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Dilma e Lula de nada sabiam ou preferiam saber de nada para não se incriminarem?

“Cegueira deliberada” é o termo usado pela justiça nos casos em que o cidadão evita tomar ciência de crimes cometidos para não responder por eles. No Brasil, há alguns esforços localizados tentando pôr a teoria em prática. No julgamento do Mensalão, por exemplo, quando o domínio de fato finalmente foi posto à prova no país, chegou-se a discutir o tema. Mas o STF assumiu (mais) uma postura covarde.

Porque, para a justiça americana, como publicado no Consultor Jurídico, é suficiente “a escolha deliberada do agente em permanecer ignorante a respeito de todos os fatos“. No Brasil, contudo, o tribunal preferiu incluir um obstáculo, exigindo “atos deliberadamente voltados à manutenção da ignorância“. Em outras palavras, não basta ignorar, mas também ser provocado a tomar ciência e impedir o avanço da informação.

Era tudo o que gestores como Lula e Dilma Rousseff precisavam para continuarem repetindo à imprensa que nada sabiam a respeito dos crimes cometido por seus subordinados. Como se não saltasse aos olhos que, em jogo, estava um pacto de cooperação mútua entre corruptos e corruptores: se um não perguntar, o outro não precisa responder. Assim, nem perguntam, nem respondem. Quando descobertos, alegam que nada sabiam.

De cinismo em cinismo, a corrupção brasileira superou os bilhões de reais, com prejuízos que caminham para os trilhões. Uma década inteira foi jogada fora. E, a depender do setor, toda uma geração precisará trabalhar para recuperar o tempo perdido.

O dito popular define como pior cego aquele que não quer ver. Na Justiça, contudo, a cegueira é tratada como qualidade que denota imparcialidade. Não passa, claro, de uma lorota para encantar a opinião pública. Poucos órgãos são mais políticos do que uma Suprema Corte. Pode-se dizer, inclusive, que a brasileira está entre as mais politizadas do mundo.

O STF precisa rever o próprio posicionamento. Ficará, inclusive, mais fácil agora que não há na corte qualquer nomeado pelo presidente em exercício. Do contrário, os gestores continuarão deliberadamente fingindo que os crimes cometidos sob seus narizes nada tinham a ver com a pessoa no comando. E o Brasil continuará no passado.

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