facebook
Ir para o conteúdo

Como o petismo sobrevive? Se dividindo e dividindo adversários

Historicamente, o “dividir para conquistar” é uma estratégia explorada por líderes militares – destaque para Napoleão Bonaparte – com o objetivo de gerar desavenças entre os adversários enfraquecendo-os. No Brasil, ela seria posta em prática pelo petismo não só para avançar com os próprios ideais, mas também para sobreviver a conflitos internos.
Neste segundo caso, um dos melhores exemplos é o surgimento do PSOL. Com o esfacelamento do Mensalão por graça de um desbocado Roberto Jefferson, a ala do PT mais apegada à defesa da ética percebeu que precisaria de uma nova casa ou não poderia mais atacar o fisiologismo explícito que o partido passaria a priorizar para não perder governabilidade. Com isso, quatro meses depois, nasceria o Partido Socialismo & Liberdade (sic) e para ele migrariam todos os petistas que achavam um nojo receber o apoio do PMDB de Renan Calheiros para a reeleição de Lula.
Mas era uma mudança inócua. A sigla até podia arriscar um candidato à Presidência, e Heloísa Helena sairia melhor do que o esperado. Mas, se o Partido dos Trabalhadores não lograsse sucesso em primeiro turno, o PSOL o apoiaria em segundo, em dinâmica reprisada no parlamento: divulgariam uma oposição sem ressalvas, mas votariam sempre em acordo com o governo.
A REDE, de Marina Silva, reza pela mesma cartilha, ainda que nascida de um projeto pessoal de poder. Se o PSOL surge em meio ao Mensalão, os marineiros oficializam o espaço na vida pública durante o Petrolão. Se o primeiro tentava manter uma agenda histórica do PT, o segundo tenta resgatar dentro do petismo a bandeira da ética abandonada lá em 2005.
Com os adversários, a tática renderia grandiosos frutos em um primeiro momento. Porque nenhum partido é composto de líderes com pensamentos perfeitamente alinhados, é natural que haja vozes adesistas mesmo dentro das siglas mais oposicionistas. Foi com isso em mente que, nas eleições de 2010, o PT se aproximou de Gilberto Kassab, então prefeito de São Paulo pelo Democratas, antigo PFL, clássico adversário do lulismo. E, aproveitando a brecha na lei que permite o deslocamento para novas agremiações, arrastaria para o PSD em 2011 uma grossa fatia do segundo maior partido da oposição.
Como prêmio pelo trabalho, o já ex-prefeito ganharia o Ministério das Cidades no segundo mandato de Dilma Rousseff. Não sem antes tentar colocar a estratégia em prática mais uma vez, contudo, mirando um aliado, o PMDB. As relações de ambos começariam a estremecer ali, ganharia força um peemedebista de nome Eduardo Cunha, e o resto já virou história.
É importante observar o movimento do PT depois deste 12 de maio. Lula promete se organizar para 2018, mas certo é que antes precisará se entender com a Justiça. Metade da Câmara petista estaria cogitando fundar uma terceira linha auxiliar (ou quinta, se somada ao PCdoB e PDT) após as eleições municipais.
A condição para o projeto ser abortado seria o sucesso de Dilma no processo de impeachment. Por enquanto, apenas adiantam que não reconhecerão um governo Temer. Mas não possuirão aliados em suficiência para impedir governabilidade ao PMDB.
O futuro do Brasil está aberto. Assim como o do petismo. Se o partido está minguando, a referência ideológica segue viva na imprensa, nos movimentos sociais, na academia, na cultura pop como um todo. Será uma longa guerra. Mas a batalha mais complicada parece ter sido superada com a queda de Dilma Rousseff.

Curtiu o texto? Contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) do autor e/ou siga-o no Twitter e Facebook.