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Estaria o PSDB finalmente aprendendo a negociar?

Em quase 14 anos de oposição, o brasileiro se acostumou a ver no PSDB um partido disposto a baixar a cabeça sempre que o PT fazia qualquer ameaça. Isso, claro, atingiu a credibilidade da própria sigla, pois logo o eleitor traduziu a covardia como culpa no cartório. O noticiário dessa semana, no entanto, mostra alguns tucanos num papel pouco usual, o de negociador.
De cara, Aécio Neves colocou em jogo três boas e complicadas condições: cláusula de barreira, voto distrital misto e proibição de coligações proporcionais. Se conseguir apenas a segunda, já abre espaço para, num futuro não tão distante, o Brasil finalmente conversar a sério sobre parlamentarismo.
Na sequência, reclama o óbvio: o fato de as três primeiras cadeiras na linha sucessória pertencerem a um mesmo partido transparece um risco institucional desnecessário. É uma missão mais delicada, pois envolveria tirar do comando dois nomes que morrem de medo da Lava Jato. Mas as primeiras sugestões apresentadas – Rogério Rosso/PSD e Jovair Arantes/PTB – para a Câmara denotam uma boa vontade em encontrar personagens que levem a casa a um consenso. E os mandatos dos atuais presidentes do parlamento devem ser finalizados no próximo janeiro.
Nos bastidores, o PSDB consulta os filiados via SMS para medir o clima acerca do calculado mergulho de cabeça no governo Temer. O receio de dois terços do partido é a volta por cima de José Serra, dividindo ainda mais o que nunca foi suficientemente unido. Mas o PMDB promete ao senador um complicado Ministério da Educação. E o tucano teria a missão impossível de se dar bem lidando com o setor mais ocupado pelo petismo.
Parece um risco bem baixo e qualquer medo disso não se justifica.

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