facebook
Ir para o conteúdo

Devolver centenas de cargo ao PT não é uma estratégia inteligente

O PT não é a única organização corrupta dentro do governo, e a “super planilha” da Odebrecht, com citações a mais de 200 políticos, deixa tudo muito claro. Mas, além de ser a sigla com mais poderes dentro e fora do Estado, é adversária até mesmo de vários de seus aliados, como a maior parte do PMDB, por exemplo.

Enfraquecer qualquer um de seus oponentes é deixar o PT mais forte. O partido tanto sabe disso que a todo tempo mira inimigos para destruir-lhes a reputação, sejam eles José Serra, Aécio Neves, Eduardo Cunha, ou mesmo obstáculos internos, como Delcídio do Amaral – o “mais tucano dos petistas”, segundo a militância que não tinha o que responder ao grampo que desmascarou senador.

Desta forma, é necessário primeiro atingir o mais forte, ainda que para isso seja preciso o auxílio de outros personagens também repugnantes. Um impeachment se consegue com 342 deputados apoiando-o. Se a condição para o sucesso for a concordância exclusiva de almas puras, sem passado questionável, o PT completará um século no poder. É esse o motivo de o petismo tantas vezes apostar na pauta que vende todos, inclusive os eleitores, como corruptos.

Portanto, é necessário dosar a estratégia que cobra a devolução de centenas de cargos antes do final do processo. Um ministério vago é uma bala de grosso calibre para Dilma atirar. Comprando 171 deputados, a presidente derrota a oposição. E nem precisam ser deputados relevantes. Podem ser nanicos, insignificantes, um Celso Pansera, um Marcelo Castro, um Leonardo Picciani. Quanto menor a relevância, mais vantagem verá no cargo oferecido, ainda que de um governo falido. E desta forma o PT se salvará, já que o peso do voto é o mesmo.

Esse entendimento deixa também evidente que o impeachment de Dilma não é um fim, como alguns pregam. É o começo de uma faxina. De uma batalha longa, dolorida, cheia de altos e baixo. Mas que, ao final, apresentará um Brasil bem mais maduro do que aquele que se deixava enganar por qualquer malandro vestido de vermelho.

Curtiu o texto? Contribua com o crowdfunding (financiamento coletivo) do autor e/ou siga-o no Twitter e Facebook.