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Dilma não quer renunciar porque não quer ir para a cadeia

Ives Gandra sempre reclamou que a Teoria do Domínio do Fato foi mal aplicada por Joaquim Barbosa no julgamento do Mensalão. Porque o topo da cadeia de comando não era José Dirceu, mas aquele que lhe garantiu o cargo na Casa Civil, no caso, Lula.

Por mais que a Justiça se queira cega e os membros do STF se queiram justos, não há ser humano ou instituição no mundo que tome decisões sem pesar as consequências políticas da medida. Mesmo quando se opta por um parecer técnico, assim se faz por ser politicamente conveniente tomar atitudes calcadas na razão.

Em outras palavras, Dilma não terá com o Petrolão a mesma sorte de Lula com o Mensalão. O petista encerrou os trabalhos na Presidência da República com 87% de aprovação popular. Nenhum juiz teria força para colocá-lo na cadeia. Nem mesmo Joaquim Barbosa. Já a petista, segundo o mais recente Datafolha, ainda conta com a aprovação de 10% do país. Ainda. É muito pouco para que a Justiça hesite em aplicar a ela a mesma lei que aplicaria a qualquer outro cidadão. E ela sabe disso melhor do que ninguém.

Por isso esbraveja que não renunciará. Há menos raciocínio do que instinto de sobrevivência na atitude. Lula ainda teria como alternativa um auto-exílio, um teatro grotesco numa embaixada bolivariana qualquer, a simpatia de artistas internacionais mal informados, a narrativa que a esquerda do mundo todo se esforçaria para emplacar colocando-o como vítima de perseguição política. Mas a presidente não goza da mesma mitologia e só tem o próprio cargo como arma para conquistar a impunidade desejada regada a muito foro privilegiado.

Há quem acredite que ela fora uma incansável defensora da democracia em tempos de ditadura, mas essa versão engana cada vez menos gente. De certo, contaria com o apoio do movimento feminista e da esquerda mais religiosa. Mas seria difícil emplacar qualquer narrativa mais vantajosa com a ruína econômica brasileira no currículo.

E, ainda que o domínio do fato não seja suficiente para enquadrá-la, há delatores dispostos a provar a relação direta da petista com o esquema na Petrobras. Ao menos é essa ameaça que Marcelo Odebrecht, segundo a Veja, estaria fazendo.

Que dessa vez não fique apenas na ameaça.

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