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Na 27ª fase, a Lava Jato também inaugurou um novo e delicado alvo: a imprensa

Dez fases antes, a operação já havia tentando, mas Sérgio Moro conteve o ímpeto do Ministério Público Federal, que havia pedido a prisão de Leonardo Atuch, um dos responsáveis pelo Brasil 247. Em agosto de 2015, o juiz até concordou que de fato houve pagamento de propinas à Editora 247, mas ponderou que seria necessário um aprofundamento maior das investigações.

Hoje, ao que tudo indica, o aprofundamento chegou ao necessário. O jornalista Breno Altman, diretor do Opera Mundi e da revista Samuel, além de colunista do mesmo Brasil 247, foi conduzido coercitivamente. Mas o alvo principal, Ronan Maria Pinto, não só foi preso temporariamente, como teve o seu Diário do Grande ABC alvo de uma busca e apreensão.

Trata-se de um movimento arriscado pois, como ensinou o próprio Sérgio Moro no artigo publicado em 2004 sobre a Mãos Limpas, a imprensa é uma ferramenta primordial para fortalecer a conta dos investigadores junto à opinião pública. É a popularidade na casa dos 90% que protege a vida não só do juiz, mas de todos os promotores envolvidos na Lava Jato. Um arranhão em qualquer um desses personagens e o governo cai.

Cabe agora observar se esse foi um movimento isolado ou uma tendência a ser seguida. Cabe também ficar de olho na reação das redações. No geral, jornalista é tão corporativista como qualquer outra categoria e isso pode se voltar contra a investigação, mesmo que o esforço de certas publicações em ainda defender um governo tão corrupto levante infinitas suspeitas.

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