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Imprensa destacou mais a vaquinha de Dilma do que o Criança Esperança

Sem disposição para arcar com custos de jatinhos particulares, ou popularidade para pegar voos de carreira sem gerar protestos, Dilma Rousseff lançou em 29 de junho de 2016 uma campanha buscando recursos com a desculpa de que seriam usados em viagens pelo Brasil denunciando o que chama de “golpe”. Dois dias depois, bateria a meta de meio milhão de reais e já começaria a pensar numa nova, uma vez que havia se dado quinze dias de prazo. Naquele intervalo, a imprensa brasileira daria mais destaque às necessidades da presidente afastada do que ao Criança Esperança, campanha nacional de mobilização social que, no 02 de julho, iniciaria o Viradão da Esperança, ou o fim de semana mais intenso do projeto.

O Google Trends registrou o fenômeno. O Criança Esperança abriria o 29 de junho gerando mais conteúdo do que a “vaquinha de Dilma”. Mas seria superado já no início da tarde. E só voltaria a à dianteira na noite de sexta-feira, quando a petista atingiu a meta desejada.

Uma dos lemas mais cínicos da atual geração defende que compartilhamento não implica numa concordância com o conteúdo compartilhado. Se assim fosse, não se justificaria tanto esforço em gerar publicidade gratuita àquilo do qual se discorda.

Ao enfileirar manchetes sobre a “vaquinha de Dilma”, a imprensa brasileira foi cínica, praticamente pediu doações a uma personalidade política afastada do cargo por corrupção e incompetência. Assim o fez por se tratar de uma categoria ainda majoritariamente tomada por soldados ideológicos descompromissados com a verdade ou mesmo com aquilo que apresenta mais relevância para o futuro da nação.

Ainda que caiba questionamentos a respeito do projeto, até o momento da redação deste texto, quase 10 mil brasileiros deixaram de doar R$ 600 mil ao Criança Esperança para entregar as economias a uma mentira que Dilma Rousseff está disposta a propagar.

Isso, claro, ao se levar em consideração que a petista não está usando a ferramenta para lavar dinheiro, uma prática bem comum no partido da qual faz parte.

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