ocorram novas eleições no Brasil, vai ser difícil criar o consenso necessário para implementar as reformas de que o país necessita. Por mais que haja muitas propostas saídas ultimamente do governo, que coincidem em grande parte com as recomendações que a OCDE fez no passado, a pergunta é: até que ponto estas medidas serão implementadas? Uma coisa é o governo anunciar planos, outra coisa é criar o consenso e a força política necessários para fazê-las passar pelo Congresso, que está extremamente dividido e polarizado neste momento.

Em resumo, a OCDE entende que, enquanto novas eleições presidenciais não alinharem executivo e legislativo, as reformas necessárias para se reverter a crise econômica terão dificuldade para lograr sucesso. Isso implica na defesa de que novas eleições ocorram já em 2016, como entendeu Joaquim Barbosa? Ou “apenas” que a economia brasileira viverá um período de desconfiança perante investidores internacionais?

É também importante ressaltar que a OCDE fala em “difícil”, não em “impossível”. Que reformas podem passar, mesmo que por caminhos tortuosos. Mas cabe ainda questionar: a leitura da organização de fato está em dia com a realidade? Ou as vitórias recentes de Temer junto a Congresso a desmentem?

De quebra, a antecipação de eleições não garante a solução desejada pela OCDE. E se a população, desgostosa com os rumos políticos do país, resolve votar num candidato sem qualquer diálogo com o parlamento? Ou sem qualquer compromisso com essas reformas, como é o caso do grupo ligado a Lula?

O impeachment de Dilma Rousseff é o primeiro de muitos passos que o Brasil dará rumo à estabilidade. O próximo, curiosamente, ocorrerá nas próximas eleições, já em outubro. Os prefeitos que sairão das urnas apontarão um novo rumo para a nação, e montarão os palanques onde subirão os candidatos de 2018.

Os 13 anos de estragos do PT não serão resolvidos numa única primavera. É tolice acreditar numa solução rápida e indolor.

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