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Bem antes de comparar o de Dilma com golpe de 64, Caetano foi hino do impeachment de Collor

Em sua mais recente participação no Altas Horas, Caetano Veloso, com um vocabulário bem mais rebuscado, claro, reprisou todo o discurso de Lula contra o impeachment de Dilma. Para o cantor, toda a movimentação política da atualidade seria uma reação das elites à tentativa petista de se reduzir a desigualdade. E os protestos recentes se assemelhariam à Marcha da Família com Deus, “que produziu o golpe de 64“.

Curiosamente, quando o impeachment foi pedido pelo PT contra um presidente que derrotara o partido nas eleições de 1989, Caetano Veloso não pareceu se incomodar. E colheu todos os frutos de Alegria, Alegria – canção usada pela Rede Globo na abertura de Anos Rebeldes, seriado que foi ao ar um mês e meio antes da queda de Collor – que tornou-se o hino dos “caras-pintadas”.

Em 29 de setembro de 1992, quando o Congresso Nacional finalmente derrotaria o presidente da República e entregaria o comando do Brasil a Itamar Franco, o Jornal Nacional terminaria aquela edição histórica com a voz de Caetano Veloso.

Quando apresentada no Festival da Record em 1967, a canção seria extremamente criticada pela esquerda nacional pelo simples uso das guitarras elétricas. E Caetano Seria vaiado um ano depois ao defender Proibido Proibir no Festival Internacional da Canção.

Em dado momento de Alegria, Alegria, Caetano pergunta: “O sol nas bancas de revista me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?”

Caetano deveria parar de preguiça e dar mais atenção ao noticiário. Há muita gente lendo todas essas notícias.

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