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Denúncia de Machado contra Temer é grave, mas pode se tornar gravíssima

Justamente por serem demais calejados, e os grampos recentes capturados por Sérgio Machado são a maior prova disso, nenhum político mais vivido é muito explícito nas más intenções quando em reuniões a portas fechadas. Por isso, Michel Temer talvez esteja se acreditando sincero ao negar que alguma vez tenha pedido ao delator “recursos ilícitos” para qualquer campanha. Assim como alega Jandira Feghali, e como surge Eduardo Cunha nas mensagens de celular de Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, possivelmente apenas pediu doações para o pleito. Mas há um problema grave (ou gravíssimo, em se tratando de um Presidente da República, ainda que interino): o dinheiro não saiu do bolso de Machado, ou mesmo do caixa da Transpetro que ele presidia, mas da Queiroz Galvão, empresa contratada pela estatal.

Não caberia ao então vice-presidente achar estranho que a doação partisse de uma empreiteira que mantinha contratos com a Petrobras? Ou era justamente do Petrolão – ainda sem essa de denominação – que Temer esperava os recursos para a campanha de Chalita? Fato é que o R$ 1,5 milhão aparece na prestação de contas do peemedebista como “recursos de partido político“.

Fica a palavra de Machado contra a de Temer, até que mais alguém tope engrossar o coro do delator, como aconteceu quando Marcelo Odebrecht confirmou que Dilma Rousseff tentou tirar-lhe da cadeia nomeando Marcelo Navarro para o STJ – Delcídio do Amaral, que trouxe a denúncia a público, foi chamado de mentiroso pela presidente ainda em exercício.

Trata-se de uma péssima notícia para um governo que começava a ganhar a confiança do mercado. Com potencial para se tornar fatal – para máxima alegria do petismo, ou eventual tristeza da nação.

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