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Ainda sem a certeza dos crimes de Collor, Mercadante foi o primeiro a defender o impeachment

Os planos Collor I e II deixaram o Brasil numa crise econômica sem precedentes. E a pouca afeição ao diálogo por parte do presidente transformava aquela numa crise também política. A possibilidade de tirá-lo do poder via impeachment já era aventada por alguns poucos colunistas, mas viraria pauta de toda uma nação em 29 de setembro de 1991, quando a Folha noticiaria um debate realizado em suas próprias instalações dias antes.

Mediado por Jânio de Freitas, colaborariam com ideias para superar a crise as personalidade políticas de Esperidião Amin, Fernando Henrique Cardoso, Cesar Maia e Luiz Felipe de Alencastro. Mas seria Aloizio Mercadante, representando o PT de São Paulo, quem jogaria o impeachment como uma ideia a ser defendida.

O petista colocaria três cartas na mesa: um golpe militar seguindo uma receita latina, um golpe comunista (que ele chamava de “revolução democrática”) ao estilo soviético, e o impeachment via Constituição de 1988. Por não notar condições para as duas primeiras, apostaria na terceira.

É importante frisar: buscava-se uma solução para a crise, e não para Collor. É o PT quem diz que o problema é o presidente e o impeachment seria a solução. Só depois vem a preocupação em buscar algo que justificasse a abertura de processo.

Mercadante apontaria como motivo a “desobediência à Lei de Diretrizes Orçamentárias”, um crime, a exemplo do cometido por Dilma, contábil. E logo seria, ainda que elegantemente, chamado de golpista por Fernando Henrique Cardoso.

“O impeachment é uma possibilidade constitucional, portanto, ela é democrática. O que eu me pergunto é se há elementos hoje – políticos, jurídicos – para caracterizar um procedimento como esse. Não vejo virtudes democráticas no Collor. Acho que o Collor hoje é um fator de instabilidade democrática do país. E, se as forças democráticas não se mobilizarem na sociedade civil, inclusive com os partidos, não vejo nenhuma possibilidade de a gente ter, realmente, uma saída para a crise.” (Aloízio Mercadante, em 1992)

Collor morderia a isca e a responderia dias depois, ainda que desacreditando a iniciativa. Erro primário, apenas ajudou a fincar o assunto na pauta, conforme queria o PT. E seria derrotado exatamente um ano depois.

Restam as questões: há alguma virtude democrática em Dilma? Ou ela é, hoje, apenas um fator de instabilidade democrática do país?

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