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Como explicar o comportamento de Renan Calheiros?

Quando o Brasil inteiro achava que o PT estava acabado, foi Renan Calheiros quem se aproximou de Lula para, com a base gigantesca do PMDB, garantir governabilidade ao presidente e, de quebra, a reeleição após o Mensalão. Em outras palavras, o senador é o peemedebista que mais história tem para contar dessa parceria com o Partido dos Trabalhadores. Todavia, é dos que menos sofre pressão do noticiário oriundo da Lava Jato.

Renan sabe que o PT possui informações que poderiam colocar fim à sua carreira política e, de quebra, a liberdade. Na oposição, mesmo pregando contra os principais veículos do país, o partido nunca se furtou de produzir capas com soldados do petismo disfarçados de jornalistas. Capas que, por exemplo, destruiriam com a vida pública de Ibsen Pinheiro, o presidente da Câmara que conduziu o impeachment de Collor proposto – vejam só – pelo PT!

O presidente do Senado se comporta como um refém que possui uma arma apontada para a cabeça. Em entrevista ao Roda Viva na noite de ontem, Gilmar Mendes deu a entender que a vida só segue tranquila para o peemedebista porque Rodrigo Janot estaria sentado em cima dos inquéritos contra Renan. Ficou no ar a suspeita de que, a depender do movimento, papéis seriam desengavetados.

Portanto, não será estranho se Calheiros continuar fazendo o jogo do PT até o segundo final, quando finalmente lavará as mãos, dirá que fez o possível e participará do governo Temer, ainda que na condição de desafeto do presidente. Ou mesmo que, para evitar as pedradas no telhado de vidro, ainda ofereça alguma resistência à colaboração com o próprio PMDB durante os 9 meses que ainda presidirá a casa.

De resto, terá a sorte lançada. Se, no governo, com muita coisa a perder, o PT foi capaz das jogadas mais baixas, na oposição não deve protagonizar cenas menos feias. É o preço que o sujo paga quando sela acordos com o mal lavado.

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