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Em 2007, Guido Mantega praticamente previu o impeachment de sua futura chefe, Dilma Rousseff

Com o tempo, o mercado aprenderia que não deveria levar a sério Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda brasileiro. Mas em 2007 a sua trajetória no Planalto ainda engatinhava, estava há 21 meses no cargo. E se permitiria sinceridades nas páginas amarelas da edição de 12 de dezembro de Veja. Como quando teceu elogios não só à Lei de Responsabilidade Fiscal, mas ao trabalho dos tucanos na gestão anterior:

“Hoje, independentemente das ideologias que norteiam os governos, o princípio da responsabilidade fiscal foi consolidado. Foi uma grande contribuição do governo anterior, dos tucanos.”

Contudo, não pararia ali. Questionado se o PT começava naquele natal pouco se importava com a inflação, já que estipulara uma meta inflacionária acima dos números da temporada, respondeu o que pode ser lido hoje como uma previsão a respeito da queda de Dilma Rousseff, a presidente que viria a ser sua chefe por todo um mandato – e o demitiria com antecipação de meses.

“O controle da inflação independente de grupos políticos. Se, no futuro, for eleito um presidente irresponsável, ele terá de se submeter a regras consolidadas ou será ‘impichado’. Ninguém quer mais saber de déficit público ou de inflação.”

Ironia do destino, naquela conversa Mantega acertou. Após estourar o déficit público e o teto da inflação, não sem antes contar com uma confissão pública do próprio ministro da Fazenda, Dilma cairia por desrespeito à Lei de Responsabilidade Fiscal.

É a história do Brasil sendo escrita por linhas tortas.

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